Ana Carla: “Não confirmo nem descarto disputar eleições”
Redação DM
Publicado em 21 de dezembro de 2016 às 00:42 | Atualizado há 2 anosApós permanecer por dois anos à frente da Secretaria Estadual da Fazenda, Ana Carla Abrão Costa, que deixa o cargo em 6 de janeiro para retornar a São Paulo, mantém suspense sobre ingressar na carreira política, já que pertence a uma tradicional família de Goiás, cujos integrantes exerceram ou exercem mandatos eletivos.
A senadora e presidente estadual do PSB, Lúcia Vânia, disse, esta semana, que ficaria “feliz” se a filha aceitasse disputar o governo de Goiás nas eleições de 2018. “Com relação a Ana Carla, ela tem capacidade. Se for da vontade dela e do povo goiano, ela terá todo o meu apoio. Eu ficaria muito feliz com isso”, ressaltou.
A economista Ana Carla Abrão teve em Goiás sua primeira experiência em cargo público. O ciclo à frente da Secretaria da Fazenda, que dura quase dois anos, encerra no dia 6 de janeiro do ano que vem. O trabalho realizado, especialmente no que diz respeito à reforma administrativa, rendeu críticas, mas também elogios e fortaleceu o nome de Ana Carla nos bastidores políticos.
Questionada se pretende encarar o novo desafio de concorrer a cargos públicos, já que seu nome é especulado inclusive como uma opção para a disputa do governo, Ana Carla afirmou que não saberia responder à pergunta nesse momento. “Não confirmo e nem descarto”, disse. “A única coisa que digo é que eu realmente me encontrei muito na gestão pública, me sinto muito à vontade na posição que estou hoje. Agora, se isso vai determinar uma trajetória política, eu não saberia responder nesse momento”, disse.
Em entrevista aos jornalistas Rafaela Bernardes, Mônica Parreira e João Unes, do Portal A Redação, Ana Carla Abrão lembrou que quando recebeu o convite do governador Marconi Perillo para assumir a Sefaz, no final de 2014, enfrentou uma série de dificuldades. Ela considerou como “natural” as críticas negativas diante do contexto político. “Logo que assumi a Sefaz, em 2014, ouvi muitas críticas. As pessoas falavam que eu era incompetente e que eu não tinha nenhuma visão política. Eu ouvi todo tipo de críticas, o que considero natural, já que as pessoas não me conheciam. Eu vinha da iniciativa privada, estava no meu primeiro cargo público”, lembrou.
Nos últimos anos, Ana Carla liderou uma reforma administrativa no Estado que está sendo elogiada nacionalmente, especialmente porque Goiás está em uma situação financeira mais confortável do que outros Estados – alguns inclusive decretaram situação de calamidade. Para ela, o Brasil atravessa a pior crise da história. “Olhando para trás, vejo que o fato de ser cotada hoje para concorrer a cargos políticos é natural e uma consequência do trabalho positivo que tive à frente da Sefaz. Eu digo que Goiás podia, como outros Estados brasileiros, estar em uma situação de calamidade financeira. E nós não chegamos a esse ponto graças ao nosso trabalho, sempre liderado pelo governador Marconi Perillo”, disse ao Portal A Redação.
Pedigree político
Desde que tomou posse no cargo de secretária da Fazenda, a convite do governador Marconi Perillo, em janeiro de 2015, Ana Carla é questionada pelos jornalistas sobre se tem interesse em realizar uma carreira política em Goiás, concorrendo a governadora ou a deputada federal. “Nunca pensei nisso”, dizia.
Ana Carla Abrão tem pedigree político: é filha do ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal Irapuan Costa Júnior e da senadora Lúcia Vânia (PSB), prima do deputado federal Marcos Abrão (PPS) e do ex-deputado federal Pedrinho Abrão e sobrinha do ex-deputado estadual por Goiás e ex-senador pelo Tocantins Moisés Abrão. “Embora integre uma família política, deixo para eles a carreira política.” Ana Carla é esposa do economista Pérsio Arida, um dos “pais” do Plano Cruzado, no governo José Sarney. Embora tenha nascido em Goiânia, Ana Carla reside em São Paulo há muitos anos.
“As medidas que foram tomadas em Goiás, desde 2015, foram com muita responsabilidade e determinação pelo governador Marconi Perillo, e para nós a situação hoje é melhor do que já foi nestes últimos dois anos”


Novo cargo
Em entrevista ao programa Primeiro Tempo da Notícia, da rádio 730/AM, Ana Carla Abrão confirmou ter recebido convite do prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), para assumir a Secretaria Municipal da Fazenda, mas que, por questões particulares, preferiu não ocupar cargo público novamente, no entanto, vai colaborar com a gestão Doria exercendo a presidência do Conselho de Gestão Financeira da Prefeitura de São Paulo. Ela volta, também, a atuar no mercado financeiro paulistano.
