Audiência pública debate privatização da Celg
Redação DM
Publicado em 9 de junho de 2015 às 03:22 | Atualizado há 11 anos
A Assembleia Legislativa sediou, ontem, a audiência pública que debateu a privatização da Companhia Energética de Goiás (Celg), por iniciativa do deputado José Nelto, líder do PMDB na Casa. Durante discurso de abertura, José Nelto criticou o presidente da estatal por não ter comparecido nem enviado representante. O presidente enviou uma carta dizendo que não poderia comparecer, o que, para o deputado, “mostrou o descaso com a Casa Legislativa”.
José Nelto afirmou ainda que a privatização consiste em manobra para vender a Celg. “Os servidores não foram chamados para participar da discussão sobre o tema”, criticou.
Wagner Alves, membro do Conselho de Administração da Companhia Celg de Participações, questionou quais os benefícios que a privatização traz. De acordo com ele, as privatizações no Brasil começaram na metade da década de 90 e aconteceram de forma acelerada sob a justificativa de que as empresas públicas eram deficitárias. Mas para o conselheiro, este motivo não se aplica à empresa goiana, pois ela não dá prejuízo para o Estado.
O diretor argumentou ainda que a privatização não representa garantia de que a Celg vai melhorar a qualidade dos serviços prestados. “Empresas privatizadas continuam classificadas como péssimas no ranking de qualidade, enquanto outras públicas estão entre as melhores”, salientou.
O diretor administrativo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de Goiás, Heliomar Palhares Pedrosa, apresentou seus argumentos contra a privatização, afirmando que a empresa teve dois terços de seu patrimônio privatizado para conseguir ser incluída no programa nacional de desestatização. “Este programa tem o objetivo de retirar o Estado da exploração de serviços públicos”, explicou.
O deputado federal Rubens Otoni (PT) conclamou toda a sociedade goiana para dar um basta na tentativa de privatizar a Celg. “Temos condições de lutar e poder reverter esta situação. Não é fácil, mas é possível, na medida em que nos mobilizemos. Temos de mobilizar não apenas os trabalhadores, mas toda a sociedade goiana e os segmentos que podem apoiar. Vim aqui para reafirmar o meu compromisso de estar com vocês até o último momento”, disse.
Fernando Krebs, promotor de Justiça, teceu duras críticas à privatização da Celg, que foram dirigidas tanto aos governos do PSDB como do PMDB e também à gestão do PT no âmbito federal. De acordo com o promotor, se houver privatização, vai acontecer o mesmo que ocorreu com o setor de telefonia. “Com serviços caros, de péssima qualidade, prestados por um pequeno número de empresas que formam cartel”, resumiu.
O promotor lembrou ainda que é o Partido dos Trabalhadores que está propondo a privatização da Celg, uma bandeira defendida por FHC. Ele sugeriu que seja feita uma auditoria na empresa antes que ela seja vendida. “O atual governo não reviu nenhuma das privatizações promovidas por FHC e também privatizou várias empresas”, reforçou.