Comunistas querem eleger a primeira prefeita de Goiânia
Redação DM
Publicado em 5 de abril de 2016 às 02:16 | Atualizado há 10 anos
Denise Carvalho é um nome conhecido em Goiânia. Nos anos 1980 liderou o movimento “pula-catraca”, no qual os estudantes reivindicavam a meia passagem de ônibus. Foi eleita vereadora em 1988, quando participou da promulgação da Lei Orgânica do Município, em seguida, foi deputada estadual por três mandatos consecutivos de 1992 até 2003. No seu mandato aprovou projeto de lei garantindo a meia entrada para estudantes em cinemas e espetáculos artísticos e o desconto de 50% no transporte coletivo. Denise foi secretária de Ciência e Tecnologia no governo de Marconi Perillo (1999-2003) e secretária da Mulher no governo de Alcides Rodrigues (2007-2010). Em resumo: Denise Carvalho reúne militância nos movimentos sociais com experiência parlamentar e na administração pública.
Em Goiânia, como de resto, na maioria das cidades do país, as mulheres são em maior número do que os homens. Apesar disto, são subrepresentadas no Legislativo Municipal, onde há apenas três vereadoras numa casa com 35 cadeiras. O desafio de Denise é sensibilizar o eleitorado feminino para garantir a eleição da primeira prefeita da capital. Para Denise, as mulheres também têm uma forma diferente de exercer o poder. “É um estilo mais coletivo, de harmonização, de busca da construção coletiva das soluções. Exerci quatro mandatos parlamentares e dois de secretária de estado e em todas essas funções a gente percebe a diferença: é mais agregador, mais coletivo, mais colegiado”, salienta.
A pré-candidata tem debatido suas idéias nas redes sociais e no portal de notícias de seu partido, onde tem feito críticas ao que considera falta de políticas e planejamento de longo prazo por parte dos últimos prefeitos na capital. “Não conseguiram fazer ações planejadas, integradas, estratégicas, pensadas a médio e longo prazo. Todo muito pautado no imediatismo, na ineficiência de uma máquina obsoleta”, condena.
O remédio para esta ausência de planejamento, segundo Denise Caravalho, é resgatar os canais de participação popular. “Há uma grande reclamação da população sobre a inexistência da escuta das prioridades. Goiânia já teve algumas experiências de governos progressistas no passado e que implementaram ações como o Orçamento Participativo. Mas isso foi abandonado nas três últimas gestões. A discussão das prioridades então é toda muito questionada pelo conjunto da população”, declara.
Denise conta que tem retomado a ideia de democratização das discussões. “Começamos a lançar e vamos intensificar em janeiro um movimento que se chama Ouvindo Goiânia. E o programa dessa pré-candidatura à Prefeitura será todo montado a partir da escuta da população. Vamos percorrer todas as regiões fazendo discussões, ouvindo prioridades e, a partir daí, vão nascer as propostas”, explica.
De acordo com ela, a ideia é se opor à prática usual de elaboração de programas técnicos que chegam à população apenas por meio da propaganda. “Queremos já na elaboração das prioridades duas coisas: pensá-la estrategicamente e para o longo prazo. E apresentar soluções para questões imediatas ouvindo a população”.
Outro aspecto que pretende trabalhar junto à população é a construção de um sentimento de pertencimento à cidade. “Quando falamos dessa grande migração de pessoas para Goiânia, estamos sempre ressaltando que precisamos construir isso. O senso de identidade deve ser valorizado. Não pode haver uma invisibilidade das diferentes culturas que compõem a cidade. E na escuta a gente vai vendo a forma de tratar isso”, declara.
Desde 1988, com a candidatura do deputado federal Aldo Arantes, o PC do B tem colocado nomes à prefeitura de Goiânia. E neste ano, novamente os vermelhos se preparam para o embate. Além de apontar a pré-candidatura de Denise Carvalho, o partido tem feito reuniões com pré-candidatos a vereador, visando a construção de uma chapa própria. Com ricos batendo panelas, ou fascistas pondo fogo em sedes do partido Brasil afora, nada intimida os comunistas, que preferem exercitar o jogo democrático, através da livre escolha do eleitor, do que estimular aventuras golpistas. Que venha Denise, e os comunistas, para enriquecer o debate, espantando o ódio coxinha com idéias e um debate civilizatório. Denise é boa de debate, e deve colocar os hidrófobos iludidos pela Rede Globo no seu devido lugar. (Com informações do portal Vermelho)