Candidatos ricos vencem nas capitais e grandes cidades
Redação DM
Publicado em 8 de outubro de 2016 às 03:01 | Atualizado há 10 anosA ideia de retirar empresas das doações a partidos e políticos e transferir este financiamento das campanhas às pessoas físicas foi testada nestas eleições e o veredito é que, daqui para frente (se esta lei for mantida), só rico será eleito prefeito, principalmente se for em eleição nas grandes cidades.
Levantamento feito pelo portal G1, da Globo, mostra que mais da metade das maiores cidades brasileiras que definiram o vencedor no 1º turno serão governadas por prefeitos milionários. É o caso de São Paulo, por exemplo, onde o ricaço João Dória (patrimônio declarado de quase R$ 180 milhões) foi o vencedor já no primeiro turno. Vale ressaltar que o PSDB é o partido com mais prefeitos milionários da lista, dez dos 23.
São Paulo, Salvador, Natal e João Pessoa são as outras capitais com prefeitos milionários. ACM Neto (DEM), por exemplo, tem patrimônio declarado de R$ 27 milhões. Já os prefeitos de Rio Branco, Teresina e Boa Vista têm patrimônio abaixo de R$ 500 mil.
De acordo com este levantamento do G1, com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), dos 37 prefeitos já eleitos para cidades com mais de 200 mil eleitores, 23 declararam ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) patrimônio de R$ 1 milhão ou mais – o Brasil tem 92 cidades com população nessa casa.
O prefeito mais rico da lista é Vittorio Medioli (PHS), de Betim (MG), que declarou bens no valor total de R$ 352.572.936,23. Em seguida vem o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), com R$ 179.765.700,69, e o prefeito de Salvador (BA), ACM Neto (DEM), com R$ 27.886.721,62.
2º turno
Em Goiânia, a regra destas eleições também vale: os dois finalistas do segundo turno também são milionários. Vanderlan Cardoso (PSB) declarou ao TSE um patrimônio de R$ 29,7 milhões e Iris Rezende (PMDB) R$ 17,8 milhões. Segundo o levantamento feito pelo G1, das 55 cidades em que haverá votação em 30 de outubro, 30 possuem pelo menos um milionário na disputa. A lista dos candidatos endinheirados ainda na disputa conta com Udo Dohler (PMDB), em Joinville (SC), com R$ 11.375.509,62; Dr. Hildon (PSDB), em Porto Velho (RO), com R$ 11.261.219,90; Raul (PV), em Bauru (SP), com R$ 5.501.714,06; e Sidnei Rocha (PSDB), em Franca (SP), com R$ 4.731.357,23.
Em seis dessas cidades, os candidatos ainda no páreo pela cadeira de prefeito são dois milionários. Ou seja, com certeza, ao fim da eleição, serão, pelo menos, 29 os prefeitos com patrimônio superior a R$ 1 milhão.
Se todos os milionários na disputa se elegerem, o Brasil terá 59 – ou seja, mais da metade – de suas grandes cidades governadas por donos de contas bancárias com valores superiores a seis zeros.
Doações milionárias
A prestação de contas dos candidatos a prefeito de Goiânia indica que pelo menos em parte este raciocínio é correto: o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) foi o principal doador de sua campanha, com depósito de R$ 1 milhão. Sua coligação, composta por uma quinzena de partidos, é fruto do leque político que compõe o governo do Estado. Em São Paulo, João Doria (PSDB) foi o que mais investiu recursos próprios até agora: R$ 2,4 milhões. Ao todo, o patrimônio declarado do empresário é de R$ 180 milhões. Outro que fez um investimento milionário foi Carlos Amastha (PSB), reeleito à Prefeitura de Palmas. Ele, que também é empresário, repassou à sua campanha R$ 2,2 milhões, mais de 10% de seu patrimônio total declarado, de R$ 21,1 milhões.
Entre os candidatos que doaram recursos próprios, um caso chama a atenção: o ex-ministro do Esporte e Turismo Rafael Greca (PMN) colocou R$ 600 mil na própria candidatura a prefeito de Curitiba. Foi o único caso até o momento de doação acima do patrimônio entre os candidatos a prefeitos em capitais do País.
Segundo a Lei Eleitoral, não há limite percentual de patrimônio para doação de candidatos – a regra existe apenas para terceiros, que só podem doar até um limite de 10% de seu patrimônio por eleição.