Dilma reage ao golpe e cobra provas de Moro
Redação DM
Publicado em 2 de julho de 2015 às 02:37 | Atualizado há 2 anos
A presidente Dilma Rousseff (PT) resolveu enfrentar a República do Paraná, comandada pelo juiz Sérgio Moro, composta por procuradores antipetistas e agentes da Polícia Federal, que na campanha de 2014 postaram em suas páginas no Facebook ataques ao PT e elogios ao candidato Aécio Neves (conforme matéria publidada pelo jornal O Estado de S.Paulo em 13/11/2014 – http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,delegados-da-lava-jato-exaltam-aecio-e-atacam-pt-na-rede,1591953) Vale lembrar que a esposa de Moro, Rosângela Wolf, é assessora jurídica do PSDB (http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/12/esposa-juiz-sergio-moro-e-assessora-psdb.html.
Em Washington, onde concedeu entrevista ao lado do presidente Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff disse que não vai demitir ministros baseada em denúncias veiculadas pela imprensa e acrescentou que condenar sem provas é uma prática da Idade Média. “Estranhamente, há um vazamento seletivo que alguns têm. E aí, durante um tempo, podem falar o que quiser porque aqueles que são mencionados não têm como se defender, porque não sabem do que são acusados”, disse.
Sobre o vazamento da delação de Ricardo Pessoa, Dilma alfinetou o juiz Sérgio Moro ao dizer que não se pode condenar alguém sem provas. “A obrigação da prova é ser formada com fundamentos e não simplesmente com ilações ou sem acesso às peças acusatórias. Isso é um tanto quanto Idade Média, então não é isso que se pratica hoje no Brasil”.
Direito de defesa
No fim de semana, jornais publicaram trechos da delação premiada do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, em que o executivo cita dois ministros próximos da presidente Dilma Rousseff – da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva – como beneficiários do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.
“Nunca demiti ministro, ou aceitei ministro nomeado pela imprensa ou demitido pela imprensa. E, assim sendo, vou aguardar toda a divulgação dos fatos para avaliar a situação. Agora, em princípio, acredito que seja necessário pelo menos que todos nós tenhamos acesso a mesma coisa. O governo brasileiro não tem acesso aos autos”, reclamou.
Dilma acrescentou que é preciso respeitar o direito à defesa, conquistado com a democracia e que não se pode condenar alguém sem provas. “A obrigação da prova é ser formada com fundamentos e não simplesmente com ilações ou sem acesso às peças acusatórias. Isso é um tanto quanto Idade Média, então não é isso que se pratica hoje no Brasil”.
A presidente também defendeu a Petrobras. Disse que as denúncias de corrupção que envolveram alguns diretores não podem ser generalizadas para toda a estatal e que agora a empresa está bem gerida. “A Petrobras não é uma empresa sub judice. A Petrobras é uma empresa em pleno uso da sua atividade”.

Delator
“Eu não respeito delator”, disse a presidente Dilma Rousseff na tarde de segunda-feira (29/6), em sua primeira reação pública ao depoimento do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa. Em breve conversa com a imprensa após encerrar, em Nova York, um seminário sobre oportunidades de investimento em infraestrutura no Brasil, ela disse: “Não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo porque, se insinuam, alguns têm interesses políticos”.
Dilma citou o tucano Aécio Neves, argumentando que se ela recebeu R$ 7,5 milhões da UTC no segundo turno da campanha presidencial de 2014, o candidato do PSDB também foi agraciado “com uma diferença muito pequena de valores”.
– A minha campanha recebeu dinheiro legal, registrado, de R$ 7 milhões, R$ 7,5 milhões. Na mesma época que eu recebi os recursos, pelo menos uma das vezes, o candidato que concorreu comigo recebeu também, com uma diferença muito pequena de valores – dissse Dilma para depois acrescentar ao ser perguntada se estava falando de Aécio Neves: – Eu estou falando do Aécio Neves, só tinha um candidato que concorreu comigo, não tinham dois.
A presidente lembrou que aprendeu cedo a não gostar de Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Inconfidência Mineira:
– Tem uma coisa que me acompanhou ao longo da vida. Em Minas, na escola, quando você aprende sobre a Inconfidência Mineira, tem um personagem que a gente não gosta porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. Ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator.
Joaquim Silvério dos Reis foi responsável por delatar à Coroa portuguesa a Inconfidência Mineira, movimento pela proclamação da República em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG).
E recorreu, mais uma vez, à sua experiência durante a ditadura (que a Rede Globo apoiou com entusiasmo):
– Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em uma delatora; a ditadura fazia isso com as pessoas presas. E eu garanto para vocês que eu resisti bravamente, até em alguns momentos fui mal interpretada, quando eu disse que, em tortura, a gente tem de resistir, porque senão você entrega seus presos. Então, não respeito nenhum. Agora, acho que a Justiça deve pegar tudo o que ele disse e investigar. Tudo, sem exceção. A Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.
Quando a perguntaram se pretende tomar alguma providência, ela foi categórica:
– Se ele falar sobre mim, eu tomo. (Com informações do site Conversa Afiada e da Agência Brasil, através das correspondentes em Luana Lourenço e Paulo Victor Chagas)