Política

Caiado se firma como um dos principais políticos do Brasil

Redação DM

Publicado em 19 de julho de 2023 às 14:56 | Atualizado há 3 anos

A derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022 e sua agora inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030, serviram, sobretudo, para aprofundar o fosso que separa a extrema-direita, representada pelo ex-presidente, e a direita racional, ideologia política que defende pautas como a propriedade privada e livre mercado, espectro político no qual esteve inserido o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), ao longo de sua carreira política, principalmente, como parlamentar.

Mesmo sendo um histórico adversário de Lula e do PT, Caiado demonstra republicanismo e, como democrata, acena para que haja esforços comuns para a pacificação do país. Contudo, não é só a sua atuação enfática em defesa da democracia que eleva Ronaldo Caiado à condição de um dos principais protagonistas da política brasileira na atualidade, com possibilidades, inclusive, de pleitear a presidência da República em 2026, mas, principalmente, sua capacidade de administrar a coisa pública.

Com uma das gestões mais bem avaliadas do Brasil – seu governo é aprovado por 76% da população goiana, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas -, Caiado, o primeiro governador goiano a ser eleito e reeleito em primeiro turno, chegou ao final do seu primeiro mandato celebrando o reequilíbrio das contas públicas, a regionalização da saúde e os melhores índices da segurança pública e educação do país, isso depois de receber o Estado de Goiás entre as quatro piores federações nos quesitos fiscal e financeiro.

Com as contas equilibradas, Caiado sinaliza para um segundo governo muito mais desenvolvimentista do que o primeiro, quando adotou uma política mais fiscalista. Sua boa relação administrativa com o governo Lula, fato inconteste até o momento, permitirá ao governador goiano cumprir promessas que assumiu em campanha pela reeleição, como romper com o ciclo da pobreza no Estado, medida que encontra respaldo na política do Governo Federal, avaliam seus aliados.

Sucessão presidencial

Embora outros nomes da política também despontem com peso no cenário nacional, as qualidades de Ronaldo Caiado, no que diz respeito à defesa do estado democrático e à capacidade de gestão demonstrada no primeiro mandato à frente do executivo goiano, o colocam em situação de destaque. Soma-se aos seus predicados, o fato de que Caiado integra um dos maiores partidos do Brasil atualmente. O União Brasil é a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados, com 59 deputados, e a segunda do Senado Federal, com oito senadores, o que lhe garante estrutura para alavancar uma candidatura à presidência da República com grande viabilidade política.

O próprio Caiado não fala nessa possibilidade, até porque até 2026 ainda há um longo caminho a percorrer, mas ele já adiantou que não disputará mais eleições no Estado, o que lhe deixaria duas opções: aposentadoria ou uma candidatura ao maior posto político do país. Nos bastidores, ninguém aposta que Caiado deixará a política ao final do seu segundo mandato.

Não há dúvidas, no entanto, que, por tudo que já demonstrou até aqui, com o Estado equilibrado e em condições de imprimir uma agenda de investimentos e de realizações ainda maior do que no primeiro mandato, o governador de Goiás vai ganhando espaço e desponta como o político que pode, dentro dessa normalidade que se vislumbra, de fato se consolidar como um grande e viável nome para a sucessão presidencial em 2026. 

Governador: compromisso com os goianos na defesa dos interesses do Estado

Não há como deixar de reconhecer o empenho do governador Ronaldo Caiado (UB), na luta por alteração de pontos na proposta de reforma tributária, aprovada semana passada na Câmara Federal, considerados prejudiciais aos interesses de Goiás e do País. 

Dentre os pontos assinalados por ele, o que passa a tributação dos produtos para o destino; o que coloca fim aos incentivos fiscais após 2032 e o Conselho Federativo, formado por representantes de estados e municípios, que irá gerir o novo IBS em substituição ao papel das administrações estaduais e municipais, na gestão de seus tributos.

Acostumado a debates de temas nacionais de grande complexidade, ao longo dos seus seis mandatos no Congresso Nacional, Caiado honrou o compromisso com os goianos, de defender os seus interesses. Seus argumentos contra a aprovação sem alterar os pontos no projeto, que considera nocivos aos interesses do Estado atingiram tal nível de convencimento a outros governadores, até aquele momento, a ponto de despertar preocupação no ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, que estava receoso de proposta ser rejeitada.

Numa entrevista ao Em Ponto, na Globo News, o ex-comandante da pasta da Economia no governo Sarney fez apelo dramático concitando o presidente Lula a entrar com o seu prestígio na articulação, visando assegurar a aprovação da proposta.

Emendas aos deputados

A impressão que ficou, com base no resultado da votação na Câmara, o presidente Lula não só atendeu ao apelo do ex-ministro Mailson, como pesou a mão na liberação de R$ 7,5 bi em emendas do Orçamento para deputados e senadores. O Planalto ainda pediu o cargo à ministra do Turismo, Daniela Waguinho, por pressão do União Brasil que tem outro nome para o cargo: o deputado Celso Sabino (PA). 

Com R$ 7,5 bi em emendas liberadas na véspera da votação, não há Caiado capaz de convencer boa parte dos parlamentares a rejeitar a matéria. Ávidos por fazer jorrar recursos nas suas bases eleitorais,  deputados e senadores, com raras exceções, costumam ficar mais sensíveis aos argumentos pela aprovação dos projetos de interesse do governo, ante movimentos de liberação de emendas parlamentares. Afinal de contas, todos têm consciência de que terão que renovar os mandatos nas urnas a cada quatro anos. 

Críticas a gestores

Mas há os que criticam, a exemplo do deputado Luiz Phelippe Orléans Bragança (PL-SP), que chegou a afirmar que governadores “foram comprados para aprovar a reforma tributária na Câmara”. Ele se referia à mudança repentina de posição dos governadores que de um dia para outro passaram a apoiar a reforma. 

O governador Ronaldo Caiado manteve as críticas a pontos específicos da reforma e continua, mesmo após a aprovação da matéria em 1º e 2º turnos na Câmara. Agora o projeto e será apreciado no Senado, no segundo semestre. Ao analisar a decisão da Câmara, durante entrevista ao vivo na Globo News, Caiado reiterou as críticas à criação do Conselho Federativo e ainda deu uma estocada de leve no “fã-clube” do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Brasil. “Eu nunca imaginei na minha vida, com a experiência que tenho de Congresso Nacional, que um dia eu chegaria um texto como este, chamado Conselho Federativo, isso é coisa de venezuelano, nós fomos eleitos pelo voto”. 

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