Política

Governistas esperam milagre marconista

Redação DM

Publicado em 30 de maio de 2018 às 04:13 | Atualizado há 8 anos

Após abandonar o Governo de Goiás em abril, o tucano Marconi Perillo sabia o que esperava: uma base aliada dividida, sem evoluir nas pesquisas de opinião e ameaçada de perder o poder. Não era o que ele previa para 2018 quan­do reassumiu o governo em 2014.

Sua redução de secretarias–acre­ditavam os aliados de Marconi–seria suficiente para pavimentar seu nome em direção a uma carreira política nacional. Não foi o que aconteceu. Ao acabar com pastas de Cultura, Ciência e Tecnologia, Meio Ambien­te e Agricultura, perdeu aliados e visi­bilidade em vários segmentos.

Não bastasse, Marconi enfrentou os desgastes das OSs (uma derrota política para estudantes secunda­ristas), da venda da Celg e das de­núncias que o afetou pessoalmente e seus aliados. Como resultado, ter­minou o mandato com sua menor aprovação. Não obstante, o gover­no tentou se reorganizar. E ao fim do mandato, Perillo teria pactuado com o governador José Eliton (PSDB) que cuidaria da estruturação da campa­nha. Chegou a hora.

Após seu afastamento, Marconi foi de férias para a Argentina, de­pois se apresentou ao lado de tu­canos paulistas e, por fim, esteve numa viagem à Ásia. No último do­mingo, ele chegou do extenso pas­seio que teria sido realizado para “atrair investimentos”.

Agora todos esperam de Marconi uma solução. De todos os candida­tos maioritários, a única que aparece razoavelmente bem nas pesquisas é a senadora Lúcia Vânia (PSB). Mas é justamente ela o maior problema da base: sua candidatura é questionada pelo PTB e PSD. É uma bomba para Marconi desarmar: acomodar todos os caciques. Vilmar Rocha, presiden­te do PSD, foi alijado do governo. Ele não tem mandato. Mas nenhum dos deputados federais e estaduais da legenda (todos governistas) têm chances reais de vitória em outu­bro. Vilmar quer disputar uma vaga ao Senado pela base. É o maior crí­tico de Eliton e anunciou em junho como prazo final para a base trocar de candidato ao governo. O tempo se esgota, já que tanto ele quanto Lú­cia Vânia teriam conversado com Ronaldo Caiado (DEM)–líder ab­soluto das pesquisas e que ao con­trário do que pensavam governistas, torna-se cada vez mais aglutinador.

O primeiro problema da base não foi resolvido por Marconi Peril­lo: a manutenção do senador Wil­der Morais em seu grupo. O tucano perdeu um amigo, antigo aliado e fi­cha limpa que traz em seu discurso a mensagem de que só ele trouxe mais de R$ 4 bilhões para Goiás. O pior é que é verdade quando se contabiliza emendas e liberação de recursos nos diversos ministérios. Ou seja, um va­lor equivalente ao programa “Goiás na frente”. Não é de se ignorar perder um slogan desses numa campanha. Agora, sem Lúcia Vânia (ou Demós­tenes) a perda pode ser ainda maior.

Restam outros desafios para Mar­coni: acomodar os partidos meno­res e afastá-los de uma armadilha: o Chapão para deputado, que uni­ria todos candidatos em um só blo­co. Postulantes menores temem ser devorados pelos políticos do PSDB.

As missões não param por aí: os governistas esperam que Marconi consiga diminuir ao menos uma pe­quena parcela de intenção de votos já declarados para Caiado. No rit­mo que a disputa avança, com 16 finais de semana até as eleições, o democrata pode vencer no primei­ro turno. Uma campanha sem rea­ção nas ruas seria um desastre para os demais candidatos–incluso Mar­coni Perillo, que lidera a disputa para o Senado, mas com grande rejeição.

FÊNIX

Neste ambiente inóspito é que costuma agir o maior animal políti­co de Goiás. “Marconi é uma fênix. Quando todos acham que ele esmo­receu, eis que vem forte”, diz um de­putado estadual que elogia Marconi Perillo, mas depois contemporani­za. “O problema é que ele não sabe o que fazer. Pode tanto ajudar o Zé Eli­ton quanto sair para liderar a cam­panha do Geraldo Alckmin”.

Para os marconistas, o líder não consegue resolver três graves pro­blemas de uma vez: ser determi­nante na campanha de Geraldo Alckmin, apoiar José Eliton e se ele­ger senador (disputa acirradíssima).

Para piorar, ainda tem obtido derrotas na Justiça. Ontem mesmo, por exemplo, ele teve outra derrota no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luís Roberto Barroso derrubou decisão pró-Marconi para fazer com que o deputado Major Araújo (PRB) excluísse mensagem nas redes sociais em que critica o tu­cano. “Assim entendo que é possível atenuar a regra de aderência estri­ta para casos de liberdade de ex­pressão em sentido amplo, permi­tindo-se a aplicação transcendente dos motivos que serviam de base ao julgamento da ADPF 130 em que se analisava a constitucionalidade da lei de imprensa, para abarcar tam­bém os casos de sacrifício ilegítimo da liberdade expressão”.

Na decisão, o STF mostra aos defensores de Marconi que nem sempre a melhor escolha é impe­dir a manifestação do pensamento ou processar as pessoas pelo que pensam e dizem. O melhor é sem­pre dialogar e procurar reparação de qualquer violência moral, sim, através de indenizações, mas sem calar adversários ou críticos. A de­cisão vai repercutir durante a cam­panha que se anuncia.

Para a oposição, o recado de quem conhece a “fênix” é claro: com tudo dando errado, ainda com enormes dificuldades, ba­talhão estropiado, Marconi pode encarnar o personagem Joseph Climber, da companhia de tea­tro Os Melhores do Mundo, e re­solver a parada em poucas ações. Ele não desiste nunca.

 

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