Política

Deputados rejeitam candidatura de Baldy

Redação DM

Publicado em 13 de maio de 2015 às 23:00 | Atualizado há 1 ano

 

Os deputados estaduais do PSDB não veem com bons olhos a postulação do deputado federal Alexandre Baldy, que se lançou candidato à presidência do partido. Ontem, na tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado Nédio Leite foi o primeiro a se manifestar. Representante de municípios do Vale do São Patrício, Nédio lançou preocupação com os diretórios municipais que lhe apoiam. Entende que o partido está sendo bem conduzido e que é melhor que o presidente do PSDB, em Goiás, não tenha mandato. “Numa eleição, corre-se  risco de haver mudanças nos diretórios em função de interesses de candidatura, o que não é bom. Os dirigentes do partido apoiam o governador desde quando ele estava na oposição e e não devem ser mudados”, frisa.

A fala de Nédio pautou a preocupação de outros tucanos. Fundador da legenda em Goiás, o deputado estadual Mané de Oliveira lembra que é uma tradição do PSDB goiano não ter mandato. Lembra que desde a presidência de Antônio Faleiros, passando pela de Paulinho de Jesus, os dirigentes tucanos não tem mandato. “Não condordo com este acúmulo de funções. Quem tem mandato deve cuidar do mandato, e a direção do partido deve ficar com dirigentes sem mandato”, assinala. Entre os possíveis nomes para suceder Paulo de Jesus, o deputado cita o ex-deputado Afreni Gonçalves.

Iso Moreira, cuja principal base eleitoral é o Nordeste Goiano, também acha que a tradição do partido deve ser mantida. “Estou satisfeito com o trabalho do nosso presidente Paulinho de Jesus e acho que deve continuar assim. Se for para mudar, o Afreni é um bom nome, assim como o ex-deputado Padre Ferreira (Marco Antônio Ferreira, de Rio Verde)”.

Além de desconfiança dos deputados estaduais em relação à postulação de um parlamentar à presidência da legenda, pesa também contra o anapolino Alexandre Baldy a guerra declarada contra a secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão. Baldy caminha para ficar isolado ao abrir duas frentes de batalha, uma contra o governo, outra contra os interesses paroquiais dos tucanos na Assembleia Legislativa.

Lobby

Baldy é genro do empresário Marcelo Limirio, do grupo NeoQuímica e um dos líderes do Fórum Empresarial. Uma de suas críticas à Sefaz é contra do decreto do Fundo Protege que reduz créditos de ICMS para empresas com incentivos fiscais, a antecipação do pagamento de ICMS do dia 10 para o dia 5 e a adesão de Goiás ao convênio 70 no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que abre caminho para redução ou unificação da alíquota de ICMS. Na prática, Baldy é contra medidas do governo do Estado que reduz as vantagens que há 20 anos os grandes grupos empresariais goianos têm, com descontos no pagamento do ICMS, enquanto as micro e pequenas empresas pagam a alíquota cheia do mesmo imposto.

Ontem, o furo de reportagem do DM, do jornalista Hélmiton Prateado, trouxe decisão do Ministério Público de investigar a remissão bilionária de ICMS do grupo JBS-Friboi. O juiz Eduardo Machado, da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual, determinou a quebra do sigilo fiscal de todas as razões sociais do frigorífico JBS com sede em Goiás para investigar as condições do perdão fiscal que a empresa conseguiu no final do ano passado. A empresa quitou uma dívida de R$ 1,3 bilhão para com o fisco estadual relativa a ICMS, com multas, juros e correção monetária. A dívida foi reduzida para uma parcela de R$ 150 milhões à vista e R$ 170 milhões parcelados em 60 vezes.

Certamente, toda bravata do deputado Alexandre Baldy demostra que ele está, neste momento, na contramão dos acontecimentos.

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