Política

Abstenção cai entre jovens e idosos, eleitorados em que Lula tem vantagem

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 10:50 | Atualizado há 45 minutos

Abstenção eleitoral caiu entre jovens, idosos e eleitores menos instruídos no primeiro turno de 2026, segundo dados do TSE | Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A.PRESS
Abstenção eleitoral caiu entre jovens, idosos e eleitores menos instruídos no primeiro turno de 2026, segundo dados do TSE | Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A.PRESS

A abstenção no primeiro turno desta eleição caiu entre jovens até 18 anos, idosos, e pessoas menos instruídas em comparação a 2022, contrariando a tendência de alta registrada no cômputo geral, de acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Os grupos que apresentaram redução na abstenção no primeiro turno são aqueles em que o presidente Lula tem melhor resultado nas pesquisas de intenção de voto, segundo o Datafolha.

Apesar da queda, alguns deles seguem como os que registram o maior percentual de ausência nas urnas. Uma das estratégias da campanha petista neste segundo turno é reduzir ainda mais a abstenção neste eleitorado. O PT quer reforçar a divulgação da informação de que a ida à votação serve como prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS, a fim de ampliar a participação de idosos no pleito.

As faixas do eleitorado em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem melhores resultados (com maior grau de instrução e idade entre 25 e 44 anos) apresentaram alta na abstenção em relação a 2022, mas em patamares semelhantes ao geral.

A abstenção geral no país subiu de 20,79% em 2022 para 21,08%, mantendo uma alta constante desde 2006.

Abstenção cai entre jovens e idosos

As quedas mais acentuadas se deram justamente no grupo que não é obrigado a votar. Entre os eleitores de 16 ou 17 anos, a abstenção caiu 4,4 pontos percentuais, de 17,11% em 2022 para 12,68% este ano. A ausência dos que têm 70 anos ou mais saiu de 58,86% há quatro anos para 49,19% em 2026, uma variação negativa de 9,7 pontos percentuais.

O conjunto de eleitores com mais de 70 anos segue sendo o com maior percentual de abstenção entre todas as faixas. Além da não-obrigatoriedade e de eventual dificuldade de locomoção até os pontos de votação, especialistas apontam possível defasagem no cadastro eleitoral, com a manutenção na lista de pessoas que morreram.

Ao mesmo tempo, com o envelhecimento da população, este grupo vem crescendo sua fatia no eleitorado, representando 10,87% do total.

Os dados do TSE mostram também uma redução na abstenção entre idosos entre 60 e 69 anos, ainda obrigados a votar.

A faixa etária em que a abstenção mais cresceu foi entre 21 e 24 anos. Mais de um quarto deste grupo (25,78%) não compareceu às urnas, apesar da obrigatoriedade. O percentual representa uma alta de 2,28 pontos percentuais em relação a 2022. Este grupo também está incluído entre aqueles que tendem a votar mais no presidente Lula, segundo as pesquisas.

Eleitorado de Flávio registra alta na abstenção

Flávio Bolsonaro apresenta seus melhores resultados no eleitorado entre 25 e 44 anos. Este grupo apresentou alta na abstenção, mas mantém um percentual próximo da média.

Queda é maior entre eleitores menos instruídos

Na análise por grau de instrução, a queda mais acentuada se deu entre os registrados como analfabetos. A redução foi de 4,22 pontos percentuais (de 52,08% para 47,86%) neste grupo que representa, segundo o TSE, 7,89% do eleitorado. De acordo com o IBGE, a taxa em 2025 era de 4,9%.

Também houve queda entre os que estão registrados como os que leem e escrevem (1,95 pontos percentuais) e os que possuem o ensino fundamental incompleto (0,32). Mesmo com a redução, os menos instruídos seguem com uma taxa de abstenção maior do que os demais.

As demais faixas por grau de instrução apresentaram alta, incluindo aqueles com ensino superior incompleto (2,11 pontos percentuais a mais) e completo (1,99). Ambos os eleitorados, porém, seguem abaixo da média geral de abstenção.

Mulheres mantêm menor índice de abstenção

Na análise por gênero, houve pouca alteração em relação às eleições anteriores. As mulheres se mantiveram com uma taxa de abstenção menor do que a dos homens. Ambos tiveram leve aumento semelhante à média nacional (0,2 e 0,13, respectivamente).

Até 2022, a abstenção sempre crescia no segundo turno. A acirrada disputa entre Lula e Jair Bolsonaro registrou a primeira queda nesta fase das eleições desde 2002, quando o uso das urnas eletrônicas foi universalizado.

Os dados do TSE mostram que a redução também se deu no eleitorado mais próximo do petista: menos instruído, mais jovem ou idoso. (Italo Nogueira/Marina Pinhoni/FOLHAPRESS)


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