André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da direção da PF por 90 dias
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 10:43 | Atualizado há 53 minutos
Mendonça afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” por mais de 30 dias | Foto: STF/Agência Brasil/Divulgação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal por 90 dias. A decisão também afastou o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa.
Mendonça ainda mandou suspender a produção e o compartilhamento de determinados relatórios de inteligência da PF e determinou que a Corregedoria investigue possíveis irregularidades nos documentos.
As informações sobre a decisão de André Mendonça foram divulgadas pela coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles.
Relatórios motivaram decisão
A decisão considera ao menos seis relatórios de inteligência que teriam sido enviados por Andrei Rodrigues ao ministro Alexandre de Moraes. Os documentos foram produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026 e estavam relacionados ao Inquérito das Fake News.
Mendonça apontou “inadequações, irregularidades e potenciais ilicitudes” na elaboração e no compartilhamento dos materiais. Para o ministro, a gravidade das suspeitas justificou a adoção imediata das medidas.
A suspensão determinada por Mendonça também vale para a produção, circulação e compartilhamento interno de relatórios que analisem a atuação funcional de integrantes do Judiciário, da advocacia pública ou de atividades judiciais e policiais.
A Corregedoria da Polícia Federal deverá apurar os possíveis aspectos criminais e administrativo-disciplinares relacionados ao caso.
Mendonça afirmou ainda ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” por mais de 30 dias. Segundo ele, as medidas buscam garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF exerçam suas funções sem interferências consideradas ilegais.
Mensagens de Daniel Vorcaro
O afastamento ocorre em meio aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Mensagens atribuídas a ele também aparecem no contexto da decisão e fazem referência ao diretor-geral da PF.
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da primeira prisão de Vorcaro, o empresário teria enviado mensagens nas quais pedia a Alexandre de Moraes que tentasse reverter investigações junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Andrei Rodrigues.
Nas conversas, aparece o nome “Andrei”. A Polícia Federal identificou a referência como sendo Andrei Rodrigues.
O caso também provocou novos atritos entre integrantes do STF. Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF, enquanto a Procuradoria-Geral da República afirmou posteriormente que os atos praticados pelo ministro eram nulos. Depois, Alexandre de Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça no Inquérito das Fake News.
O Partido Novo também apresentou pedidos relacionados a Andrei Rodrigues. Primeiro, solicitou o afastamento cautelar do diretor-geral da PF. Depois, pediu a prisão preventiva dele, citando entre os elementos as mensagens de Vorcaro nas quais aparece o nome “Andrei”.
Segunda Turma analisa decisão
A decisão de Mendonça será analisada pela Segunda Turma do STF em sessão virtual extraordinária nesta terça-feira (8), das 10h às 23h59.
O colegiado é formado por Luiz Fux, presidente da Turma, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça.
Além dos afastamentos, o ministro determinou a apuração dos possíveis crimes e infrações disciplinares relacionados aos relatórios. Mendonça afirmou que as medidas têm o objetivo de impedir práticas que possam atingir as prerrogativas do Judiciário, da advocacia pública e da atividade policial.