Haddad rebate Tarcísio e diz que situação fiscal de São Paulo preocupa
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 7 de maio de 2026 às 15:46 | Atualizado há 2 meses
Pré-candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (7) que o estado de São Paulo estaria numa situação fiscal difícil não fosse o apoio do governo federal com a renegociação de dívidas. Disse, ainda, que o cenário estadual é preocupante.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição, é crítico à condução da política econômica do governo Lula (PT) e afirmou nesta semana que Haddad “quebrou o Brasil”.
“Ele [Tarcísio] não precisa agradecer, mas não precisa mentir. Fica quieto. Eu no lugar dele ficava quieto. Agora, mentir? Ganhou o que com isso?”, disse Haddad durante palestra na Fundação FHC, no centro de São Paulo.
Críticas à imprensa e às finanças do estado
Haddad criticou a imprensa mais de uma vez, dizendo que não vê os jornais fazendo seu trabalho “em relação à administração Tarcísio”.
“Não vejo a imprensa dizer a verdade sobre o que está acontecendo, com a contundência que tratam os assuntos que nos dizem respeito. Não tem uma matéria sobre as finanças do estado de São Paulo”, afirmou.
O ex-ministro também ironizou os editoriais da Folha.
“Eu estava falando com uma pessoa que, só da Folha, teve 150 editoriais contados. Eu sempre acho graça. Porque, primeiro, ninguém lê. Segundo, é uma prova a meu favor.”
Possível candidatura ao governo paulista
Ele disse também que resistiu muito “a virar a chave” e decidir se candidatar em São Paulo, porque estava com a cabeça no plano nacional, “convencido que tinha que tentar elaborar um plano de desenvolvimento”.
Segundo Haddad, o presidente Lula (PT) conversou com ele por muitas horas, argumentando que precisava de um candidato forte no estado.
“Eu não tinha expectativa de encontrar o quadro que encontrei. Encontrei muitos problemas que pensei que já tivessem sido endereçados”, afirmou, listando questões na segurança, na educação e na saúde.
“Há uma grande insatisfação na Polícia Militar, Civil, nos magistérios, com prefeitos. Questões estruturais, mudanças estruturais tomadas que vão dar trabalho reverter.”
Avaliação do cenário nacional
No plano nacional, Haddad disse que há condições de dar um salto importante, considerando a produção de biocombustíveis, as terras raras — grupo de elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia e na energia limpa — e as energias solar e eólica “abundante e muito baratas”.
“A política que vai dizer se vamos aproveitar essa janela [de oportunidade] ou se vamos praticar o esporte nacional predileto, que é perder as oportunidades que se abrem”, afirmou.
Ele disse ainda que está otimista sobre o futuro do país — segundo ele, as questões podem ser resolvidas em “dois, três anos, se não tiver gol contra” —, mas afirmou temer percalços políticos.
“O Brasil está vivendo um momento de repensar suas instituições. Temos um problema a ser endereçado na relação institucional.” (Ana Luiza Albuquerque/FOLHAPRESS)