Candidato que entende Goiânia
Redação DM
Publicado em 29 de setembro de 2016 às 02:14 | Atualizado há 10 anos- Francisco Jr presidiu a Câmara e propõe mudança radical na cidade
- Francisco Júnior, deputado estadual e candidato a prefeito: postulação revela interesses em consolidar legenda para 2018 e anunciar uma proposta diferente para Goiânia
Francisco Jr – candidato do PSD ao Paço Municipal – é um dos postulantes com melhor desempenho emocional nos debates. Mais do que isso, apresenta currículo que mistura atividades acadêmicas e políticas. Sereno, tranquilo, detentor de uma paz interior visível aos eleitores, o deputado estadual é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), com especialização em Comércio Exterior e mestrado em Desenvolvimento Urbano e Planejamento Territorial pela PUC.
Sua carreira se construiu nos últimos 12 anos, tendo até aqui poucas polêmicas em torno de sua postura política. Surgiu no ambiente peemedebista, mas preferiu se afastar da legenda após experimentar suas primeiras aventuras eleitorais.
Na disputa deste ano, optou em ser propositivo e evita atacar adversários. É comedido e educado. Apesar de não ser o candidato principal da base aliada, manteve a legenda na disputa, tendo em vista garantir espaço político para a divulgação do PSD. A legenda pretende disputar o governo de Goiás por meio de seu líder maior, o ex-deputado Vilmar Rocha, conforme reportagem do Diário da Manhã anunciou. Considerado o nome mais forte da base para tal missão, Vilmar Rocha teria em Francisco Jr e Thiago Peixoto seus fiéis escudeiros.
Francisco Jr. tem batido na tecla de que Goiânia reúne recursos suficientes para fazer investimentos, mas a má gestão não contribui com o desenvolvimento da cidade. “O problema de Goiânia é a péssima gestão. Todo dinheiro arrecadado é mal aplicado”, explica.
Uma de suas propostas para a saúde é contratar 600 médicos assim que assumir o Paço Municipal. “Vamos já no primeiro ano contratar mais médicos, exames e gastar de forma responsável o dinheiro que é mal administrado pela atual gestão. Temos um programa muito bom que é o ‘Mais saúde’. Iremos resolver o problema das filas”, diz.
O candidato, que é defensor das Organizações Sociais, afirma que todos os instrumentos modernos e aprovados pela população serão utilizados em sua gestão. “Não tenho planos mirabolantes, pois Goiânia precisa de uma intervenção de bom senso”, defende.
Dentre suas propostas consta o Programa de Encadeamento de Obras. Nele, a obra 3 só poderá ser iniciada após a conclusão das obras 1 e 2, por exemplo. É enfático sobre a transparência da gestão e afirma que buscará desengavetar projetos bons que precisam ser finalizados como o Macambira-Anicuns. “Se cumprirmos o Plano Diretor, Goiânia se tornará uma das melhores cidades para se viver”, diz.
Em relação à segurança, Francisco Júnior explica que a resolução dos problemas sociais auxiliarão para diminuir as injustiças. “A violência em Goiânia envolve crianças e adolescentes e isso é muito grave. Esse caos se explica pela falta de oportunidades e falhas na inserção social. Vamos fazer uma grande ação utilizando a educação, o esporte e a cultura para mudar esse cenário”.
Francisco Júnior afirma que em sua gestão o valor da passagem de ônibus será reduzido. “Goiânia se tornou uma metrópole. Não podemos aceitar um transporte público de péssima qualidade. O transporte precisa ser seguro, ter conforto, passar nos horários certos e, claro, ter um preço acessível. Só assim as pessoas deixarão os carros e motos em casa para colaborar com a mobilidade urbana”.
O candidato afirma que pode realizar a revisão dos contratos de licitação do transporte público, caso seja necessário para realizar as mudanças que pretende implantar na Capital.
No entanto, o carro chefe dos discursos de Francisco Jr. é o combate à corrupção. Sua proposta para evitar irregularidades apresenta a criação de um comitê com poderes de secretaria. “Esse comitê terá autonomia e a responsabilidade de avaliar todos os processos e sua transparência. O comitê será o coração da prefeitura e será o medidor que analisará a satisfação da população com a gestão”.
