Ele não tem carro, anda de ônibus, usa saúde pública e ataca o “golpe”
Redação DM
Publicado em 10 de setembro de 2016 às 01:27 | Atualizado há 10 anos- Militante sofre com a morte da mulher, doença do filho, mas continua nas lutas do cotidiano
- Reinaldo Pantaleão diz que impeachment é golpe de Estado e ataca Michel Temer [PMDB-SP]
- Professor das redes pública e privada, ele denuncia as reformas Previdenciária e Trabalhista
- Radical de esquerda, foi do PCB, ALN, MDB, fundou o PT, passou pelo PCdoB e está no PSol
Em seus 65 anos de história, ele já integrou o Partido Comunista Brasileiro [PCB], legenda dirigida pelo Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes. Mais: militou na Ação Libertadora Nacional [ALN], organização de luta armada contra a ditadura civil e militar fundada pelo carbonário baiano filho de um italiano com uma negra da etnia Haussá, Carlos Marighella. O homem ingressou também, tempos depois, no ‘Manda Brasa’, velho MDB, a oposição institucional aos generais e civis de plantão de 1966 a 1980. Formado em História, fundou o PT, saiu após os escândalos de corrupção, teve passagem curta pelo PCdoB e resolveu compor o Partido Socialismo e Liberdade {PSol], ao lado de Jean Wyllys [RJ], Chico Alencar [RJ], Luciana Genro [RS], Ivan Valente [SP], Luiza Erundina [SP] e Flávio Sofiati [GO]. Acertou quem pensou no velho professor das redes pública e privada de ensino, Reinaldo de Assis Pantaleão.
– Impeachment, sem crime de responsabilidade, é golpe!
Eleição indireta
É o que diz o esquerdista, que anda de ônibus, mora no Conjunto Itatiaia, de onde sai todos os dia pela manhã para protestar contra a eleição indireta de Michel Temer, a quem classifica como ‘usurpador golpista’. Membro da Frente do Povo Sem Medo, o educador sofre com uma doença degenerativa do filho, arruma forças para equilibrar-se emocionalmente e denunciar as reformas ultraliberais anunciadas pelo Palácio do Planalto. A Reforma da Previdência Social, que pretende elevar a idade mínima para aposentadoria de homens e mulheres para 65 anos de idade. Não custa lembrar: nas regiões norte e nordeste do Brasil, a expectativa média de vida é de apenas 67 ou 68 anos. As mudanças nas regras preveem ainda a desvinculação do sistema de aposentadorias com os reajustes do salário mínimo. O governo federal, denuncia o PSol, espera mexer também no Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço, o FGTS, desabafa.
– Tempos sombrios …
O historiador lembra que Getúlio Vargas, chamado de ‘O Pai dos Pobres’, deixou como legado, além da cultura nacional-estatista, direitos estabelecidos na Consolidação das Leis Trabalhistas [CLT]. É o que Michel Temer pretende destruir, avisa. A ideia é ‘precarizar’ ainda mais as relações de trabalho no País para aumentar os lucros já estratosféricos do capital, em uma nação que contabiliza 12 milhões de desempregados, ataca. Como nos tempos da ‘Privataria Tucana’ [1995-1998 e 1999-2002], o homem que veio do Palácio do Jaburu tem um ousado projeto de privatizações. O Pré-Sal está na lista, com a bênção de José Serra [PSDB-SP], alerta. É a entrega, a preço de banana, do patrimônio público para as corporações nacionais e transnacionais, vocifera. A concepção de Estado Mínimo, formulada por Margareth Tatcher [Inglaterra] e Ronald Reagan [EUA], que fracassou com FHC, volta hoje com novo layout, frisa.
– É necessário derrotar esse projeto neoliberal nas ruas e no parlamento!
Os cortes orçamentários executados por Henrique Meirelles, o goiano que virou ministro da Fazenda, retirarão 30% dos recursos para os programas sociais e as áreas de Saúde e Educação, lamenta. As universidades públicas correm o risco de fecharem as suas portas, desabafa. Os funcionários dos bancos públicos deflagraram greve geral por tempo indeterminado, por ataques a seus direitos legítimos, defende. Manifestação realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, Capital, em 4 de setembro, a mesma data da captura do embaixador dos EUA no Brasil, em 1969, Charles Burke Elbrick, um liberal, por um comando revolucionário da ALN e do MR-8, reuniu, não apenas 40 pessoas, como ironizou Michel Temer, mas cem mil pessoas em defesa da democracia, por antecipação das eleições diretas para a Presidência da República e contra a modernização conservadora, discursa ele.
– É a luta de classes e a demonstração de que a História não chegou ao fim, como decretou Francis Fukuyama!
História do Brasil
Apreciador da obra de Eric Hobsbawn, Reinaldo Pantaleão compara trágicos momentos da História brasileira. O suicídio de Getúlio Vargas, nacional-estatista, em 1954, a tentativa da revolta de Aragarças, contra Juscelino Kubitschek, em 1956, a renúncia de Jânio Quadros e a sua tentativa de volta por cima, em agosto de 1961, o golpe de Estado Civil e Militar de 1964, que depôs o presidente da República, João Belchior Goulart, os 21 anos de sombras no País, a conciliação pelo alto, a derrota das Diretas Já e o aborto da revolução democrática com a instalação da Nova República, em 1985, assim como a deposição, sem crime de responsabilidade, da ex-guerrilheira da VAR-Palmares [Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares], a economista nascida em Belo Horizonte e radicada em Porto Alegre, Dilma Rousseff, ocorrida no trágico dia 31 de agosto, no Senado da República, explica ele.
– A história, como Karl Marx aponta, em tragédia e farsa!
O pesquisador vê a queda, no turbulento ano de 2009, do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, um nacionalista que havia sido seduzido pela plataforma da Aliança Bolivariana Para as Américas, a Alba, criada por Hugo Chávez, assim como o impeachment, em prazo relâmpago, de apenas 24 horas, do ex-bispo da Igreja Católica, um homem que professava a liturgia da Teologia da Libertação, Fernando Lugo, em 2012, no Paraguai, que faz fronteira com o Brasil, como ‘ensaios ou laboratórios’ para o golpe parlamentar no País. O golpe no Brasil teve, sim, um suporte do aparato policial e jurídico do Estado, em conluio com os grandes conglomerados de comunicação, e o silêncio misterioso da Casa Branca, denuncia. Os seguintes países protestaram: Equador, com Rafael Correa; Bolívia, de Evo Morales; Venezuela, do motorista chavista Nicolás Maduro; Nicarágua, de Daniel Ortega; de Cuba, com Raúl Castro, e também tímidos protestos do Chile, de Michele Bachelet, e de Tabaré Vazquez, do Uruguai.
– Assim como o repúdio total do velho Pepe Mujica, símbolo da esquerda latino-americana.
65 É a idade do’esquerdista’Reinaldo Pantaleão
Perfil
Nome: Reinaldo de Assis Pantaleão
Estado civil: Viúvo
Idade: 65 anos
Partido: PSol
Formação: História
Linhagem: Marxista
Projeto: É candidato a vereador
CRONOLOGIA
1964 Golpe de Estado no Brasil
1968 Revoltas e o AI-5 em dezembro
1973 Esgotamento do milagre econômico
1976 É candidato a vereador: MDB
1977 Participa da campanha pela Anistia até 1979
1980 É fundador do PT
1985 É contra ida ao Colégio Eleitoral
1989 Na campanha de Lula
2005 Escândalo do Mensalão
2012 É candidato a prefeito de Goiânia
2014 É dirigente do PSol
2016 É candidato a vereador
Fonte: PSOL [GO]