Política

Cientistas políticos visualizam 2º turno

Redação DM

Publicado em 27 de setembro de 2016 às 02:11 | Atualizado há 1 ano

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Goiânia terá 2º turno e com disputa entre o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) e o empresário e ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PSB). A previsão é de especialistas em marketing eleitoral e cientistas políticos, após leitura das pesquisas divulgadas pelos institutos Serpes, Fortiori, Grupom, Paraná e Ibope.

Levantamento feito pela reportagem do Diário da Manhã mostra unanidade de opinião entre os marqueteiros e professores de Ciência Política. Foram ouvidos os profissionais de marketing Marcus Vinícius Queiroz, Mário Rodrigues Filho, Donizete Santos e os cientistas políticos Itami Campos, Wilson Ferreira da Cunha e Luiz Signates.

O especialista em marketing Marcus Vinicíus Queiroz afirmou que as pesquisas eleitorais revelam um cenário em Goiânia favorável à realização de segundo turno, com os candidatos Iris Rezende (PMDB) e Vanderlan Cardoso (PSB). “O que se constata, com a leitura das pesquisas, é que tanto Iris quanto Vanderlan são candidatos conhecidos. Iris foi prefeito três vezes e também governador em dois mandatos e Vanderlan disputou o governo do Estado em duas oportunidades, além de ter sido prefeito, duas vezes, de Senador Canedo. Isso quer dizer que, em uma campanha rápida e sem empolgação, os dois ex-prefeitos levam vantagem”.

Marcus Vinícius sustenta que Iris Rezende tem “forte densidade eleitoral” na Capital, mas que o anti-irismo é muito acentuado junto ao goianiense. “Vanderlan cresce ao cristalizar o voto do anti-irismo e conquista também os eleitores que estão deixando o delegado Waldir Soares e que não toleram mais o PT de Adriana Accorsi e de Paulo Garcia”.

Marcus Vinícius reconhece que, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno, a eleição está aberta em Goiânia. “O apoio do governador Marconi Perillo deu maior consistência à campanha do Vanderlan, pois o PSDB está motivado e nas ruas, pedindo votos para o empresário. Não se pode negar a força política do governador. O legado de Marconi é expressivo”.

“Promessas de sempre”

Donizete Santos, com larga experiência como marqueteiro de campanhas em Aparecida de Goiânia, Goiânia e Palmas, diz que, apesar do PMDB bater no teto de suas intenções de votos, as  campanhas de Iris Rezende voltam sempre ao lugar comum: “as mesmas promessas de sempre e que não foram cumpridas  nos mandatos que exerceu”. Ele cita, por exemplo, a promessa do peemedebista de dar solução ao crônico problema do transporte coletivo, que continua até hoje. Outras promessas lembradas pelo marqueteiro e que não foram cumpridas pelo PMDB de Iris Rezende:  criar as administrações regionais, hoje esquecidas nas gavetas do Paço Municipal; concluir obras de seus antecessores, “o esqueleto do Parque da Criança, ao lado do Goiânia Arena, continua ali, atestando que nunca faz isso e, por fim, a repetida promessa de cumprir o mandato até o fim, o que não me lembro de tê-lo feito nenhuma vez”.

Soma-se a isso, segundo Donizete Santos,  o peso do vice, Major Araújo, que não suporta nenhuma discussão e perde a compostura. “Como fez com jovens estudantes, já em campanha. Imagina se um vice deste assume a prefeitura? Apesar da respeitável longevidade na política, peca por não se reinventar, por insistir em promessas que não cumpriu e relembrar o eleitor disso e por não trazer nada de novo em suas propostas.”

Para Donizete Santos, o candidato do PSB, Vanderlan Cardoso, atua com independênncia da linha de campanha comum que faz, “sem pirotecnia, sem promessas mirabolantes”. Ele vê o pessebista com lugar assegurado no segundo turno das eleições em Goiânia. “O crescimento continuado de Vanderlan rumo ao segundo turno se explica pelo perfil de administrador competente que sua história referenda; seja à frente de suas empresas ou de seus feitos na transformação da cidade de Senador Canedo, quando foi prefeito daquela cidade”. E conclui o marqueteiro: “Além de ser um representante da juventude, o sobrenome Albernaz, de Thiago, traz boas lembranças de uma Goiânia limpa, florida e de povo feliz”. Lembranças das administrações de Nion Albernaz, avô de Thiago, à frente da Prefeitura de Goiânia.

Mário Rodrigues Filho, proprietário do Instituto Grupom Pesquisas e Marketing, acredita que Iris Rezende e Vanderlan Cardoso vão disputar a Prefeitura de Goiânia no segundo turno. “As pesquisas deixam claro que haverá segundo turno, a não ser que haja uma mudança brusca no cenário político até domingo”.

