Política

Economista frisa que bancadas devem recusar Rodrigo Maia e Eunício Oliveira

Redação DM

Publicado em 14 de janeiro de 2017 às 01:21 | Atualizado há 2 anos

  • Legenda teria o terceiro maior número de senadores da República, explica o trotskista
  • DEM e PMDB foram protagonistas no golpe e abençoam ultraliberalismo de Michel Temer
  • Se aceitar composição, PT pode ganhar até 80 nomeações. Cretinismo parlamentar, diz

 

– Nem Rodrigo Maia, muito menos Eunício Oliveira!

 

É o que o PT deve executar, dia 2 de fevereiro de 2017, nas eleições na Câmara Federal e no Senado da República. A proposta é do economista Markus Sokol. Membro da Direção Nacional da legenda, ele é o porta-voz da Corrente O Trabalho, a seção brasileira da Quarta Internacional. A central mundial da revolução fundada em setembro de 1938, na França, por Liev Davidovich Bronstein, ‘nom de guerre’ Leon Trotsky, nascido em 7 de novembro de 1879, em Yanovka, Ucrânia, e que liderou, ao lado de Vladimir licih Ulianov, codinome Lênin, advogado de inde-fectível cavanhaque, a revolução de outubro de 1917, na gélida Rússia. Século XX.

– O uso do cachimbo deixou a boca torta?

O PT definirá o seu caminho dia 16 de janeiro. O engraçado é que Rodrigo Maia, ícone dos democratas, filho de César Maia, é o nome abençoado pelo Palácio do Planalto para a presidência da Câmara dos Deputados. Eunício de Oliveira [PMDB-CE] é a opção à sucessão de Renan Calheiros [PMDB-AL]. Com a água benta de Michel Temer, o vice que se tornou presidente da República após um golpe que depôs Dilma Vana Rousseff e sem receber um voto sequer. O regimento no Congresso Nacional prevê a composição proporcional das mesas diretoras. Não custa lembrar: o PT possui, hoje, a segunda maior bancada na Câmara Federal e a terceira, no Senado. Para obter o apoio do PT, Rodrigo Maia faz ameaças ostensivas.

– Já há petistas justificando o voto em Rodrigo Maia no primeiro turno!

É o que afirma, indignado, Markus Sokol, o ex-guerrilheiro da VAR – Palmares [Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares], organização que adotou a estratégia de luta armada contra a ditadura civil e militar e que contou, em seus quadros, com o capitão da guerrilha, Carlos Lamarca, executado, no sertão da Bahia, em setembro de 1971, e com Dilma Rousseff, então estudante de Economia, presa e torturada em São Paulo no turbulento ano de 1970. O revolucionário socialista conta que a OSI surgiu, em novembro de 1976, com a fusão da Orga-nização Marxista Brasileira [OMB], Fração Bolchevique e Organização Comunista 1º de maio.

– O Jornal O Trabalho foi lançado em 1º de maio de 1978.

O dirigente nacional do PT lembra que a indicação de Jorge Viana, do Acre, à vice-presidência de Renan Calheiro, “não serviu para muita coisa à época do golpe”. “Se a composição das mesas diretoras não é exatamente como a aliança para governar, o resultado pode ser ainda mais vergonhoso: compor com os líderes do golpe e desmoralizar a luta contra o golpismo e o ‘Fora, Temer!’, observa ele. A explicação é de um ‘cretinismo parlamentar’ vexatório, ataca. “Os cargos que, segundo a mídia, poderiam chegar a 80 nomeações”, dispara o ‘enfant terrible’ que não ocupou cargos nas eras Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, em Brasília.

– É um recorde de cretinismo parlamentar! [É o que fuzila Markus Sokol, com razão]

Markus Sokol relata que o novo líder do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zaratini [SP], afirma que a discussão sobre apoiar ou não golpista seria secundária. Crítico, ele lamenta que o deputado federal do PC do B, legenda da foice e do martelo que nasceu em 1962, deflagrou a guerrilha do Araguaia [1972-1975] e sofreu a Queda da Lapa, em 1976, Orlando Silva [SP], ex-ministro dos Esportes, estaria em campanha aberta pela reeleição do democrata Rodrigo Maia. O PT deve sair o quanto antes desse pântano, insiste o líder trotskista. A Direção Nacional deve puxar as bancadas na Câmara Federal e no Senado para outra direção, defende, animado.

– Existem alternativas nas duas casas de leis:  lançar nome próprio, apoiar um nome anti-golpista e até mesmo abster-se. Golpe branco.

 

É o mínimo que se espera de um partido político de oposição, adianta. Ainda mais face a um governo golpista, registra. O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos afirmou ao Diário da Manhã que o impeachment de Dilma Rousseff teria sido um golpe branco. O intelectual da Universidade de Coimbra vê semelhanças com a queda de Manuel Zelaya, em Honduras, no ano de 2009, e a deposição de Fernando Lugo, ligado à ala progressista da Igreja Católica, no Paraguai, em 2012. Ensaios para 2016 no Brasil, um País de dimensão continental. Em tempo: PT, PC do B, PSOL, PDT e um setor da Rede Sustentabilidade se opuseram ao golpe.

 

Renato Dias, 49 anos, é formado em Jornalismo, graduado em Sociologia, com especializações em Políticas Públicas e Gestão da Qualidade, e mestrado em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento. É autor de ‘1964 – 2016 – Página Infeliz da Nossa História – Golpe depõe Dilma Rousseff e anuncia um futuro a Temer’; ‘Não – Os sem-gravata – A crise na Grécia, a Troika e o Syriza’; ‘O Menino que a ditadura matou’; ‘Luta Armada/ALN-Molipo – As 4 mortes de Maria Augusta Thomaz’; ‘Cuba, hoje’; ‘História – Para Além do Jornal’

 

PERFIL

Nome: Markus Sokol

Formação: Economista

Partido: PT

Corrente: O Trabalho

Bloco: Diálogo Petista

Linhagem: Trotskista

 

 

O uso do cachimbo deixou a boca torta?”

Markus Sokol,Economista e membro da corrente O Trabalho

 

 

É um recorde de cretinismo parlamentar!”

Markus Sokol,Economista e membro da corrente O Trabalho

 

 

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia