Política

Homem retratado como pobre em vídeo de Nikolas tem Hilux e mora em casa com móveis novos

Redação Online

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 19:22 | Atualizado há 40 minutos

Frame do vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, de Nikolas Ferreira, que é contestado por retratar morador com Hilux como pobre e por suspeita de blackface | Foto: Reprodução
Frame do vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, de Nikolas Ferreira, que é contestado por retratar morador com Hilux como pobre e por suspeita de blackface | Foto: Reprodução

O vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, publicado por Nikolas Ferreira (PL-MG) e com mais de 50 milhões de visualizações, é alvo de questionamentos. O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) apontou que um dos moradores retratados, conhecido como “Binha”, possui uma caminhonete Toyota Hilux e mora em uma casa com móveis novos. A informação contrasta com a imagem de pobreza apresentada na gravação.

Segundo as reportagens, o homem que aparece no vídeo como exemplo de pobreza no Nordeste tem uma Hilux, veículo de alto valor, e reside em uma casa com móveis novos, o que desmonta a narrativa de miséria construída pelo deputado. A contradição foi revelada por veículos como Piauí Hoje e Estado de Minas.

Além da contradição sobre a condição financeira do entrevistado, o vídeo também é criticado por possível uso de blackface. Análises do conteúdo apontam que a cor da pele de um dos participantes aparece mais escurecida na gravação, o que pode indicar uma manipulação para reforçar estereótipos. O recurso consistiria em escurecer artificialmente a pele de uma pessoa branca para representá-la como negra, prática considerada racista.

O blackface é uma prática que surgiu nos Estados Unidos por volta de 1830. Na época, atores brancos pintavam a pele de preto para representar pessoas negras de forma exagerada e caricata em espetáculos humorísticos, reforçando estereótipos racistas. A prática é considerada ofensiva porque ridiculariza a população negra e está ligada a um histórico de racismo e exclusão.

A controvérsia ganhou dimensão política porque o vídeo foi utilizado durante a campanha do segundo turno, em um cenário de disputa entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A resposta do deputado Pedro Campos coloca em xeque a veracidade do conteúdo e a forma como o Nordeste foi retratado.


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