Acusação de racismo marca fim de pré-campanha em Goiânia
Redação DM
Publicado em 15 de setembro de 2020 às 13:50 | Atualizado há 6 anos
Uma polêmica em torno de um suposto caso de racismo marcou o fim da pré-campanha eleitoral em Goiânia: o ex-senador Wilder Morais (PSC) convidou para vice a designer Nega da Moda (Avante) para integrar sua chapa e o caso teria causado a debandada do Partido Republicanos (antigo PL e PRB), que até uma semana antes garantiu fazer parte do grupo que disputaria as eleições em Goiânia.
Nega da Moda, a baiana Valdelice Ribeiro, de 59 anos, é considerada uma liderança exponencial do segmento de modas em Goiás. Consultora, atua com vários comerciantes da avenida 44 e teria um potencial de mais de 200 mil votos diante da área que representa.
Sua história de sucesso correu o Brasil: com régua e compasso cria roupas que são disputadas nas lojas do país. Até agora, é a única personagem da disputa que não integra a chamada “velha política”, já que jamais postulou cargos.
A rejeição de seu nome caiu como uma bomba no segmento de confecções.
Charges e imagens com políticos de Goiás vestidos de Ku klux klan circularam em grupos de Telegram, WhatsApp e redes sociais.
A legenda que a rejeitou é chefiada em Goiás pelo líder evangélico João Campos, deputado federal autor de projetos de lei polêmicos, como o “cura gay”.
Wilder Morais disse que em pleno século 21 não é mais possível que se adote posturas de “discriminação com relação às mulheres”.
Nos bastidores, integrantes do Avante e do PSC afirmam que se sentiram “ultrajados” com a postura da legenda. Em público ocorreu grande desabafo: na convenção de Wilder e PSC, realizada na região Noroeste, na segunda-feira, 14, os pré-candidatos falaram abertamente no sentimento de racismo.
REPUBLICANOS NEGA RACISMO
Para a imprensa, Republicanos disse que simplesmente discordou do fato de não terem sido consultados quanto a escolha da vice e refutam qualquer acusação ou suspeita de racismo.
Para a legenda, ocorreu, isto sim, uma deselegância com o grupo, que tem inegável peso político.
A legenda, inclusive justifica que indicou um vice negro, vereador Rogério Cruz, para a vaga ofertada pelo MDB, apesar do político não ter como características o debate sobre racismo e minorias.
Em sua reposta à polêmica, o partido, que já anunciou que seguirá com o pré-candidato Maguito Vilela (MDB), diz que muitos integrantes do Republicanos são negros e “têm orgulho de dizer”.