Política

Empreiteiro investigado cita Lula e Dilma em delação premiada

Redação DM

Publicado em 27 de junho de 2015 às 21:53 | Atualizado há 11 anos

 

 

Eduardo Militão, Paulo de Tarso Lyra, Júlia Chaib, André Shalders

A delação premiada do presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), joga de vez o escândalo da Petrobras no Palácio do Planalto. Ao longo dos 27 depoimentos prestados ao Ministério Público Federal (MPF) na sede do Ministério Público Militar, para não chamar a atenção da imprensa, ele confirmou o pagamento de R$ 62 milhões em doações para políticos de diversas legendas. Só dinheiro de caixa 2 para o PT, foram R$ 3,6 milhões. A delação premiada atenua a pena dos réus, mas perde efeito se for comprovada alguma mentira.

Para a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014, foram destinados R$ 7,5 milhões, enquanto R$ 2,4 milhões irrigaram a reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Lula e Dilma aparecem ao lado de 16 políticos. Todos receberam recursos que, segundo o empreiteiro são do esquema que sangrou os cofres da Petrobras. Diante dos novos fatos, a presidente convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto.

Parte da lista de Pessoa, divulgada na noite dessa sexta-feira (26) pela revista Veja, mostra doações oficiais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo levantou o Estado de Minas. Porém, a tese dos investigadores da Lava-Jato, embasada em depoimentos e transferências bancárias, é que doações no “caixa 1” foram usadas para mascarar pagamentos de propina das empreiteiras do esquema.

Outros petistas são listados. Um pagamento de R$ 250 mil para a campanha do atual chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, quando ele disputava a eleição para o governo de São Paulo, aparece na planilha. Tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, teria recebido os recursos destinados à disputa eleitoral. Também receberam doações da UTC o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (R$ 15 milhões); o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (R$ 3,2 milhões); o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (R$ 2,6 milhões); e o secretário municipal de Saúde de São Paulo, José de Fillipi (R$ 750 mil).

Também são citados políticos do PTB, PP, PMDB, PSDB, PSB. O senador Fernando Collor (PTB-AL) recebeu, no total, R$ 20 milhões, o maior montante de todos. Uma agenda até então desconhecida do empreiteiro, planilhas e demais documentos de Pessoa – que, segundo as investigações, era o coordenador do cartel de construtoras que lesava a Petrobras – devem atormentar ainda mais o meio político.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, os pagamentos feitos pela UTC Engenharia ao PT sob forma de caixa dois, que somaram R$ 3,6 milhões, incluíram repasses em 2010, 2011, 2012 e 2014 nas mãos de Filippi – totalizando R$ 750 mil. Para Vaccari, foram R$ 2,9 milhões, divididos em parcelas em 2011, 2012 e 2013.

 

 

 

 

 

 

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