Política

Flávio descarta Eduardo na chancelaria e afasta Jair Bolsonaro de eventual governo

Redação Online

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 23:40 | Atualizado há 49 minutos

Flávio Bolsonaro participa de sabatina na TV Globo, conduzida por Renata Lo Prete, descarta nomeações do pai e do irmão e enfrenta questionamentos sobre financiamento de produção cinematográfica | Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro participa de sabatina na TV Globo, conduzida por Renata Lo Prete, descarta nomeações do pai e do irmão e enfrenta questionamentos sobre financiamento de produção cinematográfica | Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou, nesta sexta-feira (16/10), durante entrevista à TV Globo, que não pretende nomear o irmão Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores. Também declarou que a participação do pai, Jair Bolsonaro, em um eventual governo não integra seus planos atuais.

Flávio afirmou que o ex-presidente, condenado por tentativa de golpe de Estado e em prisão domiciliar, nunca solicitou uma função administrativa. A declaração contrariou especulações sobre a presença de familiares no primeiro escalão. Eduardo, que se mudou para os Estados Unidos em 2025, era citado por aliados como possível chanceler.

O ex-deputado perdeu o mandato parlamentar e o cargo na Polícia Federal. Condenado por coação no curso do processo relacionado ao julgamento do pai, teve a prisão decretada após o trânsito em julgado da decisão. Nos Estados Unidos, articulou sanções contra autoridades brasileiras e apoiou medidas comerciais adotadas pelo governo Donald Trump.

O presidenciável atribuiu seu voto favorável ao fim da escala 6×1 às conversas com trabalhadores durante viagens pelo país. Antes contrário à proposta, afirmou que reviu sua posição após constatar apoio popular à redução da jornada. Também declarou que não revogará a medida caso vença a eleição, embora tenha sinalizado a aliados a intenção de revisar pontos da PEC.

Flávio prometeu preservar aposentadorias, salário mínimo e investimentos constitucionais em saúde e educação. Para sustentar o ajuste fiscal defendido pela campanha, citou a extinção de dez ministérios, melhorias na administração das estatais e aproveitamento de imóveis públicos. Segundo ele, a gestão desse patrimônio poderia gerar R$ 200 bilhões em receitas.

O candidato voltou a criticar Alexandre de Moraes e contestou a conclusão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Também defendeu o impeachment de ministros e afirmou que a legislação deve alcançar todos os magistrados, inclusive Kassio Nunes Marques, indicado por seu pai.

Flávio não esclareceu o destino dos R$ 65 milhões transferidos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento de “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. O senador é investigado no STF em inquérito que apura possíveis crimes financeiros relacionados à operação. Ele classificou a negociação como privada e não apresentou documentos sobre a utilização dos recursos.

Durante a entrevista, Flávio comparou o investimento no filme ao patrocínio de Vorcaro a um programa de Luciano Huck. Também mencionou a demissão do executivo Frederic Kachar após a divulgação de conversas com o banqueiro. Renata Lo Prete rebateu a comparação e explicou que contratos publicitários seguem regras de transparência distintas das operações de financiamento cinematográfico.

A participação do presidenciável foi precedida por protestos com panelas em bairros de São Paulo e do Rio de Janeiro. A sabatina ocorreu um dia após a entrevista de Lula à emissora, em meio à disputa pelo segundo turno. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15/10) apontou empate técnico, com 51% dos votos válidos para Flávio e 49% para o presidente.


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