Política

Caiado mente dizendo que foi senador mais votado da história de Goiás

Redação DM

Publicado em 10 de julho de 2015 às 23:45 | Atualizado há 11 anos

 

Diz o ditado que “peixe morre é pela boca”. Este velho adágio popular serviu para o senador Ronaldo Caiado, que em vários discursos proferiu a frase que: “Caiado não mente, não rouba e não trai!”, mas foi num flagra do jorna Hora Extra, de Brasília, que o senador do DEM de Goiás foi pego na mentira.

De acordo com reportagem do Hora Extra, disponibilizado no seu site na internet, “hoje (ontem, 10) pela manhã, na Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, em Brasília, o Senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) se equivocou ao falar sobre a história recente do estado de Goiás. Ao discursar para os líderes religiosos, o senador agradeceu o apoiou que recebeu do bispo Manoel Ferreira nas eleições de 2014. Segundo o senador, se hoje ele teria a honra de ser o senador mais bem votado da história de Goiás muito se devia ao líder”.

Os números das eleições desmentem Caiado. A reportagem do Hora Extra avalia que “por lapso ou, talvez, por desejo de ser a realidade, o senador mentiu ao dizer que foi o senador mais bem votado da história de seu Estado. O recorde que Caiado diz ser seu pertence ao seu  arqui-inimigo, o senador cassado Demóstenes Torres (ex-DEM-GO)”.

Uma rápida olhada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre as eleições de 2010, revela que Demóstenes Torres obteve 2.158.812 votos, 758 mil votos a mais do que o governador Marconi Perillo (PSDB), que teve 1.400.227 no primeiro turno. Sua companheira de chapa, a senadora Lúcia Vânia ficou com 1.496.559 votos (96 mil votos a mais do que Marconi). Em 2006, quando só havia uma vaga sendo disputada, o atual governador, Marconi Perillo, obteve 2.035.564 votos (75,82%) – a maior votação proporcional do País à época. Em 2002, Demóstenes Torres obteve 1.239.352 votos, já Lúcia Vânia ficou com 1.057.358.

Ronaldo Caiado, em 2014, obteve 1.283.665 votos. Mais do que Lúcia e Demóstenes em 2002, mas bem menos que os mesmo em 2010 e Marconi, em 2006. “Portanto, o senador pode até estar bastante popular no momento, mas maquiou seu currículo mentindo sobre a história recente da política em Goiás. Resta saber se foi apenas um equívoco, ou vontade de se apresentar melhor”, registrou o Hora Extra.

Na sua conta no Twitter, o senador Ronaldo Caiado reafirma a mentira: “Se tenho hoje a honra de ter sido eleito o senador mais votado da história de Goiás, devo muito ao apoio que tive estes homens de fé”.

Para um político que tem costume de reafirmar sua coerência, e gosta de apontar defeitos nos adversários, Caiado deve tomar mais cuidado com as palavras e com os números oficiais. A história pode reservar ao senador do DEM o mesmo destino de outros conspiradores, que ao longo da história usaram de discursos difamatórios para fazer sua escalada no poder: esquecimento. Afinal, quem se lembra do deputado federal Raul Pilla e do Partido Libertador (PL) por ele fundado, e que dia e noite discursava contra o governo do presidente Juscelino Kubistechk? Pilla acusava JK de corrupto, era contra a construção de Brasília e contra o Plano de Metas de Juscelino. Enquanto JK entrou para história, Pilla foi para o lata do lixo. Mesmo risco corre Caiado em suas bravatas contra a presidente Dilma Roussef (PT) e o ex-presidente Lula. O passado de Pilla e as palavras de Demóstenes Torres, no artigo publicado aqui no DM, perseguem o senador do DEM.

 

 

 

 

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