Política & Justiça

Mendanha teme rejeição de Marconi e se afasta do PSDB

Ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e pré-candidato ao governo de Goiás se distancia dos tucanos e espera fechar aliança para escolha de candidato a vice e senador em sua chapa com o outro partido

diario da manha
Gustavo Mendanha esfria as conversações com o PSDB e busca outras alianças

Apontado como um dos principais entusiastas da pré-candidatura de Gustavo Mendanha (Patriota) ao governo de Goiás, principalmente na fase em que o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia travava uma briga interna com o seu antigo partido, o MDB, Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás, teria ficado decepcionado com as últimas declarações de Mendanha, que teria dito que acredita que ter o nome atrelado ao ex-governador possa impactar negativamente a campanha. “Qualitativamente, pesquisas indicam que atrapalha um pouco”, disse o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia ao jornal O Hoje. Mendanha se distancia dos tucanos e espera fechar aliança para escolha de candidato a vice e senador em sua chapa com o outro partido

Segundo aliados de Perillo, o tucano, que experimenta uma fase de euforia pelas últimas decisões judiciais que o teriam favorecido em processos na justiça, ficou decepcionado com a fala de Mendanha, alegando que esperava mais consideração daquele a quem tem sempre dispensado um tratamento atencioso e de enaltecimento.

A fala do pré-candidato do Patriota praticamente encerra a possibilidade de uma aliança com o PSDB de Perillo, que dá sinais de que pode se lançar candidato ao governo nas eleições de outubro próximo e travar uma disputa direta com Gustavo Mendanha por uma vaga num eventual segundo turno contra o governador Ronaldo Caiado (UB).

Além de temer a rejeição de Marconi Perillo – uma realidade apontada pelas últimas pesquisas de intenções de voto -, Gustavo Mendanha também pontua como um entrave para uma composição com o tucano a indisposição do presidente Regional do seu partido, Jorcelino Braga, de compor com o ex-governador. Os dois são inimigos declarados e Braga já tinha avisado que tal aliança não se concretizaria sob a sua presidência.

Já os tucanos avaliam que Mendanha está desprestigiado e perdido nessa fase de pré-campanha e que erra sistematicamente ao afastar possíveis aliados. Para aliados de Marconi Perillo, Mendanha, até então considerado o protagonista da oposição goiana, não conseguiu estabelecer alianças partidárias capazes de dar sustentação ao seu projeto político e já veem com desconfianças a capacidade do ex-emedebista disputar com alguma chance de vitória as eleições com o atual governador.

“O Gustavo está cada dia mais isolado. O Marconi, mesmo se ficar isolado, é outra coisa. Ele tem plenas condições de aglutinar lideranças insatisfeitas, mas que estão com Caiado por falta de opção”, disse um tucano, admitindo que Marconi Perillo pode ser o candidato da oposição em Goiás.

Parlamentares fecham com Vitor
Hugo e se distanciam ex-prefeito

Os revés sofridos por Gustavo Mendanha, pré-candidato do Patriota ao governo de Goiás, diante dos embates pelo apoio do PL em Goiás, aprofundaram o isolamento do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia no seu projeto de chegar ao Palácio das Esmeraldas nas eleições de outubro próximo.

Deputado estadual Major Araújo

Quando deixou o MDB, em setembro do ano passado, Mendanha anunciou que tinha o apoio da quase totalidade da oposição ao governador Ronaldo Caiado (UB) e dizia haver um projeto dessas forças políticas para enfrentar o pré-candidato à reeleição. Oito meses depois, Gustavo Mendanha vê-se praticamente sozinho numa pré-candidatura que mostra-se esvaziada do ponto de vista político partidário e já não conta mais com os antigos aliados.

Deputado estadual Paulo Martins

Os vários partidos que o próprio ex-emedebista anunciava como prováveis destinos de sua filiação acabaram descartando recebê-lo e restou a Mendanha sua filiação ao Patriota de Jorcelino Braga, também esvaziado pela ausência dos principais nomes do partido, Jânio Darrot e Marden Jr, ex e atual prefeito de Trindade, respectivamente, que já declararam apoio à reeleição de Ronaldo Caiado.

Deputado federal Prof. Alcides

Antes disso, o ex-prefeito de Aparecida lutou para conquistar o apoio do PL e se lançar candidato do partido em Goiás, mas foi derrotado pelo preferido de Jair Bolsonaro, o deputado federal Vitor Hugo, que não só foi ungido pré-candidato da legenda no Estado, como foi alçado à condição de presidente Regional da sigla, encerrando qualquer chance de apoio do PL a Mendanha.

Com isso, aliados de primeira hora de Gustavo Mendanha, como os deputados Paulo Cezar Martins, Professor Alcides e Major Araújo, todos filiados ao PL, sobretudo por força regimental, acabaram se rendendo à decisão do partido e sinalizaram apoio ao projeto do correligionário Vitor Hugo, descartando, ainda que informalmente, apoio à candidatura do ex-emedebista.

Da mesma forma, a deputada Magda Mofatto, até então a maior liderança do PL em Goiás, que assistiu a queda do seu marido, Flávio Canedo, da presidência do partido, tem evitado declarações de apoio a Mendanha e mantém total silêncio sobre o novo quadro do seu partido, o que leva a crer que o pré-candidato do Patriota não terá mesmo apoio da turma com a qual iniciou o pretenso projeto de chegar ao comando do executivo estadual.

Inusitado
No evento que marcou o lançamento da sua pré-candidatura, Vitor Hugo recebeu carta branca do comando nacional do PL e dá sinais de que não pretende ampliar alianças com outros partidos que não se identifiquem com a ideologia bolsonarista. Também deve aumentar a pressão para que integrantes do seu partido respeitem a fidelidade partidária e se abstenham de apoio a outros candidatos, principalmente a Gustavo Mendanha.

Diante desse cenário, o deputado Professor Alcides, histórico aliado de Mendanha em Aparecida de Goiânia, pretende inovar, e anunciou uma saída um tanto quanto inusitada. De acordo com o deputado, ele vai apoiar Mendanha no município de Aparecida e Vitor Hugo no restante do Estado. Os próprios correligionários de Alcides torceram o nariz para essa proposta e não acreditam que essa seja uma decisão sustentável do ponto de vista político partidário.

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