“É preciso ouvir as pessoas”
Redação DM
Publicado em 16 de setembro de 2016 às 02:17 | Atualizado há 10 anos- Com apoios importantes, Vanderlan diz que não teme adversário no segundo turno e aposta numa plataforma que privilegia a descentralização administrativa, a saúde, a segurança e a geração de emprego e renda
A solução para os problemas de Goiânia vem do povo. O povo sabe exatamente quais são as prioridades que o prefeito deve ter. Com essa diretriz, que pode parecer simples, o candidato a prefeito Vanderlan Cardoso (PSB) tem feito uma campanha “ouvindo as pessoas”. A estratégia tem dado resultado: o nome do empresário tem apresentado bom crescimento nas pesquisas, a ponto de ele projetar um empate ou até mesmo a liderança ao se abrirem as urnas do primeiro turno.
Dono da maior aliança dessas eleições, Vanderlan tem aproveitado o grande tempo de televisão para apresentar propostas. Algumas delas, destaca, com grande aceitação pelo eleitor. Como o projeto de descentralização administrativa que vai “multiplicar” a prefeitura por oito, levando os serviços da administração para mais perto dos cidadãos. Cita, ainda, seu projeto para a saúde, testado quando foi prefeito de Senador Canedo, onde a gestão da saúde foi premiada nacionalmente.
Aos 55 anos, casado com a também empresária Isaura Cardoso, com quem tem dois filhos, um casal, Vanderlan afirma que não teme adversário no segundo turno. Sobre Iris Rezende (PMDB), que hoje lidera as pesquisas, afirma que já o enfrentou duas vezes na disputa pelo governo do Estado e que encara qualquer um com o mesma disposição para defender sua plataforma, que classifica como mais moderna e inovadora, enquanto que o adversário tem uma visão tradicional da gestão pública.
Vanderlan celebrou o apoio do governador Marconi Perillo: “Para nós, foi motivo de alegria e satisfação; não somente dele, mas de outras lideranças que se somaram ao projeto”, diz, referindo-se ao grupo de partidos que integram a base aliada.
Apesar do apoio de Marconi, Vanderlan não abre mão de suas convicções. Ele é categórico ao afirmar que não vai transferir a gestão da saúde para OS (organização social), já que sua experiência credencia uma gestão pela administração direta. “Cada um tem sua maneira de administrar. A saúde no Estado é de uma maneira; no município é de outra”.
Para ele, que vai trabalhar para ter o apoio de todos os adversários que não forem ao segundo turno, urge uma grande aliança por Goiânia, sem restrição a cor partidária. “É preciso todos se darem as mãos para resgatar Goiânia. Eu não vou em hipótese alguma trabalhar sem ir atrás das parcerias, com o governo do Estado, o governo federal, para implantar os polos, com a concessão de áreas, incentivos fiscais, treinamento de mão de obra, infraestrutura, viadutos. São muitas parcerias que Goiânia perdeu nos últimos anos”, alerta.
Vanderlan, que atendeu ao DM ontem pela manhã, antes de embarcar para Campinas (SP), onde gravou um programa de TV sobre desburocratização administrativa, falou de vários outros temas da campanha. Acompanhe a seguir:
VEJA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
Diário da Manhã – O senhor foi prefeito de Senador Canedo e fez uma administração muito bem avaliada. É possível repetir essa experiência em Goiânia, uma cidade bem maior?
Vanderlan Cardoso – Com certeza. Trabalhando com gestão, com responsabilidade, focando e perseguindo os resultados. Assim, dá para fazer um excelente trabalho em Goiânia. Vamos fazer para Goiânia melhor do que fizemos em Senador Canedo. Guardadas as devidas proporções, Goiânia tem 20% a mais de orçamento que Senador Canedo.
DM – Qual estratégia o senhor vai adotar nesta reta final de campanha para chegar no segundo turno das eleições?
Vanderlan – O que temos adotado até agora, que tem dado resultado. Vamos continuar com esta mesma estratégia: fazendo caminhadas, ouvindo a população, cumprimentando, nos dedicando e apresentando nossas propostas no horário eleitoral. Está dando certo, não vamos mudar o foco. Vamos continuar com essa maneira que a gente vem fazendo até agora. Vamos, com certeza, chegar até o fim do primeiro turno já bem colado, talvez até à frente do primeiro colocado. A estratégia é muito trabalho. Nada resiste ao trabalho. É o que a gente vem fazendo, apresentando propostas com muita seriedade, levando-as à nossa população.
DM – Chegando ao segundo turno, o senhor vai buscar apoio dos demais candidatos, Adriana Accorsi, Delegado Waldir?
