“Daniel Vilela veste a cueca do governo do avesso”, diz Ernesto Roller
Redação DM
Publicado em 9 de agosto de 2018 às 02:01 | Atualizado há 8 anos
A formatação das chapas majoritárias mostrou que o governo estadual chegou fragilizado ao processo eleitoral e que o deputado federal Daniel Vilela (MDB) perdeu o discurso que tentava emplacar de oposição ao se associar a um dos principais aliados da base governista. A avaliação é do ex-prefeito Ernesto Roller (MDB), que, em entrevista ao Diário da Manhã, afirma que Ronaldo Caiado (Democratas) é o candidato que deu maior demonstração de força ao fim do prazo para a realização das convenções partidárias em Goiás.
Na entrevista, Ernesto Roller critica o fato de o discurso de Daniel Vilela não ser condizente com o que realmente faz. “É por isso que a política hoje está desacreditava. Porque alguns políticos falam uma coisa e fazem outra totalmente diferente. O pai dele, Maguito Vilela, chegou a dizer que o senador vestia a camisa do governo do avesso. Pois o que podemos dizer agora é que Daniel Vilela usa a cueca do governo do avesso. Se é que é do avesso. Porque ele se aliou ao golden boy dce Marconi Perillo”, afirmou.
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
Terminado o prazo das convenções e com as chapas majoritárias já formadas, que avaliação o senhor faz dos principais candidatos? Quem sai mais fortalecido?
Entendo que houve perdas e ganhos para os candidatos em diversos aspectos. O governo estadual enfrenta a perda de cinco partidos que compunham a sua base em 2014 e que estiveram com ele até o início deste ano. Inegavelmente teve uma grande perda. Por outro lado, a candidatura de Daniel Vilela sofreu um dos mais fortes revezes que foi a saída do deputado federal Pedro Chaves (MDB), que alegou questões pessoais mas que sabemos que existem aí outras nuances que dizem respeito à preferência pela candidatura ao Senado que chegou depois. Tanto é verdade que ele colocou o próprio pai, o ex-governador Maguito Vilela, na suplência. No campo da candidatura de Ronaldo Caiado avalio que não houve perdas, só ganhos. Começamos uma conversa com um grupo de partidos que mantivemos e houve a agregação de outros, chegando ao número de 13. E temos ainda chapas muito competitivas para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. Neste balanço, a formatação da candidatura de Ronaldo Caiado foi muito positiva.
José Eliton acabou optando por uma chapa majoritária praticamente pura. Como o senhor avalia?
Vejo que o chamado tempo novo se exauriu. Uma das grandes provas disso é que o governo formou uma chapa pura para concorrer às eleições deste ano. Ficou muito claro para os seus aliados que tudo é para o PSDB, o que desestimula e desagrega. É muito mais a tentativa de consolidação do grupo que está no poder do que qualquer outra coisa. Alguns partidos migraram para a oposição exatamente por falta de espaço para crescimento, por não terem atendidas as suas reivindicações e por não participarem de decisões. Não posso avaliar pelos partidos em si, mas posso dizer que é um sinal claro de que o tempo novo–que não é mais novo assim–incorre no erro de achar-se messiânico e que suas decisões precisam prevalecer.
No discurso de Marconi Perillo durante a convenção do PSDB, o ex-governador afirmou que não é hora da população dar um tiro no escuro e apostar na mudança. O que o senhor achou dessa fala?
Nesse momento creio que Marconi Perillo participava de um programa humorístico, só pode. É por demais absurdo imaginar que um grupo político que não deu conta de resolver os problemas da segurança, da saúde, da educação, e que não apresentou um resultado satisfatório de trabalho para a população queira que ela continue insistindo nesse fracasso. Sinceramente acredito que era uma piada, uma ironia. Não se pode levar a sério uma declaração dessa. Até porque ele é o grande exemplo disso. Em 1998 ele derrotou o MDB, que vinha hegemônico, e agora é seu próprio grupo que está chegando ao fim. E o mais preparado hoje para ocupar o governo é Ronaldo Caiado, por ser um político ficha limpa que tem postura ética.
Daniel Vilela foi um grande crítico da formação da chapa de Ronaldo Caiado e chegou a dizer que aqueles que deixavam o governo para aderir ao seu projeto eram farinha do mesmo saco. No fim acabou compondo com o PP e PRB, que era do governo. Acha que perdeu muito em discurso?
Quando ele deu essa declaração eu disse que é por isso que a política hoje está desacreditava. Porque alguns políticos falam uma coisa e fazem outra totalmente diferente. O pai dele, Maguito Vilela,a chegou a dizer que o senador vestia a camisa do governo do avesso. Pois o que podemos dizer agora é que Daniel Vilela usa a cueca do governo do avesso. Se é que é do avesso. Porque ele se aliou ao golden boy dce Marconi Perillo. Quem é que não se lembra disso? Nós, por outro lado, recebemos partidos que faziam parte da base governista mas não do núcleo duro do encaminhamento político, da decisão política. Diferente do PP, que é um partido comandado pelo golden boy. Por isso que digo que esse discurso é absolutamente impróprio. Esse episódio deixa claro que o que ele fala não faz. Tanto é quereeditouapanelinha, colocando seu pai na suplência do Senado.
O fato de o pai dele ocupar uma vaga na suplência de Vanderlan Cardoso, que foi grande crítico de Iris Rezende nas eleições de 2016, também pode atrapalhar esse discurso?
Isso quem vai precisar dizer é Iris Rezende e Vanderlan Cardoso. Vanderlan Cardoso vai ter de deixar claro que as críticas que fez ao prefeito estão mantidas. É importante que alguém pergunte isso a ele.
Muito se fala em uma articulação de Michel Temer em favor de Daniel Vilela. O senhor acredita que houve essa intervenção?
Todos sabem que Daniel Vilela é o candidato de Michel Temer em Goiás. Na minha visão esse apoio não será positivo para Daniel Vilela, até pelos números de rejeição que aparecem em todas as avaliações do governo federal. O candidato de Michel Temer terá de defendê-lo e, com isso, encontrará grandes dificuldades.
Todos sabem que Daniel Vilela é o candidato de Michel Temer em Goiás. Na minha visão esse apoio não será positivo para Daniel Vilela, até pelos números de rejeição”