Após avançar ao 2º turno, Flávio Bolsonaro tenta ampliar alianças políticas
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 09:28 | Atualizado há 1 hora
Candidato do PL articula alianças com partidos, governadores e adversários que ficaram fora do segundo turno | Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro (PL) começou a segunda etapa da disputa presidencial buscando ampliar a rede de apoios construída após o primeiro turno. O senador terminou a votação de domingo (4) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, e agora concentra esforços na aproximação com adversários derrotados, partidos e lideranças regionais.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, enquanto Lula teve 53,9 milhões. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual.
A campanha do candidato do PL passou a tratar o resultado como um ponto de partida para novas alianças. A estratégia inclui conversar com nomes que disputaram a Presidência, buscar o apoio de partidos que ficaram neutros no primeiro turno e ampliar a atuação de governadores, deputados e senadores eleitos nos estados.
Adversários começam a definir posição
Entre os primeiros movimentos está a aproximação com Ronaldo Caiado (PSD), que terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 2,18% dos votos válidos. O ex-governador de Goiás decidiu apoiar Flávio e fará o anúncio oficialmente nesta terça-feira (6), durante um evento em Goiânia. O encontro também terá a participação do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB).
Caiado conversou com Flávio e com o coordenador da campanha, Rogério Marinho, na segunda-feira (5). Segundo o ex-governador, ele pretende entregar ao candidato do PL um documento com propostas consideradas convergentes entre os dois programas de governo, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e inteligência artificial.
Romeu Zema (Novo) também declarou apoio a Flávio. O ex-governador de Minas Gerais publicou um vídeo nas redes sociais na segunda-feira (5) no qual confirmou o voto no senador no segundo turno. Zema recebeu pouco mais de 326 mil votos no primeiro turno, o equivalente a 0,27% dos votos válidos.
Já Augusto Cury (Avante), que terminou em terceiro lugar, não pretende apoiar nenhum dos dois candidatos. O escritor afirmou após a votação que não fará declaração de voto para Flávio ou Lula.
O posicionamento de Ronaldo Caiado não significa, necessariamente, uma adesão nacional do PSD. Depois do primeiro turno, o presidente da sigla, Gilberto Kassab, informou que os diretórios estaduais, parlamentares, lideranças, filiados e militantes terão liberdade para decidir individualmente qual candidatura apoiar.
Partidos e governadores entram nas negociações
Além dos adversários, a campanha de Flávio tenta avançar sobre partidos que não haviam escolhido um dos principais candidatos na primeira etapa. União Brasil e PP discutem o posicionamento para o segundo turno, enquanto integrantes das duas siglas indicam uma aproximação com o candidato do PL.
O Republicanos também está entre os partidos observados pela campanha. A legenda teve lideranças apoiando candidaturas diferentes no primeiro turno. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou apoio a Flávio, enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), apoiou Lula.
A campanha também pretende aproveitar a estrutura conquistada pelo PL nas eleições para o Congresso. O partido elegeu 19 senadores e 121 deputados federais no domingo. Os parlamentares eleitos devem se reunir na quarta-feira (7), em Brasília, para discutir a participação na campanha presidencial.
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A intenção é mobilizar deputados e senadores nos estados e ampliar a presença do candidato durante as semanas que antecedem a votação.
Tarcísio também deve ter participação maior na segunda etapa. Reeleito em São Paulo com 62,65% dos votos, o governador é considerado uma liderança importante para a campanha no estado que concentra o maior eleitorado do país. Durante o primeiro turno, aliados de Flávio chegaram a reclamar da participação de Tarcísio na campanha.
Em Minas Gerais, a articulação contará com o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Cleitinho já declarou apoio a Flávio.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) deverá assumir a coordenação da campanha no estado. O político aguarda o desfecho de uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode resultar na confirmação de sua eleição ainda no primeiro turno.
Flávio cresce em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro
Além da busca por alianças políticas, a campanha analisa o desempenho de Flávio em comparação com a votação obtida por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022.
Flávio recebeu cerca de 5 milhões de votos a mais que o pai havia conquistado na mesma etapa da eleição anterior. O senador também superou o desempenho de Jair Bolsonaro em 26 estados e ficou abaixo apenas no Distrito Federal.
Lula, por outro lado, teve cerca de 3,4 milhões de votos a menos que em 2022. O presidente perdeu votos em 19 estados e deixou de liderar em Minas Gerais e Tocantins.
São Paulo apresentou a maior redução na votação de Lula, de aproximadamente 985 mil votos, e também registrou o maior crescimento de Flávio em relação ao resultado de Jair Bolsonaro, com cerca de 682 mil votos a mais.
Na região Sul, Lula perdeu quase 973 mil votos em relação ao primeiro turno de 2022, enquanto Flávio teve um crescimento de aproximadamente 951 mil votos sobre a votação do pai.
O candidato do PL também avançou no Nordeste, especialmente na Bahia e no Ceará. Mesmo assim, Lula manteve a liderança nos nove estados da região.
Campanha mira eleitores de outros candidatos
Apesar da vantagem registrada no primeiro turno, a campanha de Flávio não considera a disputa encerrada. A diferença entre os dois candidatos ficou em menos de dois pontos percentuais, o que leva a equipe do senador a concentrar esforços na busca pelos votos que ficaram com os demais concorrentes.
A estratégia inclui também tentar alcançar eleitores que não compareceram às urnas ou que votaram em branco ou nulo.
Outra frente será a atuação regional. A campanha pretende reduzir a diferença para Lula no Nordeste e, ao mesmo tempo, ampliar a votação nas regiões em que Flávio terminou o primeiro turno à frente.
A orientação para as próximas semanas é, portanto, combinar as novas alianças políticas com a mobilização da estrutura do PL nos estados e a tentativa de conquistar os eleitores que ainda não estavam com nenhum dos dois candidatos que avançaram para o segundo turno.