Política

Bittencourt: “Delegado Waldir não tem proposta para Goiânia”

Redação DM

Publicado em 30 de julho de 2016 às 02:41 | Atualizado há 10 anos

Diz também que considera improvável a união dos partidos da base aliada já no primeiro turno

“Se Delegado Waldir for eleito, serão mais quatro anos de retrocesso”. Esta é a opinião do engenheiro e pré-candidato a prefeito Luiz Bittencourt (PTB), que classifica como “populista” e “demagógico” o discurso de seu principal adversário na disputa pela Prefeitura de Goiânia. “Não tem propostas para Goiânia. Tem um discurso vazio. Não tem preparo e equilíbrio. Respeito ele como liderança política, como deputado federal e como delegado. Mas ele não tem preparo e liderança suficientes para coordenar mudanças que a cidade precisa”. Bittencourt afirma que Waldir apenas repete o que os marqueteiros sopram no seu ouvido e que não tem ideias próprias para resolver os problemas da Capital.

Nesta entrevista, Bittencourt comenta também as dificuldades que a base aliada ao governador Marconi Perillo (PSDB) enfrenta para unir-se em torno de um só nome na corrida ao Paço Municipal. Na sua opinião, os líderes dos principais partidos políticos demoraram a entabular o diálogo e os cincos cinco pré-candidatos governistas (Waldir e Vanderlan Cardoso) há algum tempo já não interagem mais com os outros personagens deste espectro de partidos. “Nessa altura do campeonato, eu acho difícil. Os líderes dos partidos aliados ao governo não conversaram na hora certa”, afirma. Confira, abaixo, a entrevista completa.

Leia a entrevista na íntegra

O governador diz que vai conversar com os partidos da base na próxima semana, mas diz, também, que a união no primeiro turno em Goiânia não é “questão de vida ou morte”. Como avalia a possibilidade de unir a base já no primeiro turno?

 

Luiz Bittencourt – Nós estamos no debate sobre a sucessão em Goiânia em uma linha de propostas. Uma discussão programática, em que vemos, na crise em que a cidade vive, uma grande oportunidade para mudar a nossa administração. O PTB é contra o que aí está e é contra a demagogia e o populismo. Então dificilmente nós vamos caminhar ao lado de uma candidatura que está sendo construída em cima destes princípios. Que tente reproduzir o que está sendo feito hoje na prefeitura ou que represente teses populistas e imediatistas, que não vão resolver o problema da nossa população.

 

Os três candidatos mais alinhados à base do governador Marconi Perillo ainda não deslancharam nas pesquisas. A melhor estratégia seria unir em torno de uma só candidatura?

 

Bittencourt – Balizar a discussão por pesquisas não é o melhor caminho. Costumo dizer que o político que pauta sua conduta por pesquisas está fadado ao fracasso. Discordo de marqueteiros que usam pesquisas para determinar o que os políticos devem dizer e de lá tiram frases ou slogans para enganar o eleitor, como o que aconteceu na última disputa pela presidência da República. Em muitas ocasiões, o político não consegue cumprir as propostas que apresentou depois que é eleito, e isso eu condeno. A nossa cartilha é de mudança. Queremos alterar de forma radical a maneira como as coisas funcionam na Prefeitura de Goiânia. Cortaremos gastos, reduziremos os cargos comissionados, baniremos práticas fisiológicas e não trocaremos apoio político por cargos, transformando a administração em um cabide de empregos. Em busca de soluções técnicas, convocaremos as melhores cabeças nas universidades e nos partidos políticos, sem lotear secretarias. Economizaremos e valorizaremos o servidor. Agora, vejo candidatos que se escoram em discursos absurdos, não vão resolver a vida da população. São pessoas populistas e demagogas.

 

Passou da hora de discutir a união da base? Isso deveria ter acontecido mais cedo?

 

Bittencourt Nessa altura do campeonato, eu acho difícil. Os líderes dos partidos aliados ao governo não conversaram na hora certa. O PTB já está em pré-campanha há quase um ano, desde outubro do ano passado. E enquanto isso eu vejo o PSDB bater o pé, dizendo que terá candidatura própria, e o PSD insistindo que a postulação deles é fundamental para o fortalecimento do partido. O que quero dizer é que não é nula a possibilidade de união, mas é difícil. Como discutir união em torno de nomes com delegado Waldir e Vanderlan Cardoso, que não são da base? Há muito tempo eles não interagem no ambiente do governo. Waldir chegou a chamar o governador Marconi Perillo de coronel da política em Goiás. Saiu do PSDB agredindo companheiros que o acolheram, que deram oportunidade para ele se eleger deputado federal. Usando a própria linguagem dele, saiu “dando tiro” no partido. Eu mesmo teria dificuldade em apoiar, ou jamais apoiaria, a candidatura de uma pessoa que eu considero despreparada para governar a cidade.

