Política

Aliados veem Lula mais ao centro em eventual novo mandato

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 10 de outubro de 2026 às 13:35 | Atualizado há 5 horas

 Lula enfrenta o desafio de ampliar alianças políticas para governar caso seja reeleito diante de um Congresso mais adverso | Foto: Douglas Filho/Portal IN
Lula enfrenta o desafio de ampliar alianças políticas para governar caso seja reeleito diante de um Congresso mais adverso | Foto: Douglas Filho/Portal IN

Aliados do presidente Lula (PT) avaliam que, se reeleito, o chefe do governo será forçado a fazer uma gestão mais ao centro, sem condições políticas de bancar muitas propostas de esquerda por causa da nova configuração do Congresso Nacional.

Lula já enfrentou um Legislativo hostil no atual mandato. A correlação de forças da Câmara e do Senado para o ano que vem, definida pelas eleições da última semana, é ainda mais adversa para o petista.

Nesse cenário, as principais prioridades seriam costurar acordos que viabilizassem as reconduções de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) como presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente. A situação mais difícil seria a de Alcolumbre, uma vez que o Senado foi onde a oposição a Lula mais ficou fortalecida.

A avaliação foi relatada à Folha por integrantes do partido de Lula, mas eles não atribuem essas análises ao próprio presidente. O chefe do governo, de acordo com diversos políticos de seu entorno, está dedicado à sua tentativa de reeleição, sem tempo para começar a desenhar seu possível quarto mandato como presidente.

Lula enfrenta desvantagem na disputa presidencial

Lula está em desvantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário. O petista teve 45% dos votos no primeiro turno, contra 47% de Flávio. Desde a redemocratização, nunca um candidato a presidente que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu uma virada na etapa decisiva.

Sobre o Legislativo, o presidente chegou a afirmar à imprensa que Motta iria ajudá-lo a ganhar as eleições. Ele se reunira horas antes com o presidente da Câmara, que já declarou apoio ao petista, na contramão do que anunciou seu partido. O Republicanos oficializou apoio a Flávio na última quarta (7).

A configuração do novo Congresso faz com que aliados de Lula tenham receio sobre promessas de campanha do presidente.

Um exemplo citado foi a reforma defendida pelo candidato à reeleição para o Judiciário. O temor seria enviar um projeto para o Congresso e ele ser desfigurado a tramitação.

Também existe um receio com as PECs (propostas de emenda à Constituição) de forma geral. Elas são um tipo de projeto mais difícil de ser aprovado, por demandar ao menos três quintos dos votos em cada Casa em dois turnos. Além disso, uma vez aprovadas, podem ser promulgadas pelo Congresso sem chance de veto presidencial, o que reduz o poder do Executivo sobre essas propostas em qualquer situação.

Avanço do PL dificulta alianças políticas

O PL de Flávio Bolsonaro avançou sobre o o espaço dos partidos de centro | Foto: Mauro Pimentel/AFP e Evaristo Sá/AFP

No atual mandato, Lula incluiu no governo líderes de partidos de fora da esquerda, como PSD, MDB, PP e União Brasil, e mesmo assim não pôde contar com o apoio maciço dessas legendas em algumas votações decisivas.

O PL de Flávio Bolsonaro avançou sobre o espaço de partidos de centro e da direita tradicional, reduzindo o espaço para alianças de Lula em um eventual novo mandato como presidente.

O essencial em um novo governo, nesse cenário, seria manter funcionando os programas sociais. Recentemente, Lula passou a tentar despertar no eleitorado o medo de perder esses benefícios caso Flávio seja eleito.

Outros petistas evitam traçar planos e dizem que ainda não houve discussões específicas sobre um possível Lula 4, uma vez que o cenário acirrado da disputa voltou os esforços para superar Flávio no segundo turno.

Como mostrou a Folha, Lula deve incorporar em seus discursos a defesa do equilíbrio das contas públicas. Será uma tentativa do candidato à reeleição de sinalizar que criará uma conjuntura propícia à queda dos juros se for reeleito. Executando esse movimento, o petista também faz um aceno ao centro político antes do segundo turno.

Lula reformula campanha para o segundo turno

O presidente da República passou os primeiros dias depois da eleição em primeiro turno reformulando sua campanha. Ele alçou os ex-ministros Camilo Santana (PT-CE) e Rui Costa (PT-BA) e o governador reeleito Rafael Fonteles (PT-PI) a postos de comando. Além disso, reduziu o poder do coordenador da campanha, Edinho Silva, e de outros dirigentes que tiveram influência na organização do grupo político no primeiro turno.

Lula disse publicamente que sua campanha de primeiro turno foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. O clima entre os aliados do petista mudou nos últimos dias. Apesar de todos reconhecerem que a situação do petista é muito difícil, já não demonstram o desânimo visto logo depois do resultado do segundo turno.

O presidente também mudou o tom da comunicação de sua campanha. Seu grupo político agora faz mais ataques diretos a Flávio Bolsonaro. Além disso, Lula aceitou sugestões de aliados como Rafael Fonteles e passou a produzir vídeos curtos para redes sociais em formato de selfie. As peças permitem responder rapidamente aos temas em destaque no debate público e têm uma forma que a população está habituada a consumir em redes sociais. (Caio Spechoto/Catia Seabra/Mariana Brasil/FOLHAPRESS)


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