Vanderlan – Olha, primeiramente nós vamos trabalhar para estar no segundo turno. O segundo turno é uma caixa de surpresas. Eu não sei quem vai estar nele. Com certeza, vamos trabalhar para ter apoio daqueles que não forem para o segundo turno.
DM – O senhor tem alguma preocupação de ter um embate direto com o ex-governador Iris Rezende no segundo turno?
Vanderlan – De forma alguma. Já disputei eleições com ele para governo do Estado duas vezes. Estou preparadíssimo para o embate com qualquer um que for para o segundo turno. Acho que candidato que se dispõe para um projeto tão grande como este tem que estar preparado para enfrentar qualquer coisa.
DM – E a parceria com o governador Marconi Perillo? O senhor também disputou com ele e agora ele está apoiando este projeto do senhor. Por que ele decidiu fazer isso agora?
Vanderlan – O partido do governador Marconi Perillo, o PSDB, trabalhou para ter candidatura, mas ela não foi viabilizada e, por isso, ele, junto a alguns partidos que compõem a base de seu governo, está nos apoiando. Para nós, foi motivo de alegria por ter, não somente o apoio dele, mas também de todas essas pessoas que são importantes para o nosso projeto. Nesta reta final agora, vendo o que foi feito, vamos ver o resultado disso, colhendo bons frutos.
DM – Como esse apoio do governador pode facilitar uma eventual administração do senhor na prefeitura a partir do ano que vem?
Vanderlan – Goiânia precisa dessa parceria. As últimas administrações que governaram Goiânia não souberam buscar essa parceria. Não quiseram, por questões políticas, rivalidades antigas, brigas antigas, ranço político. Ou seja, Goiânia está sendo governada nos últimos anos com o fígado, com rancor. Eu não vou buscar parcerias apenas com o governo do Estado. Eu vou buscá-las também com o governo federal, com os deputados, tanto estaduais como federais, vereadores, senadores; com todos aqueles que queiram ajudar e queiram resgatar Goiânia dessa situação em que ela se encontra.
DM – Em relação às OSs. O senhor continua contrário a elas, mesmo o governador sendo favorável?
Vanderlan – Sou contra sim. Cada um tem sua maneira de administrar. A saúde no Estado é de uma maneira; no município, de outra. Por exemplo: nós temos como bandeira principal chegar a 100% de cobertura no Programa Saúde da Família. E esse programa é federal. Existe a participação da prefeitura e do governo do Estado. Então, é uma saúde completamente diferente. Eu fiz uma das melhores gestões de saúde do Brasil quando administrei Senador Canedo. Entramos com uma administração direta, da própria prefeitura.
DM – Mas o senhor não fez parcerias privadas lá?
Vanderlan – Fiz sim. Fui buscar parcerias com os profissionais liberais, como médicos, dentistas, enfermeiros e também com hospitais particulares. Também Fomos buscar parcerias com os laboratórios. Então, vou fazer o que for de melhor e, como deu resultado em Senador Canedo, vou implantar do mesmo jeito aqui em Goiânia, adaptando para a cidade de Goiânia. Sem OSs. Administrei sem OSs.
DM – Sobre as propostas do senhor para Goiânia. Quais são as três principais ou a principal para mudar essa realidade da Capital?
Vanderan – São muitas as nossas propostas e uma complementa a outra. A principal é a das administrações regionais. Não dá mais para administrar Goiânia só de uma região. Serão oito administrações regionais, com investimento maciço. Por meio do PSF, vamos melhorar a nossa saúde, a fim de levar esse atendimento à população mais carente, que mais precisa. Temos ainda projeto de geração de emprego e renda, com a criação dos distritos industriais, e a criação dos polos de desenvolvimento, com polos de confecção, polo de marcenaria, de serralheria, calçadista, moveleiro; um polo de tecnologia. São muitos os polos que queremos criar em Goiânia para gerar renda e eemprego em cada uma dessas regionais. Teremos também investimentos no esporte, na cultura e na segurança, através da segurança primária, que é obrigação do município.
DM – Pode detalhar melhor a proposta para a segurança?
Vanderlan – Eu vou liderar as parcerias na área da segurança através do fortalecimento da Guarda Municipal, dos conselhos de segurança, de parcerias com o Ministério Público, o Judiciário, Polícia Militar, Polícia Civil; convocar a população para estar realmente em um só rumo, buscando um só resultado, que é a melhoria da nossa segurança e da qualidade de vida.