Político evoluiu no cenário estadual após assumir cargo de secretário
Francisco Júnior já ocupou uma série de cargos na administração pública e evoluiu no meio político de forma célere. Quem abriu a porta para sua entrada na administração foi o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que o convidou para se filiar ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em 2004, Francisco Júnior colaborou com a eleição de Iris Rezende, que ganhou no segundo turno do candidato Pedro Wilson, do Partido dos Trabalhadores (PT).
No mesmo ano que Iris saiu vitorioso da disputa para prefeito, Francisco Júnior foi chamado para ser secretário de Planejamento da gestão peemedebista.
Durante sua administração, elaborou e aprovou o novo Plano Diretor de Goiânia, além de ter realizado o primeiro concurso público da pasta. Em 2008, saiu da liderança da Secretaria de Planejamento e se candidatou a vereador, disputa da qual tornou-se vitorioso, além de ter sido eleito presidente da Câmara Municipal no biênio 2009/2010.
Após dois anos se lançou como candidato a deputado estadual e venceu a disputa com 30.030 votos. Na casa legislativa, assumiu a presidência da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo e assume uma posição de alinhamento com o governador Marconi Perillo.
Nas eleições de 2012, Francisco Júnior foi candidato a vice-prefeito de Jovair Arantes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), disputa em que perdeu para o atual prefeito da capital, Paulo Garcia.
TROCA
Por incompatibilidades com o partido, Francisco saiu do PMDB e se filiou ao PSD, que tem como presidente o ex-deputado e atual secretário de Cidades, Vilmar Rocha. Quatro anos após ter sido eleito deputado pela primeira vez, se reelegeu a deputado estadual em 2014.
Para a Prefeitura de Goiânia, disputou internamente a vaga com os deputados Virmondes Cruvinel e Lincoln Tejota a vaga de candidato a prefeito.
Conhecimento da cidade teve início com Plano Diretor
Professor desde os 19 anos, Francisco Júnior lecionou matemática, religião, filosofia e sociologia. Além de atividades educativas, tornou-se, antes da política, coordenador da Renovação Carismática Católica em Goiás – um dos pilares de sua campanha.
Seu perfil político foi o ideal para o retorno de Iris Rezende para a gestão pública, que se elegeu em 2004 para conduzir a prefeitura de Goiânia. A presença de Francisco Jr. na equipe deu ao veterano peemedebista a ideia de renovação e técnica, já que Francisco Jr simbolizava o gestor com perfil consolidado.
Nos embates para discutir expansão urbana e Plano Diretor, seu conhecimento como mestre em Desenvolvimento Urbano e Planejamento Territorial ajudou a formatar uma legislação moderna e equiparada aos grandes centros.
Integrante da comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, Francisco Jr tem atuação discreta, mas constante na Assembleia Legislativa. Uma das pautas do político é a aproximação da assistência social com a religião.
Francisco Jr aprovou projeto de lei que regulamenta a prestação de assistência religiosa nos hospitais públicos e privados de Goiás. Sob o número 19.406/16, a lei garante a qualquer paciente que se encontre internado ou em tratamento ambulatorial, o direito de ser visitado, caso deseje, por representante de sua respectiva instituição religiosa, a qualquer momento do dia ou da noite.
Dentre suas propostas, outro destaque prevê subsídio estadual ao transporte coletivo. “Vamos determinar que, do fundo da Região Metropolitana de Goiânia, 20% seja investido no transporte coletivo, com a deliberação do órgão competente do estado. Nada mais do que direcionar que esse recurso vá para o transporte público para melhorá-lo”, diz Francisco Jr.
*O Diário da Manhã ofereceu espaço igualitário a todos candidatos para que o eleitor possa conhecer suas plataformas políticas e propostas. Até agora o DM publicou os perfis de Iris Rezende, Delegado Waldir, Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Luiz Bittecourt, Giuseppe Vecci, Djalma Araújo. O próximo será do candidato Flávio Sofiati.