Política

Goianos fecham apoio a Jovair

Redação DM

Publicado em 12 de janeiro de 2017 às 01:43 | Atualizado há 10 anos

Os 16 deputados federais de Goiás decidiram votar na candidatura do líder do PTB, o também goiano Jovair Arantes à presidência da Câmara Federal, cuja eleição está marcada para o próximo dia 2 de fevereiro.

Jovair fez o lançamento da candidatura, na última terça-feira, no salão nobre da Câmara Federal, na presença de dezenas de parlamentares de diversos partidos. Ele anunciou os principais pontos de sua proposta para a direção da Casa.

Estão comprometidos com a candidatura de Jovair os deputados Giuseppe Vecci, Fábio Sousa e Célio Silveira, do PSDB; Thiago Peixoto e Heuler Cruvinel, do PSD; Pedro Chaves e Daniel Vilela, do PMDB; Rubens Otoni, do PT; Flávia Morais, do PDT; Marcos Abrão, do PPS; Magda Mofatto e delegado Waldir Soares, do PR; Roberto Balestra, do PP; João Campos, do PRB; Lucas Vergílio (SDD); e Alexandre Baldy (PTN).

O deputado Roberto Balestra disse à reportagem do Diário da Manhã que Jovair Arantes é o candidato “mais popular” da Câmara Federal, tem propostas avançadas para o Legislativo. Segundo ele, Rodrigo Maia está com sua candidatura “judicializada”, ou seja, não se sabe se poderá concorrer ou não, já que está sendo questionada a sua legalidade, ao exercer “mandato tampão”.

O deputado Giuseppe Vecci, declarou à Coluna “Café da Manhã”, do DM: “Como vice-presidente nacional do PSDB, vou defender, dentro do meu partido, o apoio para que Jovair Arantes seja o primeiro goiano a presidir a Câmara Federal”.

O governador em exercício de Goiás, José Eliton, que esteve presente no lançamento da candidatura de Jovair Arantes, disse que os deputados goianos agem corretamente ao engajarem-se na campanha do líder do PTB . “Jovair Arantes é líder da bancada do PTB há dez anos, tem propostas avançadas para o Legislativo e Goiás, o Centro Oeste e o Brasil só têm a ganhar com a sua eleição para a presidência da Câmara”.

Independência

No lançamento da candidatura, Jovair Arantes apostou no discurso de “independência da Câmara Federal” para conquistar o apoio dos colegas e impedir a reeleição do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Além de nomes do PTB, cerca de 20 deputados do Solidariedade, PROS, PP, PSC e PSL compareceram ao lançamento que foi realizado no Salão Negro da Câmara e ficou lotado de prefeitos e vereadores de cidades de Goiás, Estado de Jovair. Integrantes do PMDB e o novo líder do PT, Carlos Zarattini (SP), também participaram.

O deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que lançou a sua candidatura ao cargo na véspera, chegou a fazer uma fala rápida durante a cerimônia. Ele, que não descarta desistir de concorrer, disse que a estratégia será cada um dos dois buscar votos separadamente, para depois juntá-los mais à frente.

Em seu discurso, Jovair afirmou que, se eleito, vai colocar em pauta os projetos considerados prioritários pelo governo, mas ponderou que a aprovação da matéria vai depender dos deputados. “Quem vota é o deputado. O voto é unitário, é pessoal, individual, e a eles, aos deputados, cabe a decisão sobre se o projeto é bom ou se o projeto é ruim”, afirmou.

Seus aliados, porém, adotaram um tom mais duro. “A Câmara tem que ter um pouco de independência. Não podemos ter aqui um candidato do Palácio do Planalto”, disse o líder do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP). Ele também pontuou que a Casa precisa de um presidente que olhe para o que “pensam todos deputados” e não apenas as lideranças dos partidos.

Representando o nanico PSC, com apenas dez parlamentares, o professor Victório Galli (MT), afirmou que o novo presidente da Câmara precisa “corrigir” o fato de as matérias encaminhadas pelo Executivo sempre terem prioridade. “Não sobra tempo para votarmos os nossos projetos.”

