Friboi aposta em Temer e Cunha para permanecer no PMDB
Redação DM
Publicado em 24 de junho de 2015 às 23:06 | Atualizado há 11 anos
Está longe do fim a disputa entre o ex-prefeito Iris Rezende Machado e o empresário José Batista Júnior pelo controle do PMDB. Júnior Friboi vai buscar junto à direção nacional do PMDB o apoio para permanecer na legenda. E para isto conta com um trunfo muito poderoso: o grupo JBS, que reúne empresas de sua família como Friboi, Swift e Bertin, Seara e Flora Higiene-Limpeza, as quais foram as que mais doaram recursos para as campanhas eleitorais de 2014.
Levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que em 2013 a JBS, teve faturamento de 92,3 bilhões. Maior exportadora de carne bovina do mundo, a empresa doou aos políticos em 2014 a soma de R$ 366,8 milhões, que corresponde a 39,56% de todo o seu lucro líquido registrado em 2013, que foi de R$ 926,9 milhões. É como se, a cada R$ 100 de lucro, a JBS doasse R$ 39,50 para os caixas de campanhas de partidos e candidatos.
De acordo com pesquisa feita no Tribunal Superior Eleiroral, desde que os recursos começaram a ser liberados, em 2005, a JBS já repassou R$ 463,4 milhões a políticos e partidos nas eleições de 2006, 2008, 2010 e 2014. Em 2010, a JBS ficou em terceiro lugar, com R$ 63 milhões. Em 2014, a JBS foi a maior doadora, seguida da construtora Odebrecht, que doou R$ 111 milhões, e do Bradesco, com doações de R$ 100 milhões.
Para efeito de comparação, a Odebrecht, segunda colocada no ranking de doações neste ano, doou 22% de seu lucro líquido em 2013, que foi de R$ R$ 490,7 milhões. O Bradesco, terceiro colocado, doou apenas 0,83% de seu lucro líquido em 2013, que foi de R$ 12 bilhões. O lucro líquido é a diferença entre o que a empresa faturou e os seus custos operacionais (salários, tributos, impostos, etc).
Campanha
O financiamento empresarial de campanhas políticas foi a principal peça da proposta de reforma política defendida pelo PMDB, atraves do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (RJ). Enquanto partidos como o PT e o PCdoB e entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CNBB (Confederação Nacional dos Bispos) querem o fim da participação de doadores privados nas eleições, os peemedebistas querem que seja mantido o modelo atual.
É com este sentimento que o PMDB vai ouvir o pedido de José Batista Júnior para permanecer na legenda. Vale ressaltar ainda que o congresso atual conta com o maior número de empresários eleitos desde a eleição para a Assembleia Nacional Constituinte de 1988. O PMDB reúne boa parte desta bancada, que somente no segmento ruralista reúne 263 dos 513 deputados.
Defesa
Além do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que é contra a expulsão de Friboi e defende que o PMDB deve “varrer pra dentro ao invés de varrer para fora”, o deputado federal Pedro Chaves também tem sido enfático contra o expurgo de Friboi das hostes peemedebitas. Chaves, que é segundo vice-presidente da executiva estadual do PMDB, ressalta que caso seja consumada a expulsão pelo diretório estadual, dificilmente o comando nacional irá respaldar o expurgo. Salienta que a tendência é a direção nacional não convalidar a decisão.
Pedro Chaves ressalta que Júnior Friboi filiou-se ao PMDB, em 2012, via diretório nacional, com o respaldo do vice-presidente Michel Temer e do então presidente nacional do partido, senador Valdir Raupp. Durante todo o debate sobre lançamento de candidato a governador, em 2014, Temer e Raupp respaldaram o projeto de Júnior Friboi, em detrimento do de Iris Rezende.
O vice-presidente da República teria sido enfático na conversa com o próprio Iris, pedindo que este fosse candidato ao Senado, abrindo caminhos para Friboi ser candidato a governador. Temer argumentava a Iris que este tinha eleição certa ao Senado e que o diretório nacional do PMDB tinha como estratégia ampliar o número de cadeiras no Senado e na Câmara Federal. A chapa Friboi, governador e Iris, senador, atenderia a este desafio.
Diante deste impasse, não é possível crer que a novela Friboi-Iris tenha tido final na última segunda-feira. Pode ser que a mediação de Maguito, Chaves e Temer reduza o ímpeto daqueles que querem a degola de Friboi. E diante de um PMDB cada vez mais pragmático, defensor intransigente do financiamento empresarial de campanhas, é difícil supor que a cúpula nacional do partido vá causar constrangimentos a um dos grupos que se constituem como um dos maiores mecenas do partido nos períodos eleitorais.