Diante de Zelenski, Lula condena ‘violação territorial da Ucrânia’
Redação DM
Publicado em 22 de maio de 2023 às 14:36 | Atualizado há 3 anos
Na primeira crítica explícita à Rússia ao longo da cúpula do G-7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu mudar o tom e afirmou que o presidente Vladimir Putin deveria se explicar à Organização das Nações Unidas (ONU) pela invasão da Ucrânia, novamente condenada por ele. A declaração foi feita de improviso – não consta do discurso oficial – durante a sessão “Rumo a um mundo pacífico, estável e próspero” e ocorreu na presença do presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski. Lula também condenou a violação da integridade territorial da Ucrânia.
“Em linha com a Carta das Nações Unidas, repudiamos veementemente o uso da força como meio de resolver disputas. Condenamos a violação da integridade territorial da Ucrânia. Ao mesmo tempo, a cada dia em que os combates prosseguem, aumentam o sofrimento humano, a perda de vidas e a destruição de lares. Tenho repetido quase à exaustão que é preciso falar da paz”, disse Lula.
Lula também defendeu que a guerra na Ucrânia seja discutida pelas Nações Unidas. De acordo com o Itamaraty, Lula falou de improviso sobre o tema durante a reunião – que foi fechada para a imprensa. O presidente Lula afirmou que os envolvidos no conflito – incluindo o presidente russo, Vladimir Putin – deveriam se explicar no âmbito da ONU. No discurso, o presidente brasileiro também voltou a defender a reforma no Conselho de Segurança da ONU: “A falta de reforma do Conselho de Segurança é o componente incontornável do problema. O Conselho encontra-se mais paralisado do que nunca. Membros permanentes continuam a longa tradição de travar guerras não autorizadas pelo órgão, seja em busca de expansão territorial, seja em busca de mudança de regime”, disse o presidente durante o discurso na sessão de trabalho “Rumo a um mundo pacífico, estável e próspero”, que começou ao meio-dia de domingo no Japão (meia-noite de domingo pelo horário de Brasília).
Para o brasileiro, “os mecanismos multilaterais de prevenção e resolução de conflitos já não funcionam” e é preciso lembrar que as guerras hoje “vão muito além da Europa”, destacando o Oriente Médio e o Haiti.
Lula também fez uma crítica indireta a EUA, França e Reino Unido, também presentes, dizendo que os “membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU continuam a longa tradição de travar guerras não autorizadas pelo órgão”, não só com expansão territorial, caso da Rússia, mas “em busca de mudança de regime”
O presidente ucraniano deu uma coletiva de imprensa em Hiroshima na noite de ontem e, em seguida, já retorna a Kiev. Lula decola para o Brasil hoje cedo, depois de uma coletiva de imprensa.
Para além da agenda, uma hipótese é que o encontro não tenha acontecido por questões de segurança. Zelenski está em uma restrita e com segurança reforçada na cidade japonesa, enquanto o presidente Lula passou o dia em reuniões no hotel em que está hospedado em Hiroshima considerado mais vulnerável.
O pedido para o encontro bilateral partiu de Zelenski, no início do sábado, mas a demora em confirmar a agenda gerou rumores de que Lula poderia recusar o encontro para não desagradar à Rússia A mesma solicitação havia sido feita pelo ucraniano à Índia e o primeiro-ministro Narendra Modi o recebeu no mesmo dia.
“Temos muito em comum”, diz premiê canadense sobre líder do PT
O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, afirmou ter “muito em comum” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem se encontrou no domingo em Hiroshima, às margens da cúpula do G-7. Os líderes conversaram sobre sobre comércio, proteção do meio ambiente, a situação no hemisfério e a guerra na Ucrânia, de acordo com informações do governo brasileiro.
A guerra travada pela Rússia contra a Ucrânia é um dos principais temas do G-7, grupo coeso no apoio a Kiev. O Brasil, que se declara neutro no conflito, participa na condição de convidado.
Para Trudeau, as suas convergências com Lula incluem a preservação ambiental. “Temos muito em comum, seja nas questões de meio ambiente, povos originários, parcerias, seja apoiando os trabalhadores e criando um futuro melhor para todos. Esses são alguns dos assuntos globais sobre os quais desejo falar. É um grande prazer me encontrar com Lula”, disse o premiê canadense.
Em sua fala inicial, Lula destacou que o encontro com Trudeau é “extremamente importante para o Brasil” para potencialmente dobrar as relações comerciais entre os dois países.
“Interessa ao Brasil conversar com o Canadá sobre a questão do clima. A questão do clima mexe com o mundo inteiro, tem muita gente falando e pouca gente fazendo o que tem que ser feito, acordos muitas vezes não são cumpridos”, afirmou o presidente.
A agenda com Trudeau foi a sexta reunião bilateral travada no G-7. Lula fica em Hiroshima até amanhã cedo, pelo horário local, quando pretende conceder uma coletiva de imprensa. Até o momento, o presidente brasileiro já conversou com líderes da Austrália, Japão, Indonésia, França e Alemanha, além da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).