Após a cerimônia, ao ser questionado se iria focar a sua campanha para conquistar votos de deputados de partidos nanicos, Jovair desconversou e afirmou que o seu objetivo era respeitar o mandato de cada deputado. “Eles querem um candidato que respeite o mandato deles, respeite a sua individualidade, não levando em consideração o tamanho do Estado, o tamanho da bancada, mas levando em consideração o seu mandato, que é soberano, e que precisa ser respeitado”, disse.

Para o líder do PTB, o papel do presidente da Câmara tem de ser fazer com “que o protagonismo da Casa chegue também a esses deputados, que não têm nenhuma relatoria importante, que não têm um projeto seu sendo votado”.

Críticas a Maia

Jovair e seus aliados também não pouparam o atual presidente da Câmara de críticas. O líder do PTB voltou a repetir que Maia é o único entre os 513 deputados que precisa recorrer a pareceres jurídicos para disputar a eleição. A recondução do democrata tem sido questionada no Supremo Tribunal Federal (STF). Para os adversários, Maia não poderia concorrer a reeleição durante a mesma Legislatura, mesmo tendo sido eleito para um mandato-tampão após a cassação de Cunha.

Correligionário de Jovair, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) questionou, sem citar nomes, o fato de Maia ter sido citado na delação de um executivo da Odebrecht. “Jovair é um nome limpo, que em nenhum momento foi citado na Lava Jato. Quem já teve o nome citado, não poderia nem estar concorrendo”, afirmou. (Com informações da Agência Estado).

 

 

Candidato do PTB consegue apoio de vários partidos

O líder do PTB na Câmara dos Deputados, Jovair Arantes (GO), lançou, na terça-feira, sua candidatura à Presidência da Casa. Acompanhado de representantes de dez partidos (PMDB, PSDB, PT, PP, PSD, SD, Pros, PSC, PSL e PEN), em evento realizado no Salão Nobre da Câmara, Jovair defendeu “maior protagonismo” da Casa e afirmou que ela não pode continuar “tutelada” pela Justiça.

Jovair Arantes também destacou que irá colocar em votação as matérias que o governo federal considera importantes, mas ponderou que a aprovação das propostas vai depender dos deputados.

“Quem vota é o deputado. O voto é unitário, é pessoal, individual, e a eles, aos deputados, cabe a decisão sobre se o projeto é bom ou se é ruim”, afirmou.

Relatores

Para tornar mais democráticas as indicações dos relatores das propostas em análise na Câmara, o líder do PTB pretende abrir espaço a todos os deputados por meio de rodízio.

Segundo Jovair, é papel do presidente da Câmara “fazer com que o protagonismo da Casa chegue também a esses deputados, que não têm nenhuma relatoria importante, que não têm um projeto seu sendo votado”.

“Eles querem um candidato que respeite o mandato deles, respeite a sua individualidade, não levando em consideração o tamanho do estado, o tamanho da bancada, mas levando em consideração o mandato, que é soberano, e que precisa ser respeitado”, disse.

Lançamento

O lançamento da candidatura do parlamentar contou com as presenças de vereadores, prefeitos e deputados estaduais goianos.

O governador em exercício de Goiás, José Eliton (PSDB), conclamou a bancada federal a apoiar a candidatura de Jovair Arantes.

“Jovair é um parlamentar atuante, bem avaliado, e que trabalha muito pelo nosso estado. A eleição dele é boa não só para Goiás, mas para o Brasil”, disse Eliton.

 

Discurso de Jovair Arantes

“Vejo aqui amigas e amigos deputados,/ colegas de trabalho no Parlamento,/ funcionários da Casa e dos gabinetes,/ jornalistas,/ companheiros de jornada,/ parceiros de luta.

 Agradeço a cada um de vocês/ pela presença e pelo apoio neste dia./ Estou aqui porque a Câmara dos Deputados atravessa uma crise grave/ e porque julgo que posso ajudar a vencê-la.

Começo esta caminhada cheio de coragem/ porque sei que vocês compartilham do mesmo diagnóstico,/ das mesmas propostas/ e da mesma determinação para fazer aquilo que tem de ser feito.

Todos conhecemos os desafios que o Brasil e o Parlamento enfrentam./ Em 2016, trabalhamos duro para tirar o país da maior crise da nossa história./ Foram dias, noites e muitas madrugadas/ de esforço e comprometimento de cada um de nós.