Ana Carla Abrão negou que tenha recebido convite do goiano Henrique Meirelles para integrar a sua equipe no Ministério da Fazenda, conforme foi especulado pela imprensa de São Paulo. “Sinceramente, não houve convite, sequer sondagem”. A economista elogia o trabalho de Meirelles na condução da política econômica do governo Temer. “A política econômica está sendo bem conduzida, no rumo certo. É preciso que haja respaldo político, como a aprovação do ajuste fiscal pelo Congresso Nacional, para que o País volte a crescer, gerar emprego e renda, enfim, estimular o desenvolvimento para a melhoria da qualidade de vida da população”.
“Foram dois anos muito difíceis, mas o pior já passou. As medidas que foram tomadas desde 2015 foram com muita responsabilidade e determinação pelo governador Marconi Perillo e para nós a situação hoje é melhor do que já foi nestes últimos dois anos”
Trabalho em Goiás
Ana Carla Abrão avaliou de forma positiva o período em que esteve à frente da Secretaria Estadual da Fazenda nos anos de 2015 e 2016. Na entrevista à rádio 730/AM, ela afirmou que deixará para o sucessor Fernando Navarrete, a Sefaz goiana em situação melhor do que recebeu há dois anos. “Foram dois anos muito difíceis, mas o pior já passou. As medidas que foram tomadas desde 2015 foram com muita responsabilidade e determinação pelo governador Marconi Perillo, e para nós a situação hoje é melhor do que já foi nestes últimos dois anos. O Fernando Navarrette assume a secretaria em uma situação mais controlada, mas ainda é uma situação frágil, tendo em vista a situação de todos os Estados do País, da economia brasileira que, no ano que vem, as previsões mostram isso, vai enfrentar um ano muito difícil”, previu.
A secretária comentou sobre a Lei Orçamentária Anual para 2017, que tramita na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), sob relatoria do deputado estadual Álvaro Guimarães (PR) e que deve ser votada no plenário da Casa até a próxima semana. O compromisso feito pelo governador Marconi Perillo (PSDB) é de atender a emendas de até R$ 2 milhões para cada deputado. O relator Álvaro Guimarães cobra que todas as de 2016 sejam atendidas, e reforçou a questão do dinheiro proveniente da venda da Celg. Ana Carla Abrão ressaltou a redução do déficit orçamentário do Estado de R$ 7 bilhões para R$ 1,8 bilhão.
“Esse foi o maior ajuste fiscal proporcional do País. Não foi pouca coisa que foi feito naquele momento, e que nos tirou justamente da situação que hoje o Rio de Janeiro está vivendo. Resolveu o problema todo? Não. Este ano nós ainda devemos fechar com déficit em torno de R$ 300 milhões, tendo pago R$ 500 milhões de restos a pagar de anos anteriores. O dinheiro da Celg entrará em janeiro do ano que vem e o da repatriação já entrou, e ainda tem a parcela das multas que está em negociação”, frisa.
A verba da repatriação, aprovada pelo presidente da República Michel Temer (PMDB), já com a multa, vem para Goiás em duas parcelas de R$ 110 milhões. Sobre o teto de gastos para 2017, a secretária destacou que Goiás não poderá ultrapassar R$ 1,4 bilhão. A secretária afirma que a verba da Celg precisa ser discutida para atender às demandas estaduais.
“Desses R$ 1,4 bilhão, R$ 1,2 bilhão estão comprometidos com o crescimento da folha. Sobram R$ 200 milhões. As vinculações constitucionais exigem que a gente aumente os gastos com Saúde e Educação em R$ 150 milhões. Sobram R$ 50 milhões do caixa do Estado para manutenção, investimento e crescimento, claro, mas somente após dois anos de ajustes. Precisamos investir, o Estado está pedindo e demanda investimentos, só que hoje não tem recursos, e não haverá recursos enquanto essa distribuição for feita da forma como está. O papel da Sefaz foi viabilizar a venda da Celg e que estes recursos viessem para o Estado de Goiás”, reitera.
A Celg foi vendida para uma empresa italiana a R$ 2,187 bilhões. Segundo Ana Carla Abrão, as próximas privatizações devem ocorrer prioritariamente nas concessões de rodovias estaduais, mantidas atualmente pela Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), mas diz que outras estatais estão sendo avaliadas.
“O Estado de Goiás tem hoje de dispender de recursos muito elevados para poder manter as rodovias estaduais. Rodovia em Goiás é fundamental para a segurança da população e para a escoamento da produção. Concessão de rodovias está na fila, imóveis, ou para venda ou criação de fundo de investimento, a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego) e Metrobus estão sendo avaliadas, a Agência Goiana de Gás Canalizado (Goiásgás), a Celg Telecom”, enumera.
“Esse que fizemos em Goiás foi o maior ajuste fiscal proporcional do País. Não foi pouca coisa que foi feito naquele momento e que nos tirou justamente da situação que hoje o Rio de Janeiro está vivendo. Resolveu o problema todo? Não. Muita coisa terá que ser feita em 2017”