Candidato explosivo mira o Paço Municipal
Redação DM
Publicado em 2 de outubro de 2016 às 13:08 | Atualizado há 10 anos
Quando passou no concurso público para delegado civil em 1999, o hoje deputado federal Waldir Soares (PR), natural de Jacarezinho (PR), não imaginava o que o esperava em Goiás.
Selecionado no primeiro concurso realizado pelo então governador de primeiro mandato Marconi Perillo (PSDB), Waldir acabou escalado para enfrentar os maiores desafios da segurança pública – caso da altíssima criminalidade do Entorno do Distrito Federal.
Depois passou pela região Noroeste, em Goiânia, e a sempre popular Delegacia do Trânsito.
Por onde circula, o investigador arrebata uma parcela de fãs com seu carisma e energia. Mas não é unanimidade. Em proporção menor, ele deixou defensores de direitos humanos de boca aberta com suas ideias. Irritou acadêmicos e assusta parcela da imprensa – a mesma que abriu janelas para ele e que foi processada.
Eleito deputado federal, sem apoio de sua legenda e recordista em votos na história das eleições de Goiás, o neo-político paranaense encarna hoje o ‘self made man’ de Goiás.
Waldir saiu de uma cidadezinha com 40 mil habitantes, a agrícola Jacarezinho, que deve demorar 50 anos para chegar ao quantitativo de votos que seu filho teve dos goianos.
É hoje um dos personagens mais populares de Goiás e começa a ficar famoso no restante do país.
Na Câmara dos Deputados, por exemplo, Waldir literalmente ‘mitou’ em pouco mais de um ano. Foi objeto de reportagens na mídia nacional e caiu nas graças das redes sociais.
O meme com Waldir ‘rapper’ rendeu mais de 2 milhões de compartilhamentos no WhatsApp. Nele, o delegado declara o voto pelo impeachment e aponta uma arma imaginária.
NOVO PARTIDO
Waldir “45 no calibre e 00 das algemas” mudou de partido. O PSDB menosprezou o delegado, entrando em uma rota canibal: nenhum nem outro conseguiu o sucesso desejado na disputa de 2016.
Waldir faz parte de um segmento que costuma se eleger e fazer grande barulho no parlamento. Afinal, voto para delegado não falta. No começo dos anos 1980, a delegada Conceição Gayer foi uma deputada estadual explosiva com recorde de votos. Anos depois, delegado Abdul Sebba conquistou uma cadeira no parlamento estadual e coloca medo com seus pronunciamentos. Pouco depois, o delegado João Campos, também sem qualquer apoio da cúpula tucana, se elegeu com promeniência na área de segurança e adotou um estilo mais sóbrio para defender o segmento.
Por diversos motivos tem atraído olhares e holofotes. Quem o conhece elogia sua integridade. Mas reconhece que Waldir é explosivo – o que nem sempre é bom para a política.
CARTA DE DESPEDIDA
Antes de sair do PSDB, o delegado escreveu uma carta e enviou para o presidente metropolitano da sigla, onde listou 22 razões que motivaram a sua decisão de deixar o ninho tucano.
Waldir denunciou, por exemplo, o “voto de cabresto” no partido e o controle do PSDB por conta de caciques. Para a legenda, disse que o PSDB é quem perdia, pois era o “16º melhor parlamentar do país em 2015”, conforme Prêmio Congresso em Foco, um dos mais importantes do Brasil.
Os analistas de campanha acreditavam que o deputado contaria com o imenso recall dos votos conquistados nas eleições para deputado federal, em 2014.
Junta-se a isso o bom desempenho no Congresso Nacional. Mas o desenvolvimento da campanha mostrou outra realidade, na medida em que Waldir não entendia o processo eleitoral e seu ritmo.
Candidato da segurança pública, Waldir atira a todo momento: “Temos visto muita incompentência na segurança pública. Estamos numa guerra. E os gestores não fazem nada”.
O assunto dominou os debates até agora: “Para dar jeito nisso é preciso seguir os dez mandamentos do delegado Waldir: eles já são projetos protocolados, caso da redução da maioridade penal, o trabalho obrigatório, a necessidade de fazer o preso indenizar a família da vítima, etc”.
Pré-candidato teve voto de confiança do PR
A chegada de Waldir Soares ao Partido Republicano teve o aval da deputada Magda Mofatto, ex-prefeita e ex-deputada estadual. Experiente e com vários mandatos, além de observadora atenta da política regional, Magda preferiu confiar em Waldir e apostar que o delegado atuaria de forma previdente e não irascível.
Para Mofatto, Waldir é um “valor inestimável da política goiana”. A parlamentar diz que a bandeira dele, o combate à violência, é algo que ela também vislumbra como necessário e importante. “Ele tem consciência que Goiânia não é só violência. Tenho conversado com ele”.
Magda diz que não é a mentora do delegado Waldir. Pois reconhece que ele não a escuta em tudo, mas resolveu investis no sonho do parlamentar, que é governar Goiânia
A aproximação de Waldir com Magda ‘civilizou’ mais o candidato. Polida e estratégica, Magda costuma tranquilizar o neófito em disputas majoritárias.
Delegado Waldir foi criticado por posturas. “O delegado Waldir tem um estilo autoritário, fanfarrão. O debate dele é o 45. Ele tem a bala e eu tenho os livros”.
Apesar do apoio de Magda, o delegado manteve um estilo “diferente’ de fazer política. Apanhou muito por isso. As principais críticas ao deputado o cercam pelo extremismo de posições.
Onde existe desafio delegado é chamado
Delegado Waldir passou pelas principais delegacias do Estado. Foi, por exemplo, diretor da cadeia em Porangatu e do problemático presídio de Luziânia.
Em Planatina de Goiás, uma das cidades mais violentas do Brasil, deixou menos inquéritos insolúveis do que quando entrou.
Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, ele se especializou na temática penal. Sua postua ideológica é baseada no coneito de lei e ordem – uma visão de direito mais extremada, positivista e legalista. Está diametralmente oposto, por exemplo, aos grupos de direito alternativo que se espalham pelas faculdades e mesmo delegacias.
O grande trunfo do delegado é sua postura no cotidiano. Irônico, articulado, de fala rápida, o parlamentar costuma entrar em atritos com bom argumentadores – principalmente do direito penal – e vence muitas vezes. Sua postura conservadora, em defesa de uma pauta extensa de restrições à liberdade e aos criminosos, revela um pré-candidato antenado com o voto de direita.
Seu discurso cai que nem uma bomba para a periferia: “Nossa cidade está abandonada. É muita notícia ruim – tudo de uma vez! Seja na segurança pública, na saúde, em tudo. Mas como parlamentar não tenho caneta para assumir isso, corrigir essas coisas. Por isso queremos ousar em várias áreas, com escolas integrais, por exemplo. Goiânia se destaca com essa classe política…é…se destaca como a cidade em que mais morre gente no trânsito, como a mais violenta”.
Outra opinião provoca a elite e os bairros nobres: “Chega de pensar Goiânia do centro para a periferia. Temos que pensar Goiânia da periferia para o centro. É preciso inverter. Vamos levar as melhores oportunidades para as pessoas que precisam. Não para as elites”.
[box title=”PERFIL”]
Nome civil: Waldir Soares de Oliveira
Idade: 54
Naturalidade: Jacarezinho, PR
Profissões: delegado
[/box]