Política & Justiça

Bolsonaro respalda Vitor Hugo e deve mudar comando do PL

O presidente Jair Bolsonaro sinaliza apoio à pré-candidatura do Major Vitor Hugo ao Governo de Goiás, rejeita o projeto do prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (sem partido) e esvazia o grupo da deputada federal Magda Mofatto no Partido Liberal

diario da manha
Jair Bolsonaro e Major Vitor Hugo: afinidade política e ideológica

O presidente Jair Bolsonaro sinaliza que quer o Major Vitor Hugo como candidato ao governo de Goiás nas eleições deste ano e pode esvaziar o grupo da deputada federal Magda Mofatto do comando do PL de Goiás. Mofatto rejeita Vitor Hugo e defende a pré-candidatura do prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha ao governo de Goiás. O empresário Flávio Canedo, marido de Magda Mofatto, é o presidente do PL no Estado.

O deputado federal Vitor Hugo, que é major da reserva do Exército, tem a confiança de Bolsonaro desde quando eram alunos da Escola Militar de Agulhas Negras, no Rio de Janeiro. Ele foi líder do Governo na Câmara Federal em 2019e e um dos bolsonaristas raíz.

Vitor Hugo tornou-se porta-voz efetivo do grupo de Jair Bolsonaro em Goiás quando participou para o ataque, ano passado, para “desconstruir” o projeto de candidatura de Gustavo Mendanha ao governo de Goiás e sua intenção de filiar-se ao PL para “tirar proveito” do prestígio eleitoral de Jair Bolsonaro. A filiação de Major Vitor Hugo ao PL deverá ocorrer até o dia 1º de abril próximo.

Á época, Vitor Hugo disse que Gustavo Mendanha não merece a “confiança” do grupo de Bolsonaro por não ser fiel aos princípios e aos projetos defendidos pelo presidente. E mais que isso: tem comprometimento com a esquerda, ao abrigar em seu secretariado partidos como o PL, PSB, PC do B, PV e PDT.

“O presidente quer muito um candidato em Goiás.” A fala é do senador Vanderlan Cardoso (PSD). Próximo do presidente Jair Bolsonaro (PL), ele é cotado para a disputa ao Executivo goiano como representante do bolsonarismo, mas nega a possibilidade. “Tenho vontade de ser governador, mas não nos preparamos para esta eleição. O presidente quer muito um candidato em Goiás e já disse a ele que o candidato ideal é o Vitor Hugo.”
A referência do senador é ao deputado federal Vitor Hugo (União Brasil), que é pré-candidato ao governo, mas que enfrenta dificuldades em se filiar ao PL de Bolsonaro com este projeto, uma vez que o partido no Estado já hipotecou apoio ao prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido).

Vanderlan e Vitor Hugo, inclusive, tiveram conversa reservada na noite de segunda-feira, em Goiânia. Entre os assuntos, eleições.

O senador afirmou que considera Vitor Hugo o candidato ideal porque ele atende ao perfil do eleitorado de Bolsonaro. “Ele (o deputado) faz essa defesa mais enfática que o eleitorado dele cobra e está acostumado. Possui mais identificação.

Novo eixo
Com a filiação do Major Vitor Hugo prevista para até o dia 1º de abril, o PL de Goiás vai mudar de comando: sairá das mãos do casal Magda Mofatto/Flávio Canedo para se desligar na direção dos seguidores do presidente Jair Bolsonaro.

Além de Vitor Hugo, outro bolsonarista já se filiou ao PL: o youtuber Gustavo Gayer, pré-candidato à Câmara Federal, que deixou as fileiras do Democracia Cristã (DC) de Alexandre Magalhães.

Vitor Hugo tem dito, pelas redes sociais, que está disposto a enfrentar a disputa ao governo de Goiás nas eleições deste ano, para defender as bandeiras do presidente Jair Bolsonaro, mesmo tendo como adversário o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), líder nas pesquisas de intenções de voto.

A principal preocupação de Magda Mofatto: com a filiação do youtuber Gustavo Gayer, a deputada poderá perder o favoritismo para ser a mais votada do PL de Goiás para a Câmara Federal este ano.

