Derrubada de veto pode beneficiar Bolsonaro e mais de 200 mil condenados no Brasil
Léo Carvalho
Publicado em 30 de abril de 2026 às 16:11 | Atualizado há 2 meses
Congresso Nacional impôs nova derrota ao governo Lula ao derrubar veto e aprovar regras que reduzem penas de condenados | Foto: Reprodução
O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30) o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei que reduz penas de condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro. A medida também pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como um dos principais atingidos pela mudança.
A votação ocorreu em sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A análise do veto aconteceu após outra derrota do governo no mesmo dia: a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
O que muda com a nova lei
O texto aprovado determina que as penas por golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito não sejam somadas automaticamente quando ocorrerem dentro do mesmo contexto.
Nesse caso, será aplicada apenas a punição mais grave, com aumento que pode variar de um sexto à metade da pena.
Além disso, a proposta prevê:
- redução de um a dois terços da pena para crimes tentados praticados em meio a multidões, desde que o condenado não tenha financiado nem liderado a ação;
- progressão de regime com cumprimento mínimo de um sexto da pena;
- flexibilização das regras para mudança de regime, independentemente de reincidência.
Articulação política no Congresso
O projeto surgiu como alternativa ao texto original que concedia anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e na suposta trama golpista. Durante a tramitação no Senado, parlamentares aprovaram emenda sugerida por Sergio Moro para restringir a redução de penas aos crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Como a alteração foi considerada apenas de redação, a proposta não precisou retornar à Câmara e seguiu diretamente para sanção presidencial. Lula vetou integralmente o projeto ao alegar inconstitucionalidade e afronta ao interesse público. Na justificativa, o presidente afirmou que a medida poderia incentivar ataques à democracia e representar retrocesso no processo de redemocratização do país.
Segundo Lula, o texto também fere princípios constitucionais como proporcionalidade, isonomia e impessoalidade.
Impacto para Bolsonaro e demais condenados
A nova regra pode reduzir significativamente penas relacionadas aos atos golpistas e à tentativa de ruptura institucional.
No caso de Bolsonaro, estimativas apontam que eventual tempo em regime fechado poderia cair de um intervalo entre seis e oito anos para algo entre dois anos e quatro meses e quatro anos e dois meses, dependendo da interpretação jurídica.
A discussão, porém, deve chegar novamente ao Supremo Tribunal Federal, que poderá decidir sobre a validade da lei e sua aplicação retroativa.
Efeito colateral
Além dos casos ligados ao 8 de Janeiro, a derrubada do veto pode beneficiar mais de 200 mil presos condenados por outros crimes no Brasil.
Isso porque o texto amplia a possibilidade de remição de pena por estudo ou trabalho para pessoas em prisão domiciliar, benefício hoje restrito a situações específicas autorizadas pela Justiça.