Eliton e Daniel: desafios para a sucessão estadual
Redação DM
Publicado em 5 de abril de 2017 às 02:52 | Atualizado há 1 ano
Os dois maiores partidos de Goiás e adversários históricos desde 1998 – PSDB e PMDB – já se movimentam, a mais de um ano das eleições, em busca de fortalecer as pré-candidaturas ao governo de Goiás.
De um lado, o vice-governador José Eliton iniciou uma série de conversações com os presidentes dos partidos que integram a base aliada do governo Marconi e, também, maratona de visitas ao interior do estado para contatos com prefeitos, vereadores e lideranças políticas.
De outro, o deputado federal e presidente estadual do PMDB, Daniel Vilela, coordena os chamados encontros regionais do partido, com o objetivo de oxigenar o projeto eleitoral de 2018. Já esteve em Porangatu, São Luiz do Norte e Doverlândia, quando reuniu os prefeitos circunvizinhos para estimular candidaturas a deputado federal e estadual e buscar subsídios para o seu plano de governo.
No poder desde 1998, o PSDB e aliados, sob o comando do governador Marconi Perillo, comemoram cinco sucessivas vitórias sobre o PMDB de Iris Rezende e de Maguito Vilela na corrida ao Palácio das Esmeraldas, Em 2016, os tucanos elegeram 77 prefeitos e já contam com 80 e esperam chegar a 100, até dezembro, dos 246 existentes em Goiás. O PMDB elegeu apenas 42 prefeitos e já sofre defecções, já que alguns deles começaram a migrar para a base governista.
Trunfos e dificuldades
Lançado pelo governador Marconi Perillo, em novembro do ano passado, como o nome do PSDB para a disputa ao Palácio das Esmeraldas, no pleito do ano que vem, o vice-governador José Eliton tem o desafio de confirmar apoio dos 17 partidos e dos quase 200 prefeitos que formam a chamada base aliada.
A experiência administrativa, conquistada no exercício da presidência da Celg e das secretarias de Desenvolvimento Econômico e Segurança Pública, e ainda a pespectiva de que assumirá o governo do estado em abril de 2018, com a eventual desincompatibilização do governador Marconi Perillo, são trunfos de José Eliton na sua jornada de consolidar-se como o nome do PSDB e de aliados para a sucessão estadual. É vice-governador pela segunda vez, como companheiro de Marconi Perillo nas eleições de 2010 e 2014.
O vice-governador tem reforço à sua pré-campanha: o governo Marconi vai investir R$ 6,1 bilhões em obras de infraestrutura nos 246 municípios goianos, em 2017 e 2018. Só com a venda da Celg D, o Estado já recebeu R4 1,1 bilhão. Todos prefeitos receberão recursos para realização de obras, sem discriminação partidária, assegura o Palácio das Esmeraldas.
José Eliton se vê diante de algumas dificuldades na base aliada: o PSD de Vilmar Rocha fala em ter candidato próprio a governador ou a senador. O próprio Vilmar se coloca como pré-candidato a cargo majoritário, ele que é secretário estadual de Cidades e presidente do PSD no estado. Mas se fala, também, que o deputado federal Thiago Peixoto poderá ser a opção do PSD para a futura chapa majoritária da base governista, como candidato a vice-governador do tucano José Eliton.
Se não há adversário para José Eliton na disputa pela candidatura a governador na base aliada, os problemas se localizam em relação às vagas ao Senado. O governador Marconi Perillo tem vaga garantida, caso seja candidato a senador em 2018.
A disputa é acirrada para a segunda vaga, principalmente depois que o governador anunciou voto para a reeleição do senador Wilder Morais (PP).
Os deputados federais Jovair Arantes (PTB), João Campos (PRB), Magda Mofatto (PR) e Roberto Balestra (PP), além do ex-deputado Vilmar Rocha (PSD), colocam seus nomes na briga pela segunda vaga ao Senado. Lúcia Vânia (PSB) também quer disputar o terceiro mandato ao Senado, de preferência com apoio da base aliada.