Nos últimos meses, Vitor Hugo e o casal Magda Mofatto/Flávio Canedo trocaram “farpas” pela imprensa, com cada um procurando desqualificar o adversário, mesmo pertencendo ao chamado bolsonarismo no estado.
Na pesquisa Serpes/Acieg, divulgada em 27 de janeiro último, Major Vitor Hugo aparece com apenas 2,6% de intenções de voto para o governo de Goiás.

Mal estar
A reprovação do bolsonarismo à pré-candidatura de Gustavo Mendanha ao governo de Goiás aprofunda ainda mais o racha da oposição. Mendanha deixou de se filiar a um partido – o PL -, fato que estava praticamente consumado, por interferência de Magda Mofatto. Hoje, Mendanha não consegue apoio de nenhuma grande legenda ao seu projeto eleitoral de concorrer ao Palácio das Esmeraldas. Além do PL, PSD, Progressistas e Republicanos não aceitam diálogo com o ainda prefeito de Aparecida de Goiânia.

Major Vitor Hugo não voa em “céu de brigadeiro” na política goiana, pois terá dificuldades para compor a chapa majoritária na escolha dos candidatos a vice-governador e a senador. O PL também não tem chapas competitivas para a disputa à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.

O bolsonarismo não vê com simpatia as movimentações do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que se coloca como pré-candidato a governador ou a senador. Também quer distância do PT e dos demais partidos de esquerda.

PSD ainda tem expectativa de Meirelles disputar eleições

O presidente estadual do PSD, Vilmar Rocha, senador Vanderlan Cardoso, deputado federal Francisco Jr e lideranças do partido ainda acreditam que Henrique Meirelles deixará o cargo de secretário da Fazenda do governo de São Paulo até 1º de abril próximo para retornar a Goiás e concorrer ao Senado Federal nas eleições deste ano.

Vilmar, que se encontra em São Paulo, conversou com Henrique Meirelles e com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e vive a expectativa de uma resposta afirmativa do ex-ministro da Fazenda. “Vamos aguardar o tempo do Meirelles. Esperamos que a resposta dele seja positiva, pois há uma expectativa grande em torno de sua candidatura a senador em Goiás”.

Na visão do senador da República e colega de partido, Vanderlan Cardoso não há nada que indique a desistência ao cargo, ao contrário. “Ele não quer correr risco e precisa de ter essa orientação onde ele possa chegar e dizer que vai fazer a pré-campanha e os compromissos”, disse ao jornalista Altair Tavares, do Portal Diário de Goiás.

A declaração foi dada ao blog, após reunião na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio). “Ele está buscando maneiras de fazer a pré-campanha e a campanha dele. Ele é muito organizado e não quer correr risco, como muitos já estão correndo”, destacou.

De acordo com o senador, Meirelles não esboçou em momento algum desistência da candidatura. “Hora nenhuma ele disse para o PSD, nem para o presidente Kassab, que ele reuniu esse final de semana, nem para o Vilmar, nem para o Simeyzon, nem para o deputado Francisco Júnior que ele vai desistir”, pontuou.

O deputado federal Francisco Jr ainda acredita que Henrique Meirelles irá se desincompatibilizar, dia 1º de abril, para disputar mandato ao Senado pelo PSD de Goiás. “Não há motivo para um recuo de Meirelles. Ele está muito bem nas pesquisas, ampliando cada vez mais o leque de apoio político”.

Henrique Meirelles: PSD vive expectativa de candidatura ao Senado

Lissauer Vieira
Vanderlan Cardoso terá uma nova conversa com o presidente da Assembleia Legislativa Lissauer Vieira, na tentativa de convencê-lo a filiar-se ao PSD, independente se irá ou não concorrer às eleições deste ano. “É um momento de discussão. Todas as eleições são assim. Quando é data para mudança de partido e formação de chapas é dessa maneira. Não desistimos do Lissauer Vieira. O PSD, inclusive, vai ter uma reunião com ele. Estamos marcando e vendo a agenda dele. Não desistimos da filiação dele e que ele venha a disputar. Mas a gente respeita o momento, é uma decisão do próprio deputado Lissauer”, disse Vanderlan ao Portal Diário de Goiás.

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