“É correto negociar emendas e apoiar Lula na economia”
Redação DM
Publicado em 12 de julho de 2023 às 15:47 | Atualizado há 3 anosDepois de uma briga ferrenha no WhatsApp entre bolsonaristas e deputados que votaram com o governo, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, distribuiu um comunicado nesta terça-feira, 11, em que tenta pacificar os ânimos desses grupos rivais na bancada do partido na Câmara dos Deputados.
Em um recado aos bolsonaristas que insinuaram que houve recompensa financeira em emendas parlamentares aos deputados que votaram com o governo pela aprovação da reforma tributária, apesar do pedido em contrário do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Valdemar disse que “é correto negociar emendas” com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Se o atual governo apresentar uma pauta boa para o país, esse presidente que está aí não precisa gastar orçamento pra ter o nosso voto, pois todos seremos a favor. Da mesma forma que, se uma determinada região precisar de uma emenda parlamentar, de uma obra, de um programa social, é correto que esse parlamentar cuide do seu povo e melhore a qualidade de vida de quem o elegeu”, diz Valdemar no comunicado distribuído aos deputados do PL.
“Muitos parlamentares foram eleitos com apoio de prefeitos e vereadores e precisam levar benefícios para suas regiões e seu povo. E se, para isso, precisarem votar com o governo em pautas específicas, que façam”, acrescentou o presidente do partido de Bolsonaro.
O presidente da sigla alegou que, mesmo se deputados votarem com o governo, o partido continuará na oposição. Mas indicou que não apoiará represálias ou assédio contra deputados do PL que votarem alinhados ao governo em pautas econômicas. Valdemar cobra e fala em união apenas ao votar em projetos que tratem costumes, que ataquem os valores “da família, da fé cristã, do agro, das crianças”. “E, para que não fique dúvida, somos um partido de oposição. E ficaremos unidos nas pautas conservadoras que a direita sempre defende”, disse o presidente do PL.
Em referência à reforma tributária, na qual 20 deputados do PL apoiaram o governo, o que motivou ataques de bolsonaristas no grupo de WhatsApp, Valdemar disse que cada deputado terá seu apoio para votar pautas econômicas como preferir. “Por outro lado, se entrarem pautas boas para a economia, de gestão governamental como arcabouços, reforma tributária e que refletem em questões regionais, cada um precisa votar no que for melhor para o povo o elegeu”, afirmou o presidente do PL.
Deputados atacados por bolsonaristas esperavam uma defesa mais enfática de Valdemar, ou uma repreensão mais severa ao grupo fiel ao ex-presidente que fez ataques pessoais. Mas Valdemar acenou para os dois lados no comunicado e disse que “é preciso respeitar a liberdade de opinião” tanto nas redes sociais como nos discursos.
Por fim, Valdemar fez no comunicado um agrado a Bolsonaro, depois que deputados do PL falaram publicamente em divergências com as pautas do ex-presidente.
Reforma tributária causa confusão em grupo de Whatsapp do PL
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ), teve que suspender o grupo de Whatsapp do PL, após uma confusão entre parlamentares da legenda que divergiram na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária. A informação foi revelada nesta segunda-feira (10/7), pela jornalista Andréia Sadi.
De acordo com a publicação, os políticos contrários ao projeto ofenderam correligionários que se posicionaram favoráveis. A assessoria de Altineu Côrtes afirmou que o líder do PL “interrompeu por alguns minutos só para acalmar os ânimos”.
Gustavo Gayer (GO), Julia Zanatta (SC), Carlos Jordy (RJ) e André Fernandes (CE)— contra a proposta — seriam alguns dos políticos que postaram os insultos. Os deputados Vinicius Gurgel (AP), Luciano Vieira (RJ) e o licenciado Yuri do Paredão (CE) foram os atacados pelo grupo.
Durante a briga, o líder da sigla ainda tentou apaziguar os ânimos e afirmou que o partido deve respeitar o posicionamento escolhido por cada um. No entanto, a discussão escalou e partiu para as ofensas. Côrtes alertou que iria acionar o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para estabelecer limites.
O PL é o maior partido da Câmara, com 99 deputados, e orientou seus membros a votar contra a PEC. No entanto, 20 foram favoráveis no primeiro turno e 18 no segundo. O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a declarar que a sigla não votaria na “reforma do PT”.