Ao final do processo de escolha dos candidatos a governador, vice e dois senadores, certamente, haverá descontentes na base marconista. Mas José Eliton confia na forte estrutura dos governistas nos municípios goianos e na liderança consolidada do governador Marconi Perillo que, desde 1998, lidera as vitórias majoritárias do PSDB e aliados.
Já o deputado Daniel Vilela busca firmar seu nome junto às bases peemedebistas explorando o discurso de que o partido precisa apresentar um nome novo ao eleitorado goiano. Ele tem, também, como trunfo, o fato de ter reestruturado os diretórios municipais do PMDB, o que, em tese, lhe assegura apoio da maioria dos delegados do partido à convenção de julho do ano que vem, convenção que vai definir o nome para a disputa ao governo de Goiás.
Daniel Vilela sabe que, se não se firmar na preferência do eleitorado – as pesquisas vão balizar isso no tempo certo –, o PMDB poderá buscar outra alternativa, o próprio pai do deputado, o ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, ou até mesmo o prefeito de Goiânia, Iris Rezende.
A falta de experiência administrativa pode conspirar contra as aspirações de Daniel Vilela na corrida interna pela escolha do candidato peemedebista ao governo estadual. Foi vereador em Goiânia, deputado estadual e exerce o primeiro mandato como deputado federal.
No PMDB, sabe-se que os aliados de Iris Rezende resistem ao projeto de Daniel Vilela, embora o prefeito de Goiânia tem dito que estará no palanque do nome que for consagrado na convenção para a disputa à sucessão estadual. A primeira dama de Goiânia, Iris Araújo comanda a “tropa de choque” anti-Daniel Vilela. Em 2015, Daniel conquistou a presidência do diretório do PMDB goiano, impondo derrota ao grupo de Iris Rezende, representando na disputa pelo ex-prefeito de Bom Jardim de Goiás, Nailton de Oliveira.
O senador Ronaldo Caiado, embora seja do DEM, é uma sombra sobre Daniel Vilela. Não se sabe qual caminho Caiado irá tomar. Ele tem a simpatia do prefeito Iris Rezende, mas será que vai trocar o DEM pelo PMDB e medir forças com Daniel Vilela no partido?
As conversações entre os seguidores de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela prosseguem, sob o argumento de que, dividida, a oposição poderá caminhar para a sexta derrota consecutiva para o grupo do governador Marconi Perillo na corrida ao Palácio das Esmeraldas.
As alianças, coligações e candidaturas aos cargos majoritários, tanto na base aliada quanto na oposição, serão confirmadas apenas em julho do ano que vem, quando os partidos farão convenções. Até lá, haverá muita movimentação política, conversações, encontros e raríssimas ou quase nenhuma definição sobre o cenário eleitoral para as eleições de 2018.
José Eliton de Figuerêdo Júnior
- Vice-governador do Estado de Goiás por duas vezes (2010 e 2014)
- Formou-se em Direito pela Universidade Católica de Goiás (hoje PUC-GO), em 1996. Advogado especializado em Direito Eleitoral
- Compôs a comissão de juristas do Senado Federal para elaboração do anteprojeto de reformulação do Código Eleitoral Brasileiro
- Foi tesoureiro do Instituto Goiano de Direito Eleitoral (IGDEL). Integrou a Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB-GO
- Presidente da Companhia Energética de Goiás (Celg-Par) em 2011
- Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED) em 2015
- Secretário de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) em 2016
- Partidos: DEM, PP e PSDB
Daniel Elias Carvalho Vilela
- Conquistou o primeiro mandato de vereador em Goiânia, em 2008
- Elegeu-se deputado estadual, em 2010
- Conquistou mandato de deputado federal em 201
- Na Câmara Federal, integra as comissões de Agricultura e Meio Ambiente, Trabalho e Serviço Público, e Mudanças Climáticas, entre outras
- Atuou como relator da Medida Provisória 680, que instituiu o Programa de Proteção ao Emprego
- Preside a Comissão Especial da Reforma Trabalhista
- Preside o diretório estadual do PMDB, eleito em 2016
- Bacharel em Direito pela Universo e pós-graduado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)
- Partido: PMDB