Política

Darrot abandona PSDB e escancara crise tucana

Redação DM

Publicado em 5 de março de 2021 às 12:06 | Atualizado há 5 anos

O anúncio de que o ex-prefeito e empresário Jânio Darrot abandonaria a legenda e presidência do PSDB não foi surpresa para quem acompanha os bastidores da política.

Já se especulava que ele estava prestes a sair do grupo de origem: a estratégia de defesa do ‘legado’ tucano não colou e Darrot também não concordava com ela.

“Era preciso cortar qualquer relação com o passado recente para dar certo”, teria dito para uma tucana que o procurou.

“Sua reputação estava em risco”, diz um outro político ligado ao ex-presidente tucano, que segue a linha de que o PSDB precisa de “novos ares”. Internamente, Darrot pregava renovação “verdadeira”. De fora, um grupo esperava o tempo passar, numa estratégia semelhante ao que o PT fez nacionalmente.   

O teste das urnas em 2020 provou que Darrot estava certo, mas que nada mudaria. De fato, a legenda não mudou e tornou-se coadjuvante, gerindo agora pequenos municípios sem força nas urnas.   

Por tudo isso, na última quarta-feira, 3, o antigo mandatário formalizou a saída. Mas Darrot foi estratégico: limpou as gavetas e levou uma prefeitura.

Explica-se: em 2020, reelegeu seu sucessor em Trindade, Marden Júnior (Patriota). E tudo fora do PSDB, até então seu próprio partido, numa jogada que impressionou os tucanos pela ousadia.  

Sua saída nesta semana ocorre um mês após o PSDB criar um fato atípico: antecipar o debate eleitoral de 2022. Há um mês a legenda fez reunião e enviou comunicado explícito para a imprensa com a definição de que Zé Eliton comandaria a legenda [fato que se confirmou na quarta-feira], Darrot seria candidato ao governo pelo PSDB e Marconi disputaria vaga de deputado federal.

Sem Entorno

Na reunião de fevereiro do PSDB, a ausência do deputado federal Célio Silveira, o quadro político mais importante da legenda, foi amplamente notada.

Médico, ex-presidente da Assembleia Legislativa e parlamentar pela legenda que representa o Entorno do Distrito Federal, Célio não abre mão da reeleição e deverá contar com apoio de prefeitos governistas.  Na ponta do lápis, sabe que não existem duas vagas para federais no partido.

Uma disputa para deputado federal exige planejamento. Os votos são realmente “contados”.

A experiência do ex-senador Demóstenes Torres, considerado figura pública nacional, é um exemplo: dentro do grupo tucano, teve uma votação pífia de 27.801 votos em 2018. Sua derrota o levou a se aposentar da política e acender um sinal de alerta para os demais.  

Com a posição sólida de Célio no Entorno, Marconi pode tentar “entrar” na Câmara Federal por Aparecida de Goiânia.

Recentemente ele se aproximou de grupo de vereadores e agentes ligados ao prefeito Gustavo Mendanha (MDB).

Existem duas vagas na região que estão atualmente preenchidas na Câmara: Glaustin da Fokus (PSC) e Alcides Ribeiro (Progressistas).

Um outro nome desponta na região, do ex-senador Wilder Morais (PSC), que no primeiro embate frente a Marconi, em 2018, saiu-se vitorioso nas urnas. O jogo será mais difícil do que em 2018.   

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