Mário Rodrigues diz que Iris Rezende perde votos no instante em que o eleitor o associa a Paulo Garcia(PT), político que chegou à prefeitura graças ao apoio que recebeu do líder peemedebista. “O povo se decepcionou com o prefeito petista”. Ele ressalta que Vanderlan Cardoso cresce por vários fatores, um deles é a queda vertiginosa do deputado federal delegado Waldir Soares. “Vanderlan consegue mostrar que não é só Iris que tem experiência de gestão, pois também foi prefeito, embora em uma cidade menor, que é Senador Canedo”.

“Cansaço”

Itami Campos, professor de Ciência Política da UFG, PUC Goiás e UniEvangélica, diz que as pesquisas mostram que o ex-prefeito Iris Rezende “bateu no teto”, em torno de 36% a 37%, e que vive um momento de “cansaço, de saturação com o eleitor goianiense”. Para ele, quem acompanha os programas eleitorais de rádio e televisão constata que não há “nada de novo” no discurso do candidato do PMDB. “Até o mutirão, algo importante na década de 60 e agora saturado, foi recolocado por Iris no debate nestas eleições em Goiânia. Há uma relutância do goianiense em votar em Iris”.

Embora reconheça que a eleição será definida apenas no segundo turno, Itami Campos sustenta que o candidato do PSB tem um recall positivo, já que, segundo ele, Vanderlan Cardoso realizou uma “administração hesitosa”, por duas vezes, em Senador Canedo. “É preciso ressaltar que governar Senador Canedo é mais fácil do que comandar Goiânia, dada a complexidade dos problemas vividos pela Capital”.

Itami diz que Vanderlan se beneficia da ampla base aliada do governador Marconi Perillo em sua campanha. “São doze partidos, o PSDB totalmente integrado. E Vanderlan leva vantagem porque é um exército de cabos eleitorais que gravitam em torno do governo estadual e que está nas ruas, ao seu lado. Marconi tem prestígio político, forte liderança e realizou obras importantes em Goiânia”.

“Velhas ideias”

Wilson Ferreira da Cunha, professor de Ciências Sociais e de Antropologia da PUC Goiás, admite que o prefeito de Goiânia somente será definido no segundo turno. “A eleição está polarizada entre Iris Rezende e Vanderlan Cardoso. Delegado Waldir Soares, que surgiu como a grande novidade do processo eleitoral de Goiânia, derreteu. Adriana Accorsi esvaiu-se, ao lado do seu PT, partido mergulhado em escândalos de corrupção país afora”.

Wilson Cunha diz que o ex-prefeito Iris Rezende não conseguiu, nesta campanha eleitoral, apresentar um plano de governo que, efetivamente, despertasse o interesse do goianiense. “Em 2008, Iris fez propostas de impacto, como a de resolver os problemas do transporte coletivo em seis meses e de asfaltar todas as ruas e avenidas habitadas de Goiânia. Este ano ficou na mesmice, com muito populismo, ilusionismo, messianismo, o que o desacredita em setores importantes da sociedade, formadores de opinião, como a classe média e o meio jovem universitário. O que se vê na campanha do PMDB é muita promessa e o eleitor está  escaldado com esse tipo de candidato”.

Para Wilson Cunha, o crescimento acentuado do empresário Vanderlan Cardoso conseguiu reunir em torno dele os eleitores que representam o anti-Iris. “Vanderlan se coloca na campanha como o oposto de Iris. Mostra-se autêntico, sincero, sem tergiversar nas suas opiniões e nos seus posicionamentos políticos e ideológicos. Fala o que o eleitor quer ouvir, mas sem maquiagem, sofisma. Por isso, Vanderlan vem conquistando a confiança do goianiense”.

“Político das antigas”

A ausência de Iris Rezende (PMDB) nos debates organizados pelas emissoras de rádio e televisão é, para o pesquisador e professor Luiz Signates, um sinal de que o candidato quer se preservar de ataques, mas que empobrece a disputa. “O Iris é um político das antigas, da qual faz parte a prática de estar na frente das pesquisas e não ir a debates e sabatinas para não virar a vitrine de possíveis ataques”.

De acordo com Signates, a tática pode ser interpretada como de único objetivo: eleitoral. “Em uma campanha pobre em recursos financeiros como a deste ano, quando você tem um debate, por exemplo, e o candidato que é o favorito não vai isso em nada contribui para a discussão das propostas ou ao processo”, analisa.

Para ele, em uma disputa eleitoral em que as campanhas estão completamente sem dinheiro e o veículo mais direto para que um candidato tenha contato com o eleitor e apresente as suas propostas, com a discussão com outros concorrentes, se dá nos debates. “Essa escolha por não participar atrapalha inclusive o Iris a fazer suas ideias chegarem ao eleitor”.

 

 

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