A prudência é a luz para caminhos seguros
Redação DM
Publicado em 10 de dezembro de 2016 às 23:48 | Atualizado há 10 anos“O homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz”.Aristóteles
O Brasil atravessa tempos difíceis e turbulentos, com dias nebulosos se sucedendo, impedindo experimentados indivíduos de fazerem qualquer prognóstico sobre o que poderá acontecer nos próximos dias e próximas semanas, quiçá no próximo ano. A instabilidade atinge todos os rumos que tentamos olhar, o que induz as pessoas a um ceticismo, descrença e até desesperança, o que é muito perigoso. Todos sabemos que enquanto há sonhos, há esperança, há utopia e há possibilidade de criarmos alternativas para superar as crises. Entretanto, quando a desesperança atinge estágios como o que vivenciamos na atualidade todos os envolvidos nesse processo estão sob risco e os mais desvalidos, os que se situam em maior vulnerabilidade social, cultural e espiritual estão mais expostos à possibilidade de serem tragados pelo vendaval de dores, incertezas e à mercê da maldade.
Chegamos ao final de um ano em que todos acreditamos estar dando passos seguros para a consolidação da democracia e das instituições. Mas, os fatos se sucederam e abriram novos focos de crise, o que exigiu observação mais atenta para não incorrermos em erros mais grosseiros, como em outras sociedades esbarraram em diversos momentos da história e que até mesmo o Brasil experimentou o uso do arbítrio e da tirania como suposto remédio para os males sociais. Agora o risco de termos um abismo ainda maior diante de nossa amada pátria impõe sabermos agir com extrema cautela para não comprometermos valores tão caros para nossa população e que nos acostumamos a viver seus bons fluidos. Valores como respeito, cidadania, democracia, instituições fortalecidas e atuantes, estado de direito respeitado pelas autoridades, Justiça sendo feita e cumprida e a tão sonhada liberdade, a mais cara de nossas metas.
Dificuldades existem mesmo para ajudar a aprimorar nossa capacidade de superação. A humanidade viveu em cavernas e precisou adaptar-se ao convívio social. Saímos do uso de pedras e paus para o domínio da tecnologia e para a conquista do espaço. Aprendemos a desafiar leis da física para construir catedrais, abóbadas em castelos, habitações em todos os tipos de terreno e das mais variadas formas arquitetônicas. Aprendemos a superar as dificuldades e isso nos deu versatilidade para sabermos como vencer a escuridão e acharmos o caminho seguro. Agora precisamos ser sábios e pensarmos na coletividade para conseguir sair da turbulência que se instalou em nosso meio. A sabedoria reside justamente na prudência para empreender nossas ações visando superar a crise.
A maçonaria universal ensina a seus obreiros que a vontade de cada um pode não ser o melhor para unir, agregar, agradar, distribuir o bem a todos. Assim, cada maçom sabe que sua tarefa primeira a cada dia que amanhece é conscientizar-se de que somente vencendo suas paixões e superando suas vontades será capaz de dar o exemplo de polir seu caráter e espírito para trabalhar pelo bem da humanidade. Vencer nossas paixões nos impõe abandonar conceitos previamente concebidos e buscar com razão e sensibilidade o que é melhor para nós e nossos irmãos. Superar nossas vontades significa colocar o bem comum acima de nossas individualidades e assim caminharmos de ombros juntos na construção do mundo mais justo e fraterno que almejamos.
O Grande Arquiteto Do Universo nos dá liberdade para agirmos, mas deixou insculpido no Livro da Lei os rumos para seguirmos na retidão e na busca da perfeição. Uma instrução de singular valor e clareza está no Livro dos Provérbios e diz especificamente que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é a prudência”. Isso pacifica a certeza do quanto precisamos agir com extrema prudência para impedir que nossa pátria seja ainda mais penalizada do que foi até aqui. Somente com prudência poderemos construir o viés necessário para sairmos da espiral de dificuldades que se instalou sem que sejam agredidos e violados os princípios básicos que definimos como sendo a base de nossa fraterna convivência civil. Apenas sendo muito prudentes poderemos identificar os momentos mais críticos que necessitam de nossa intervenção fraterna para aplacar os ânimos e buscar soluções pacíficas.
Se incorrermos no erro crasso de deixar que paixões, vontades, ideologias, interesses e bestialidades viciosas guiem nossos pensamentos, julgamentos e ações poderemos alimentar os ódios que fazem as guerras. Esse é o risco maior, uma guerra de irmãos que se agridem sem mesmo saber a razão, apenas permitem que o ódio aflore. Esse sentimento é o indutor de todas as guerras. O ódio, o desamor já produziu muitas dores e revoltas, não podemos permitir que faça o mesmo em nosso sofrido Brasil mais essa vez. Nossa gente não merece. Unamo-nos no amor e na fraternidade para superarmos essas dificuldades.
Adolfo Ribeiro Valadares é Grão Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás – GLEG