Todo esse empenho não bastou para melhorar a imagem da Câmara junto à opinião pública./ Ao contrário./ As pesquisas mostram que a avaliação da Casa está no nível mais baixo desde a redemocratização do país.

É preciso ter coragem para virar página./ 2017 não pode ser uma repetição de 2016./ O país não pode mais viver aos sobressaltos./

Essa é a minha convicção e a do grupo que represento./ Somos muitos,/ deputadas e deputados/ dos mais diversos estados/, matizes ideológicos e partidos/, unidos pela crença de que precisamos restaurar a credibilidade da Câmara.

Em 2 de fevereiro, vamos escolher não só um novo presidente./ Vamos optar entre seguir na rota que já nos levou ao descrédito/ ou ter coragem para mudar.

Estou convencido de que vamos decidir pela mudança/. Sei disso porque conheço cada um dos deputados/. Sei como pensam/. Estou aqui há 22 anos/. Aprendi muito/. Aprendi diariamente/ – com aliados e adversários/. Aprendi com acertos dos colegas e com meus próprios erros.

E o maior ensinamento que recebi foi que os mandatos de todos os deputados são iguais pela legitimidade do voto que nos foi conferido/. O líder representa sua bancada/, mas jamais substitui as convicções ou o trabalho dos deputados.

A crença nesse princípio é a base da minha candidatura/. Uma vez presidente da Câmara, vou trabalhar de portas abertas/. Todos serão convidados e recebidos no gabinete da presidência/ e tratados igualmente.

Vamos acabar com a distância que separa muitos deputados da mesa diretora/. Instituiremos um sistema de rodízio nas relatorias/, permitindo que todos os deputados participem ativamente do processo legislativo.

Reorganizaremos os horários de votação/ para acabar com a insanidade das votações de madrugada/. A Câmara funcionará com previsibilidade/. Será mais transparente e eficiente/. Criaremos comissões para modernizar o funcionamento da Casa e atualizar o Regimento Interno.

Sobretudo, defenderei e cobrarei de forma intransigente o respeito ao livre exercício do mandato parlamentar/. O comando da Câmara não ficará mais em silêncio/, acuado/ e com medo/ enquanto deputados são agredidos/. O que não me falta é coragem para defender os membros dessa Casa.

A Câmara voltará a ser respeitada/. Mas não conseguirá isso se não respeitar a si mesma/, se não seguir as leis que ela mesma criou/. A começar pela maior delas: a Constituição.

Se todos nós temos de seguir as regras/, o que se dirá do presidente da Casa?/ Ele deve ser o primeiro a dar o exemplo/, a defender a Constituição/ e a obedecer as regras do jogo.

A Presidência da Casa não pode abandonar a imparcialidade na condução do processo eleitoral/ e adotar procedimentos em benefício próprio.

Dos 513 deputados/, 512 têm legitimidade para ser candidatos a presidente da Câmara/ – eu estou entre eles.

Só um dos deputados não pode/. Só um recorre a pareceres jurídicos para amparar sua pretensão/. Só um/, se for eleito/, levará a eleição da Câmara ao constrangimento de um julgamento no Supremo Tribunal Federal/. Só um admite subordinar nosso poder a outros/. Não é justo.

Eleições não se definem com golpes e barganhas de cargos/. Participei de inúmeras campanhas para presidente da Câmara/. Vi governos fortes serem derrotados/ e supostos favoritos virarem perdedores/. Pouco adiantaram as ofertas de cargos, de favores ou de lotes na lua.

Sou candidato porque tenho consciência dos desafios que me esperam/: acelerar as grandes reformas que o país tanto precisa/, colocar em pauta às reformas que ainda não foram tramitadas/ e resgatar a harmonia institucional entre os poderes.

Na crise que enfrentamos/, não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar a oportunidade que teremos no próximo dia 2./ Para sentar na cadeira mais alta e importante da Câmara dos Deputados/, é preciso um presidente com atitude e coragem.

Você me conhece/: sou Jovair Arantes/. Há 22 anos sou deputado federal/. Quero ser presidente da nossa Casa para/, junto com você/, promover as mudanças necessárias e resgatar o respeito perante a sociedade brasileira/. Coragem para fazer isso é o que não me falta/. Conto com seu voto/. Que Deus abençoe nossa jornada.”

 

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