A partilha dos cargos em Goiás
Redação DM
Publicado em 11 de maio de 2015 às 23:19 | Atualizado há 1 ano
Nove dos 17 deputados federais goianos integram a base do governo Dilma Rousseff (PT) e, por isso, terão direito às indicações para os cargos federais existentes no Estado. Dos 100 cargos existentes, pelo menos 20% terão seus titulares renovados. Os demais permanecem nos cargos, com respaldo dos parlamentares dilmistas. A oposição, formada por oito deputados federais e três senadores, ficarão fora da “partilha dos cargos em Goiás.
O coordenador da bancada federal de Goiás, deputado Jovair Arantes (PTB), já entregou a lista dos indicados pelos goianos ao vice-presidente e coordenador político do governo, Michel Temer. “Encaminhamos os nomes indicados pela bancada e esperamos confirmação e a consequente nomeação para os próximos. São técnicos qualificados. É uma minoria, já que 80% dos superintendentes e diretores de órgãos federais no Estado serão mantidos, já que se tratam de funcionários de carreira.”
Terão direito às indicações apenas os parlamentares que integram a base do governo Dilma em Goiás e que trabalharam pela reeleição da petista no Estado, em 2014. São eles: Jovair Arantes (PTB), Rubens Otoni (PT), Flávia Morais (PDT), Roberto Balestra (PP), Magda Mofatto (PR), Heuler Cruvinel (PSD), Pedro Chaves (PMDB), Daniel Vilela (PMDB) e Sandes Júnior (PP). Deputados do PSDB, PPS e SDD, oposicionistas ao governo federal, estarão de fora da distribuição dos cargos. Também os senadores goianos, pertencentes ao PSDB e DEM, também não terão direito à indicação para os cargos federais no Estado.
Jovair evita divulgar a lista completa com os novos indicados e os que permanecerão nos órgãos para evitar “desgastes” aos parlamentares.
O deputado petebista ressalta que é o Palácio do Planalto que define os critérios para o preenchimento de cargos federais nos Estados e, tradicionalmente, os senadores e deputados federais da base governista é que fazem as indicações de nomes para as superintendências.
Por sua vez, o deputado federal Roberto Balestra lembra que, na quase totalidade das chefias dos órgãos federais, são nomeados servidores de carreira dos ministérios, das autarquias e empresas públicas. “Já foi o tempo em que os cargos de representação nos Estados eram preenchidos por políticos. Agora, são servidores efetivos.”
Roberto Balestra diz que há desinteresse dos parlamentares em fazer indicações para as superintendências estaduais dos órgãos federais, sob o argumento de que a maioria esmagadora irá permanecer, por se tratar de funcionários de carreira, com preparação técnica. “Já foi o tempo em que se levava políticos para as direções de órgãos federais no Estado.”
Os cargos
O engenheiro civil Flávio Murilo Prates de Oliveira já foi empossado como superintendente do Dnit em Goiás e Distrito Federal, por indicação da deputada Magda Mofatto (PR). O deputado Roberto Balestra indicou nome para o Incra e a deputada federal Flávia Morais para a Conab.
Os nove deputados governistas respaldam a permanência de Marise Fernandes de Araújo na superintendência da Caixa Econômica Federal em Goiás (CEF). Sérgio Repolho foi mantido na direção dos Correios.
Deputado federal Jovair Arantes indicou o sobrinho, odontólogo e ex-vice-prefeito de Aparecida de Goiânia Rogério Arantes para a superintendência em Goiás do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), autarquia federal vinculada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, hoje controlado pelo PTB.
Demais superintendências cobiçadas pela bancada federal de Goiás: Conab, Ibama, CPRM, Infraero, DNPM, IBGE, Embrapa, Funasa, Incra, Iphan, Polícia Rodoviária Federal e ministérios da Pesca e Aquicultura, Desenvolvimento Agrário, Trabalho e Emprego, e Agricultura e Pecuária.




Começam nomeações nos segundo e terceiro escalões
Designado pela presidente Dilma Rousseff (PT) coordenador político do governo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) iniciou também a formatação do segundo escalão da administração federal, acatando as indicações dos senadores e deputados federais governistas. Nesta tarefa, Michel conta com o respaldo de Eliseu Padilha, ministro da Secretaria Nacional de Aviação Civil e de Ricardo Beizoini, ministro das Comunicações.
Dos 22,6 mil cargos comissionados do governo federal, 4,8 mil – aqueles com os salários mais altos – são destinados às negociações políticas com os partidos e congressistas. Nas agências reguladoras, dos 26 cargos de diretoria, 10 estão sendo ocupados de maneira interina ou estão vagos.
Reportagem do jornal Correio Braziliense mostra que os novos articuladores políticos do governo Dilma deparam-se com uma legião de insatisfeitos na base aliada em relação à partilha de cargos. “Vai ter atrito, não há dúvidas, mas confiamos na habilidade do vice-presidente Michel Temer”, disse o líder da bancada do PTB na Câmara Federal, o goiano Jovair Arantes.
Jovair Arantes defende a permanência do PTB no comando da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab): “Estamos fazendo um bom trabalho e é bom para o governo que o PTB permaneça na base de apoio”, declarou ele, desconsiderando o fato de que os petebistas apoiaram Aécio Neves nas eleições de 2014 e têm o senador Armando Monteiro Neto (PE) ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. “Já avisaram que não teremos todos os cargos do MDIC. Como nenhum partido que tem ministro terá todos os cargos em suas respectivas pastas”, completa Jovair Arantes.
O goiano de Edeia Rubens Rodrigues dos Santos exerce a presidência nacional da Conab desde 2012, por indicação do líder da Bancada do PTB na Câmara Federal, o também goiano Jovair Arantes. Rubens é funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal (CEF). O deputado Jovair Arantes conseguiu, também, a nomeação de outro aliado político, o engenheiro civil, o goiano Lineu Olímpio de Sousa (ex-prefeito de Jaraguá), para a diretoria financeira da Conab.
O PT goiano ainda não conseguiu emplacar o ex-prefeito de Anápolis e ex-candidato ao governo de Goiás, Antônio Gomide e o suplente de deputado federal e ex-reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira no segundo escalão do governo Dilma. Os petistas obtiveram êxito ao retornar o suplente de deputado federal Olavo Noleto à subchefia de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, cargo extinto há algumas semanas. Olavo foi transferido para uma função vinculada à vice-presidência da República.
O vice-presidente Michel Temer já sondou Iris Rezende para a superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste, a Sudeco, mas o ex-prefeito nunca manifestou interesse pelo cargo. Marcelo Melo, ex-deputado estadual e federal pelo PMDB, ocupa a diretoria de Operações e Abastecimento da Conab, desde 2011. Marcelo é de Luziânia e atua na política da região do Entorno do Distrito Federal.