Além do Republicanos, Cruz tem mais 6 partidos como opção
Redação DM
Publicado em 26 de setembro de 2023 às 16:02 | Atualizado há 3 anosApós o estremecimento com o Republicanos, partido que está filiado há anos, o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz abriu um leque de conversações com pelo menos mais cinco partidos para uma eventual filiação para concorrer a novo mandato nas eleições de 2024.
Ele nega ter atrito com o Republicanos, partido presidido em Goiás pelo ex-prefeito de Águas Lindas, Hildo do Candango. “Se há ruído, é da parte dele (em referência ao atual presidente estadual do Republicanos). Desde que ele assumiu só tivemos três encontros e nunca foi para saber da gestão, sempre foi para requisitar mais espaço”, responde o prefeito Rogério Cruz quando perguntado sobre possível rompimento com a sigla que o indicou vice na chapa encabeçada por Maguito Vilela (MDB), em 2020.
“Ele entrou depois que eu já estava e já havia definido toda parte de cargos na Prefeitura (…) entrou logo em seguida e já querendo agir como presidente, mas sem o diálogo correto e direto”, complementou Cruz. A declaração para imprensa foi quinta-feira, 21, durante o lançamento da Campanha Campo Cego, na Secretaria de Mobilidade Municipal (SMM).
Apesar do atrito de Hildo Candango com o Paço Municipal, não há sinais de que Rogério Cruz irá deixar o Republicanos para abrigar-se em nova sigla. O partido é umbilicalmente ligado à Universal do Reino de Deus, igreja onde o prefeito é pastor licenciado.
Rogério Cruz tem procurado o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, para buscar intermediação visando a pacificação com o comando do partido no Estado. Pereira tem dito que não há impedimento para que o prefeito permaneça filiado à legenda.
Além do Republicanos, o prefeito Rogério Cruz tem as “portas abertas” do Solidariedade (Denes Pereira), Progressistas (Alexandre Baldy), PDT (George Morais), Patriota (Magda Mofatto), Avante (Thialu Guiotti) e PMB (Santana Pires).
O prefeito tem a expectativa de contar com o apoio do governador Ronaldo Caiado, que preside o União Brasil. Ele apoiou a reeleição de Caiado, enquanto que o Republicanos fechou com Gustavo Mendanha (Patriota)> O MDB de Daniel Vilela mostra maior resistência em subir no palanque d Cruz, em razão do rompimento do partido com a gestão em 2021.
Diálogo
“O partido Republicanos praticamente não faz parte da administração de Rogério Cruz. Não existe nenhum suplente na gestão”, “ele parece fortalecer outras siglas ao invés de fortalecer o seu partido”, diz um vereador. Há uma tentativa de pacificação, envolvendo os deputados Jeferson Rodrigues e Ricardo Quirino, presidente estadual Hildo do Candango, secretário e ex-deputado Jovair Arantes e a vereadora Sabrina Garcez, que é presidente da sigla em Goiânia.
A questão urgente é: como contar com o apoio de Cruz para estruturar as chapas de vereadores. A sigla quer eleger ao menos cinco vereadores na Capital e 200 no Estado. Para viabilizar isso, importante contar com a máquina municipal, com a visibilidade e recursos que ela traz.
Não é novidade que existe insatisfação do partido com a gestão de Cruz. E, ela cresce desde o desembarque da turma de Brasília (Arthur Bernardes que foi secretário de governo e chegou em Goiânia como o homem de confiança de Wanderley Tavares, presidente do Republicanos do Distrito Federal).
O fato é que: existem vantagens para o prefeito continuar na sigla, como o tempo de televisão e fundo partidário que está entre as maiores. O problema é que existem enormes desgastes – especialmente porque existe a percepção de que ele esteja mais compromissado em fortalecer estruturas de outros partidos – com os cargos para o PP, por exemplo.
Outro ponto a ser considerado é que a pouco mais de um ano do início oficial da campanha eleitoral, ainda não dá para saber se o prefeito de Goiânia será um candidato viável, mesmo com a máquina na mão.
De forma pragmática não parece ser interessante perder as vantagens do partido que o elegeu e nem parece interessante para o partido “perder a máquina” com a sua possibilidade infinita de aumentar a visibilidade daqueles que a compõe. De acordo com interlocutores, resta saber se existe interesse do prefeito Cruz em continuar no partido já que ele vem dando consistência para outras siglas.
Interlocutores do Paço contestam a suposta “falta de espaço na gestão”. O partido tem a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia (Sedhs), com Maria Yvelônia, secretaria de Governo com o Jovair Arantes, Agência de Meio Ambiente com Luan Alves e outros cargos. Para além disso, a gestão municipal diz que precisa haver uma via de mão dupla na relação com o partido. Ricardo Fortunado, ex-prefeito de Trindade, indicado pelo Republicanos, pediu demissão da secretaria de Relações Institucionais, já que sabia de uma eventual exoneração.
A percepção de aliados é de que Rogério contribuiu com o partido ao formatar, em 2022, as chapas para deputados estaduais e federais. Além disso, dizem que o prefeito conversa pessoalmente com presidente nacional da sigla, Marcos Pereira.
Novo ritmo
Rogério Cruz anunciou a troca de comando de sete secretarias municipais. Foram afetadas as repartições de Administração, Saúde, Escritório de Prioridades Estratégicas, Política para as Mulheres, da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), Instituto Municipal de Assistência aos Servidores (Imas) e Procuradoria Geral do Município.
O motivo da mudança, segundo a prefeitura, é uma “reforma administrativa que Rogério Cruz está promovendo na gestão municipal”. Durante coletiva de imprensa, ele destacou o perfil técnico dos novos secretários.
Essas não foram as primeiras mudanças realizadas pelo prefeito da capital. Há alguns meses, ele também nomeou novos titulares das secretarias municipais de Comunicação (Secom), (SME), Mobilidade (SMM), Esporte (Smesp), Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec) e Controladoria.