DM – O senhor falou no PSF, mas já tem esse programa em Goiânia…
Vanderlan – O problema é a cobertura. Goiânia tem que ter uma cobertura maior desse programa. Hoje, diz-se de 43%, mas grande parte somente no papel. Não está funcionando mesmo! Então, nós vamos investir no Programa Saúde da Família, passar dos atuais 43% para 80% no primeiro ano de mandato e chegar a 100% em quatro anos.
DM – Por que é um entusiasta do PSF?
Vanderlan – Porque é preciso tratar a doença quando ela começa a dar sinais, com cada equipe com médico, enfermeira, dentista e com sua farmácia, com seus agentes de saúde e de endemias. E junto com isso teremos os centros de especialidades médicas, com fisioterapia, e com atendimento domiciliar quando for o caso. Se precisar de tratamento especializado, vai ao especialista. Precisou de cirurgia, vamos trabalhar com os hospitais já existentes, com a compra pelo preço justo desses serviços.
DM – E os Cais nesse sistema?
Vanderlan – Os Cais e as UPAs são para quando a doença chega. Nós vamos equipar para que esses profissionais do PSF possam ir trabalhar com condições e ferramentas para desenvolver um bom trabalho. E, com isso, com o investimento no PSF, vamos diminuir os custos, a superlotação dos Cais, com um atendimento mais humano para a nossa população.
DM – Os Cais têm problemas graves. O que o senhor fará para resolver?
Vanderlan – É de fato uma grande e justa reivindicação do povo de Goiânia. Vamos botar para funcionar, com estrutura digna para pacientes e trabalhadores da saúde. Faltam pediatras, por exemplo, e vamos suprir de imediato em todas as unidades e nas UPAs.
DM – O senhor falou sobre a descentralização da prefeitura. Como vai funcionar isso?
Vanderlan – A descentralização vai vir por meio das oito regionais. Goiânia já é uma metrópole e não dá pra administrar de um único local. Nós vamos dividir a cidade em oito regionais. Uma já existe, então vão ser mais sete, com toda base de apoio, com maquinário para poda de árvores, recolhimento de lixo, atendimento nos moldes dos Vapt Vupt para os serviços municipais, além dos polos de desenvolvimento para cada uma delas, de acordo com a vocação de cada região.
DM – E esses polos, com serão?
Vanderlan – Primeiro, serão empresas não poluentes. Pretendemos com eles fortalecer também a geração de emprego e renda. Vamos atrair outros polos, como o de tecnologia; atrair esses empreendedores e gerar renda para o município, arrecadação e qualidade de vida para a população, como ocorreu em Campinas, no Estado de São Paulo, e hoje a cidade já colhe os frutos.
DM – O senhor disse lá atrás que Goiânia vem sendo administrada com o fígado. O que isso signfica?
Vanderlan – Quando eu digo administrar com o fígado é com rancor, com ódio. Goiânia chegou no fundo do poço, a cidade não aguenta mais um ano sendo administrada do jeito que está. Então, passadas as eleições, é preciso a todos se darem as mãos para resgatar Goiânia. Eu não vou em hipótese alguma trabalhar sem ir atrás das parcerias, com o governo do Estado, para a implantação dos polos, com a concessão de áreas e de incentivos fiscais; treinamento de mão de obra e infraestrutura, como os viadutos. São muitas as parcerias que Goiânia perdeu nos últimos anos. Eu disputei as eleições em 2004 contra o candidato do governador à época e, mesmo assim, no outro dia, depois das eleições, eu estava lá no palácio do governo em busca de parcerias.
DM – E conseguiu?
Vanderlan – Consegui, como a instalação de quatro empresas, instalação do Vapt Vupt para fortalecimento do comércio, moradia popular. Muitos dos projetos vieram do governo estadual e também do federal, como na saúde, na educação, na moradia. Eu não fechei o munícipio para receber parcerias. Eu vou procurar até a oposição para ajudar a tirar Goiânia desse caos administrativo e político dos últimos anos.
DM – Gostaria de acrescentar algo?
Quero dizer que eu estou preparado para administrar Goiânia e entrar para a história como um dos melhores prefeitos que Goiânia já teve. Por isso, peço o apoio e o voto de todos os leitores da nossa capital.
“Sou contra as OSs. Cada um tem sua maneira de administrar. A saúde no Estado é de uma maneira; no município, de outra”
“Goiânia está sendo governada com rancor. Eu não! Vou buscar parcerias com o Estado, governo federal, deputados e todos que queiram ajudar”
“Vamos fazer para Goiânia melhor do que fizemos em Senador Canedo. Proporcionalmente, o orçamento daqui é 20% maior”