 

Delegado Waldir é despreparado?

 

Bittencourt – Eu acho muito despreparado e desequilibrado. Respeito ele como liderança política, como deputado federal e como delegado. Mas ele não tem preparo e liderança suficientes para coordenar mudanças que a cidade precisa. Se for eleito, serão mais quatro anos de retrocesso. Waldir não conhece os problemas de Goiânia. Fala sem propriedade, não tem um projeto definido para administração. Apenas repete o que as pessoas falam para ele. Não tem ideias próprias sobre as dificuldades que a cidade enfrenta. E ter um prefeito assim no momento em que vivemos seria algo bastante complicado. Se você não tiver um prefeito que tenha a noção exata dos problemas que ele enfrenta, a capacidade de liderança será limitada. E além de administrar Goiânia, o próximo prefeito terá desafio ainda maior, que é melhorar o relacionamento com os municípios do Entorno, onde vivem milhares de pessoas que trabalham na Capital.

 

Vanderlan poderia receber seu apoio?

 

Bittencourt – A experiência de Vanderlan diz respeito a Senador Canedo. Também não conhece Goiânia na sua essência. Vai gastar muito tempo para adequar seu projeto administrativo à Capital.

 

Vanderlan é despreparado também?

 

Bittencourt – Não, o Vanderlan é outra linha. Ele tem experiência empresarial, mas sua visão administrativa vale para Senador Canedo. Goiânia é uma cidade diferente. Tem suas características próprias, sua história, sua vinculação com projetos urbanísticos de dimensão nacional e protagonismo na rede nacional de cidades. Nós temos que governar Goiânia sob outro foco. Não este foco reducionista. Nós temos de pensar em uma cidade que hoje tem mais de 1,5 milhão de habitantes. Que tem um contexto urbano complexo. Isso precisa ser debatido de forma mais ampla.

 

Você havia dito, em uma entrevista anterior, que sua candidatura é independente. Isso mudou? Luiz Bittencourt hoje é candidato da base?

 

Bittencourt – Não, eu sou candidato independente. Continuo fiel à minha linha. O nosso partido não tem participação ativa no governo. Damos apoio político ao governador Marconi Perillo, mas não participamos da definição das políticas de governo. Além disso, o PTB se posicionou de maneira muito clara nos debates sobre Goiânia na eleição passada, inclusive com candidatura própria. Este trabalho precisa continuar. Estamos na base, eu tenho bom relacionamento com o governador, mas o PTB preserva a sua linha, defendendo suas ideias e apresentando propostas dentro de um conceito de mudança, de inovação tecnológica, de adotar medidas que são totalmente diferentes do que está sendo feito hoje no governo municipal, estadual e federal.

 

O PTB já conversou ou pode conversar com o PMDB?

 

Bittencourt – Conversamos com todos os partidos. Não se faz política sem dialogar. Mas as divergências são grandes. Ocorre que o debate eleitoral que se trava hoje em Goiânia se concentra em torno de nomes, e isso é negativo. Quando nos reunimos com outros partidos, nós perguntamos: ‘quais suas ideias para cidade? Quais os projetos que vocês estão dispostos a apoiar? Isso tudo entra também no diálogo. Ou deveria entrar, penso eu. Infelizmente, os partidos estão focados na discussão de nomes ou na possibilidade de ganhar a eleição. Pautam sua conduta por pesquisa, por posição na pesquisa e isso é muito ruim para o debate.

 

O PMDB é uma má companhia?

 

Bittencourt – O PMDB é um partido que tem força política muito grande, mas que também participou das últimas administrações da cidade, levando Goiânia ao cenário de dificuldades em que vive hoje. Apoiou a eleição do atual prefeito e deu suporte à sua administração, que foi desastrosa. Precisa fazer o mea culpa neste debate eleitoral.

 

Qual análise que você faz do seu desempenho nas pesquisas e como vai se apresentar, caso se confirme a sua candidatura?

 

BittencourtO tempo para conversar com a cidade é curto. O candidato tem de levar suas propostas, mas se depara com o total desinteresse da população. Não está fácil. Mas, apesar da descrença da população, serei coerente à linha que apresentamos até aqui. Eu acredito que o cenário já desenhado pelas pesquisas vai mudar completamente. Como mudou quando o ex-prefeito Iris Rezende anunciou sua aposentadoria. 78% da população ainda não escolheu o candidato e não está disposta a acompanhar o debate neste momento, de acordo com a última pesquisa Serpes. Quando estas pessoas se posicionarem, o quadro muda.

 



“O PTB é contra o que aí está e é contra a demagogia e o populismo”

“Cortaremos gastos, reduziremos os cargos comissionados, baniremos práticas fisiológicas e não trocaremos apoio político por cargos”

“Como discutir união em torno de nomes como Delegado Waldir e Vanderlan Cardoso, que não são da base?”

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