Política

Candidato explosivo mira o Paço Municipal

Redação DM

Publicado em 17 de junho de 2016 às 01:48 | Atualizado há 10 anos

Quando passou no concurso público para delegado civil em 1999, o hoje deputado federal Waldir Soares (PR), natural de Jacarezinho (PR), não imaginava o que o esperava em Goiás.

‘Selecionado no primeiro concurso realizado pelo então governador de primeiro mandato Marconi Perillo (PSDB), Waldir acabou escalado para enfrentar os maiores desafios da segurança pública – caso da altíssima criminalidade do Entorno do Distrito Federal. Depois passou pela região Noroeste, em Goiânia, e a sempre popular Delegacia do Trânsito.

Por onde circula, o investigador arrebata uma parcela de fãs com seu carisma e energia. Mas não é unanimidade. Em proporção menor, ele deixou defensores de direitos humanos de boca aberta com suas ideias. Irritou acadêmicos e assusta parcela da imprensa – a mesma que abriu janelas para ele.

Eleito deputado federal, sem apoio de sua legenda e recordista em votos na história das eleições de Goiás, o neo-político paranaense encarna hoje o ‘self made man’ de Goiás. Waldir saiu de uma cidadezinha com 40 mil habitantes, a agrícola Jacarezinho, que deve demorar 50 anos para chegar ao quantitativo de votos que seu filho teve dos goianos.

É hoje um dos personagens mais populares de Goiás e começa a ficar famoso no restante do país.

Na Câmara dos Deputados, por exemplo, Waldir literalmente ‘mitou’ em pouco mais de um ano. Foi objeto de reportagens na mídia nacional e caiu nas graças das redes sociais. O  meme com  Waldir ‘rapper’ rendeu mais de 2 milhões de compartilhamentos no WhatsApp. Nele, o delegado declara o voto pelo impeachment e aponta uma arma imaginária.

NOVO PARTIDO

Hoje, considerado um dos favoritos para a disputa ao Paço Municipal, ao lado de Iris Rezende, Waldir “45 no calibre e 00 das algemas” mudou de partido. Equivocado, o PSDB menosprezou o delegado. Distante nas pesquisas, a legenda acompanha Waldir desfilar com sua popularidade em alta.

Waldir faz parte de um segmento que costuma se eleger e fazer grande barulho no parlamento. Afinal, voto para delegado não falta. No começo dos anos 1980, a delegada Conceição Gayer foi uma deputada estadual explosiva com recorde de votos. Anos depois, delegado Abdul Sebba conquistou uma cadeira no parlamento estadual e coloca medo com seus pronunciamentos. Pouco depois, o delegado João Campos, também sem qualquer apoio da cúpula tucana, se elegeu com promeniência na área de segurança e adotou um estilo mais sóbrio para defender o segmento.

Por isso delegado Waldir tende a ser um candidato competitivo nas eleições de outubro. Sua linhagem é de postulante que chega ao menos na reta final. Por diversos motivos tem atraído olhares e holofotes. Quem o conhece elogia sua integridade. Mas reconhece que Waldir é explosivo – o que nem sempre é bom para a política.

CARTA DE DESPEDIDA

Antes de sair do PSDB, o delegado escreveu uma carta e enviou para o presidente metropolitano da sigla, onde listou 22 razões que motivaram a sua decisão de deixar o ninho tucano.

Waldir denunciou, por exemplo, o “voto de cabresto” no partido e o controle do PSDB por conta de caciques. Para a legenda, disse que o PSDB é quem perdia, pois era  o “16º melhor parlamentar do país em 2015”, conforme Prêmio Congresso em Foco, um dos mais importantes do Brasil.

Apesar de liderar as pesquisas, Waldir não tem ainda uma plataforma de campanha definida nem propostas formatadas em plano de governo. Ao contrário, o deputado se dedica com grande esforço à Câmara Federal – onde se destaca pelo debate constante nas comissões, principalmente nos temas de segurança pública.

Os analistas de campanha acreditam que o deputado conta com o imenso recall dos votos conquistados nas eleições para deputado federal, em 2014. Junta-se a isso o bom desempenho no Congresso Nacional. Quem esperava um comportamento pífio se surprendeu.

