Política

Emedebistas não desistem de Iris, que desistiu de reeleição

Redação DM

Publicado em 29 de agosto de 2020 às 12:03 | Atualizado há 6 anos

O prefeito Iris Rezende (MDB) ainda está no jogo eleitoral e político. Até meados de setembro, quando a legislação começar a fechar portas de forma peremptória aos pré-candidatos, seu nome será ainda alternativa do MDB.

Entre pessoas próximas ao líder emedebista, contudo, é clara a informação: ele está realmente disposto a não disputar a Prefeitura. Iris respeita a opinião da família, que pediu ao prefeito um tempo maior daqui para frente. Outro fator decisivo: Iris “consertou” Goiânia do estrago deixado pela gestão anterior. Está em paz com ele mesmo.

Se Iris está decidido, o mesmo não se pode dizer dos integrantes de uma corrente política que se formou ao longo do tempo. Os iristas querem um novo mandato para o líder. Após suas palavras de despedida, alguns dos militantes chegaram a chorar. Um vereador que iria publicar a despedida ao “velho guerreiro”, por exemplo, se emocionou a tal ponto que na hora que o vídeo já estava quase publicado na rede social, hesitou: “Calma, que vamos convencer o prefeito de que ele é essencial para Goiânia. Vou guardar o vídeo de despedida. Iris vai continuar. Deleta essa postagem!”.

A mesma fé eletrizou os seguidores do prefeito nas últimas horas. Por mais que respeitem e entendam a posição de Iris, querem ter a certeza mesmo de que ele pretende se aposentar.  É ver para crer.

Nos bastidores, em absoluto, não existe nada que demonstre que a medida do prefeito seja irrevogável. Todavia, o grupo de iristas mais próximos diz que já tem um tempo em que o prefeito está focado 100% em finalizar obras. O grupo mais próximo – técnico, de servidores e familiares – segue silente e acatou o código do prefeito. Mas um aglomerado mais distante não aceitou suas palavras e tem organizado ações para fazê-lo rever sua decisão.   

Para este grupo, dois sinais são claros e evidentes de que o prefeito “tem tempo para mudar de ideia”: na terça-feira, 25, por exemplo, modificou o local de seu pronunciamento. E isso tem implicação eleitoral. Ou seja, não utilizou a máquina pública em benefício de campanha política ou para questões pessoais. Caso tivesse optado em se pronunciar no Paço Municipal, não existiriam riscos legais para um prefeito sem perspectiva de mandato pela frente. Assim, fez o certo para quem ainda pode decidir disputar as eleições.

O outro sinal seria mais complexo para a interpretação: Iris não apontou um “nome” na legenda. Não indicou quem seria seu sucessor nesta disputa.  É evidente que ele abre agora espaço para que correligionários decidam por outra candidatura. Mas e se ela não pegar? A projeção do nome do ex-governador Maguito Vilela (MDB) é aparentemente natural, mas é preciso lembrar que o eleitorado de Goiânia é diferente de outras cidades, como Aparecida de Goiânia, que o recebeu de braços abertos. Outra questão: o que dizem as pesquisas qualitativas? Elas são a senha de como o eleitorado interpretará o ‘frame’ público. Em caso de indicativo de derrota ou mesmo risco para a Capital diante de candidaturas populistas, como se comportará o prefeito?

Político de linhagem carismática, Iris atende aos “chamados”. É preciso que seja candidato não de vaidades ou projetos pessoais, mas de grupo. É um político de partido. Jamais traiu sua legenda. Por isso mesmo é de se ficar atento aos olhares dele e dos militantes. Nos bastidores, comenta-se que ao “chamado verdadeiro e urgente” da legenda, ele não negará a disputa.

Sob sua gestão, a Prefeitura de Goiânia se organizou. É fato: Goiânia enfrentou greves de coleta de lixo, de professores, na saúde, de fornecedores. E tudo voltou ao normal com Iris. Sob o temor da idade, especulava-se sua potencialidade para terminar este mandato. Pois bem, vai terminar. E sem tirar férias ou realizar afastamentos.

POLÍTICO DIFERENCIADO

Ao lado de Leopoldo de Bulhões (1856-1928) e Pedro Ludovico (1891-1979), Iris é o maior nome da política goiana em toda história.

Diferente dos dois, exerceu a política contemporânea e de massas, tornando-se dos três o que teve maior proeminência na democracia. Seu nome é referência do maior levante da sociedade civil brasileira, a campanha Diretas Já!

Ministro em duas gestões diferentes, senador e governador de Goiás, Iris consegue algo raro: ter dificuldades em se aposentar.  Quando muitos foram derrubados pela Justiça, prisão ou pelo voto popular, pode terminar sua história pública com grande capital político economizado ao longo do tempo. É como nos shows de artistas aclamados, que são convocados sempre para mais um bizz. Sua volta só ocorre devido aos aplausos insistentes. 

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