Estudantes nas ruas contra reforma estudantil
Redação DM
Publicado em 19 de outubro de 2016 às 12:35 | Atualizado há 10 anosO movimento estudantil que combate a reforma do ensino médio e as Organizações Sociais (OS) na educação retomou com força os protestos em Goiás. Ontem, cerca de 500 deles em Goiânia e cidades da região do Entorno do Distrito Federal iniciaram a mobilização para questionar os efeitos das mudanças legislativas que se anunciam a partir de uma medida provisória – sem o debate prévio com a sociedade.
Apresentada em 22 de setembro, a MP n º 746 foi inserida no arcabouço jurídico do país com uma série de mudanças no sistema educacional. Uma das principais modificações diz respeito exatamente ao direito do estudante escolher que caminho seguir dentro da escola.
Desta forma, ele não seria obrigado a estudar o mesmo currículo que os demais. O que mais tem sido questionado até agora pelos estudantes diz respeito ao que entra ou não no currículo obrigatório. Pela reforma, disciplinas como sociologia ou filosofia deixam de ter a atual importância, quando são oferecidas para todos.
Em contrapartida, português, inglês e matemática passam a ser as disciplinas obrigatórias.
O protesto de ontem teve início na praça Universitária por volta das 17h e seguiu depois pela avenida Anhanguera em direção do Jardim Novo Mundo, na BR-153. No local, o grupo de estudantes impediu a movimentação e realizou atos de protesto contra o que chamam de Reforma Autoritária e Conservadora.
O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 241, que institui teto para gastos públicos, também foi alvo da ira dos estudantes e demais protestantes. A mobilização é a maior em Goiás desde a queda da ex-presidente Dilma Rousseff e reúne grupos diversos de estudantes, tanto secundaristas quanto universitários, com matizes ideológicas diferentes.
FOGO
Os estudantes colocaram fogo em pneus e utilizaram palavras de ordem contra o governo. O grupo também questionou o Governo de Goiás que deseja mudar o sistema educacional goiano a partir da utilização das organizações sociais. “Querem vender tudo, criar um ninho de corrupção agora que estão vendo suas tramas caírem. Estão vendendo a Celg. Amanhã será a Saneago. E hoje são as nossas escolas”, desabafou uma estudante, Juliana Aguiar, estudante de direito que participava dos protestos.
O grupo anunciou novas mobilizações contra os governos Federal e de Goiás, que anunciou ontem a intenção de repassar 23 escolas para a iniciativa privada por meio da gestão de OSs.
Ontem, ocorreram ocupações dos Instituto Federais localizados em Goiás: Águas Lindas, Anápolis, Gyn Oeste, Iporá, Valparaíso e IFG Campus Goiânia forma tomados por estudantes.
ANÁPOLIS
Ontem, a secretária de educação de Goiás, Raquel Teixeira, anunciou as OS’s que serão as gestoras de 23 escolas estaduais na região de Anápolis.
O Grupo Transparência e Resgate Social (GTR) receberá cerca de R$ 1 milhão por mês para gerir as instituições educacionais.