“Estamos apanhando na Assembleia por erros do passado”
Redação DM
Publicado em 27 de junho de 2015 às 21:53 | Atualizado há 11 anos
Primeiro secretário na composição da mesa diretora da Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado Henrique Arantes (PTB) visitou a Redação do Diário da Manhã e ao conceder entrevista abordou pontos da legislatura e as conjunturas do partido para as eleições de 2016. Reeleito, o deputado já foi membro da Secretaria Estadual de Cidadania e Trabalho e neste mandato pretende concentrar trabalho no fortalecimento dos municípios.
Formado em História, o parlamentar é filho do deputado federal e presidente estadual do PTB, Jovair Arantes. Durante a entrevista, o deputado mencionou sobre as ações de transparência na Assembleia Legislativa, bem como projetos e avaliação das votações em âmbito nacional, como o desenrolar da reforma política. Henrique Arantes ainda defende a atuação da nova legislatura, que, de acordo com ele, está sofrendo críticas devido as ações das legislaturas anteriores.
Processos de transparência são um dos principais pontos dos projetos defendidos pelo parlamentar que vê a oposição e a base desempenhando seus respectivos papéis dentro do Legislativo. Para o deputado o PTB foi prejudicado por episódios de segurança partidária, mas para as eleições de 2016 pretendem buscar maior espaço político em Goiânia.
Entrevista
DM: Como o sr. está conduzindo o trabalho na Assembleia Legislativa ?
Henrique Arantes: Esse ano, não estamos mantendo pautas canalizadas, estamos votando de uma maneira rápida e tivemos uma frequência dos deputados, não absoluta, mas melhor que as legislaturas que passaram. Um grande número de debates sobre diversos temas onde a oposição faz a crítica e a base apresenta um contraponto. Acredito que o trabalho está indo legal até por ter um número de projetos. E, acredito que esteja fluindo bem, por exemplo, em 2010 quando fui eleito, projetos demoravam até três anos para serem aprovados, e nessa legislatura estamos conseguindo aprovações ou rejeições mais rápidas. Está tendo uma maior número de audiências públicas o que significa que os deputados querem trabalhar mais e se aproximarem da sociedade.
DM: Essa legislatura tem sido alvo de várias críticas. Como o sr. tem visto essas opiniões?
Henrique Arantes: Na verdade, as críticas que estão aparecendo quanto a funcionários fantasmas nós estamos sofrendo o que a Assembleia fez no passado e não é dessa legislatura. Mas acontece que estamos ali sofrendo por algo anterior e o que acontece agora é uma transparência bem maior da Casa, onde não se vê em nenhum outro poder, nem no Ministério Público que não tem o portal de transparência. A Assembleia é bem mais transparente que o Judiciário, Executivo e outros órgãos. Estamos apanhando pelo passado, mas agora tomamos medidas que aproximam da população e deixa mais evidente qualquer ação dos parlamentares.
DM: O Conselho de Ética vai induzir, de fato, maior transparência na Assembleia Legislativa?
Henrique Arantes: Se um deputado quebrar o decoro será caso de Conselho de Ética. Além de ser uma medida de transparência, será um mecanismo para apurar quaisquer desvios ou práticas ilegais dentro do Legislativo que foi, na Assembleia, o último a aderir.
DM: Em que ponto dessa legislatura o sr. acha que falta sintonia?
Henrique Arantes: Acho que falta nessa legislatura mais energia por parte das comissões temáticas. Vemos comissões importantes que às vezes se reúnem com um quórum pequeno, embora não seja um trabalho obrigatório da Casa. Mas acho que é tão importante quanto, pois é o momento dos debates importantes dos projetos e muitas pessoas se isentam disso. Quem participa intensifica o debate. Mesmo não sendo membro e não podendo votar por estar na mesa diretora, mas tenho voz e emito opinião para endossar as discussões.
DM: Como o PTB vem se preparando para as eleições de 2016? Poderá haver a desfiliação em massa do partido para alimentar outro projeto político?
Henrique Arantes: A possível fusão com o DEM, que foi levantada anteriormente, nos atrapalha bastante porque não se tinha uma segurança partidária para filiar pessoas. No interior, onde é o nosso forte, precisamos ter uma segurança. Esses episódios que passaram nos atrapalharam um pouco, mas essa insegurança também já passou e a possibilidade de desfiliação está praticamente descartada e a fusão parece que não vai haver mais. De toda forma atrapalhou porque já estamos na metade do ano e pouco tempo para trabalhar nas filiações.
DM: Houve conversas com o PHS e o Pros e há a possibilidade de filiações nesses partidos para fomentar projeto político nas eleições em Goiânia?
Henrique Arantes: Eu já conversei com o PSB, PSD, PSDB, o Pros conversou com o deputado Jovair Arantes e o PP conversou com o deputado Talles Barreto para vermos possíveis alianças para as eleições do ano que vem. Estamos tranquilos para tomar qualquer decisão e pensando principalmente nas eleições em Goiânia, onde não temos uma participação grande. Temos uma necessidade política maior em participar em Goiânia. A política pode ser outra amanhã. Tínhamos até o final do ano passado uma segurança, mas este ano surgiu certa insegurança que resultou nesses episódios. Hoje, acredito que está saneado e não há problemas, mas se amanhã houver, poder ter uma desfiliação em massa, caso haja problemas, que não é a realidade hoje.
DM: Quanto à reforma política, com o sr. tem avaliado esse processo de discussão e votação?
Henrique Arantes: Concordo com a opinião do presidente Eduardo Cunha que diz que quem mais lutava pela reforma política optou por não votar as mudanças e preferiu permanecer o sistema como está que é o PT. A verdade é que se vai para a votação e as pequenas mudanças não são tão consideráveis, pois as mais complexas, como o voto distrital, lista fechada, não foram votadas. Eles optaram por manter e acho nocivo porque defendo o voto distrital. Eleições unificadas poderiam facilitar a democracia e diminuir os custos. Defendo que o porte de armas poderia ser flexibilizado e que a venda de munições também para que o cidadão possa adquirir e penso que mal teria ser financiado por uma empresa de armas? Acho que seria uma prostituição ideológica que a pessoa pode ser armar e não ser financiado pelo mesmo ou receber recurso de quem pensa diferente. As pessoas tentam deturpar essa ideia e tem uma linha tênue entre o ideal e o erro, que temos que trilhar para não cometer erros.
DM: O que a participação de Eduardo Cunha representou na convenção do PTB?
Henrique Arantes: Ele foi praticamente nosso âncora e mostrou o prestígio que Jovair Arantes tem com ele, e no seu discurso exaltou a participação do nosso presidente, que é enérgico em Brasília, inclusive tentando aprovar pontos da reforma política que foram rejeitados. É semelhante ao caso da presidente que foi rejeitada por muitos, mas foi eleita e não podemos questionar. Não adianta pedir impeachment, a não ser que se tenha prova criminal.
DM: Sendo contra o impeachment sem provas, como o sr. avalia os rumos da gestão do governo federal?
Henrique Arantes: De certa forma avalio de forma delicada os ajustes do governo e não é por aí que fazemos economia. Acredito que é como a administração pública, se há dificuldades precisamos de ajustes internos. O ajuste que deveria fazer era na administração e não nos ajustes fiscais.
“Esse ano, não estamos mantendo pautas canalizadas, estamos votando de uma maneira rápida e tivemos uma frequência dos deputados, não absoluta, mas melhor que as legislaturas que passaram”
“Estamos tranquilos para tomar qualquer decisão e pensando principalmente nas eleições em Goiânia, onde não temos uma participação grande. Queremos participar na Capital”