Em plena pré-campanha, o parlamentar não é obrigado ainda a expor um plano de governo, já que não existe nenhuma imposição eleitoral. Mas sobressaem suas opiniões: “Temos visto muita incompentência na segurança pública. Estamos numa guerra. E os gestores não fazem nada”.

Ao Diário da Manhã, o delegado diz que tem um programa completo de segruança pública. Mas precisa aprovar medidas no Congresso Nacional: “Para dar jeito nisso é preciso seguir os dez mandamentos do delegado Waldir: eles já são projetos protocolados, caso da redução da maioridade penal, o trabalho obrigatório, a necessidade de fazer o preso indenizar a família da vítima, etc”.

 

Pré-candidato teve voto de confiança do PR

A chegada de Waldir Soares ao Partido Republicano teve o aval da deputada Magda Mofatto, ex-prefeita e ex-deputada estadual. Experiente e com vários mandatos, além de observadora atenta da política regional, Magda preferiu confiar em Waldir e apostar que o delegado atuaria de forma previdente e não irascível. Para Mofatto, Waldir é um “valor inestimável da política goiana”. A parlamentar diz que a bandeira dele, o combate à violência, é algo que ela também vislumbra como  necessário e importante. “Ele tem consciência que Goiânia não é só violência. Tenho conversado com ele. Não sou a mentora do delegado Waldir, mas acho que enxergamos nele o potencial, reconhecemos que ele está no lugar certo e na hora certa”. A aproximação de Waldir com Magda ‘civiliza’ mais o candidato. Polida e estratégica, Magda costuma tranquilizar o neófito em disputas majoritárias.  O pré-candidato tem escutado boa parte dos conselhos da líder republicana e iniciado um articulação com demais partidos e protagonistas da campanha.

Delegado Waldir sabe que precisará de experiência, articulação e ousadia para chegar no Paço. Sem estes predicados a campanha pode definhar nas primeiuras críticas.  Os ‘tubarões’ dos votos acompanham a caminhada de Waldir. As críticas já começaram. Djalma Araújo, vereador e pré-candidato da Rede Sustentabilidade, por exemplo, foi certeiro: “O delegado Waldir tem um estilo autoritário, fanfarrão. O debate dele é o 45. Ele tem a bala e eu tenho os livros”. As principais críticas ao deputado podem cercá-lo pelo extremismo de posições. Daí a necessária consulta aos demais interlocutores do partido, da política goiana e mesmo os assessores.

Sonhador, Waldir revela muitas vezes ideias pouco prováveis. Para a reportagem do DM, por exemplo, disse que aposta na desistência de Iris Rezende para apoiá-lo, já que Iris seria candidato ao governo em 2018.

 

Onde existe desafio delegado é chamado

Delegado Waldir passou pelas principais delegacias do Estado. Foi, por exemplo, diretor da cadeia em Porangatu e do problemático presídio de Luziânia.

Em Planatina de Goiás, uma das cidades mais violentas do Brasil, deixou menos inquéritos insolúveis do que quando entrou.

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, ele se especializou na temática penal. Sua postua ideológica é baseada no coneito de lei e ordem – uma visão de direito mais extremada, positivista e legalista.  Está diametralmente oposto, por exemplo, aos grupos de direito alternativo que se espalham pelas faculdades e mesmo delegacias.

O grande trunfo do delegado é sua postura no cotidiano. Irônico, articulado, de fala rápida, o parlamentar costuma entrar em atritos com bom argumentadores – principalmente do direito penal – e vence muitas vezes. Sua postura conservadora, em defesa de uma pauta extensa de restrições à liberdade e aos criminosos, revela um pré-candidato antenado com o voto de direita.

Seu discurso cai que nem uma bomba para a periferia: “Nossa cidade está abandonada. É muita notícia ruim – tudo de uma vez! Seja na segurança pública, na saúde, em tudo. Mas como parlamentar não tenho caneta para assumir isso, corrigir essas coisas. Por isso queremos ousar em várias áreas, com escolas integrais, por exemplo. Goiânia se destaca com essa classe política…é…se destaca como a cidade em que mais morre gente no trânsito, como a mais violenta”.

Outra opinião provoca a elite e os bairros nobres: “Chega de pensar Goiânia do centro para a periferia. Temos que pensar Goiânia da periferia para o centro. É preciso inverter. Vamos levar as melhores oportunidades para as pessoas que precisam. Não para as elites”.

 

 

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