Política

Iris confirma favoritismo do PMDB em Goiânia

Redação DM

Publicado em 1 de novembro de 2016 às 00:28 | Atualizado há 10 anos

É preciso dizer que os candidatos ligados ao governo do Estado colecionam mais derrotas do que vitórias nas disputas em Goiânia. Durante os 16 anos de governos ininterruptos do PMDB – de 1983 a 1998 – o Palácio das Esmeraldas elegeu dois prefeitos pelo voto direto, e um por indicação. O PSDB, em 20 anos de poder, nunca elegeu nenhum prefeito na Capital.

Quando governador em seu primeiro mandato (1983-1986), Iris Rezende fez a indicação do prefeito da Capital, e Nion Albernaz governou Goiânia entre 1983 e 1985, naquele ano seria eleito Daniel Antônio (PMDB). Em 1988, o governador Henrique Santillo (PMDB) garantiu a volta de Nion Albernaz à prefeitura, desta vez eleito pelo voto direto.

Se for levado em conta todo o período de 1982 até 2016, o PMDB governou a cidade por quatro vezes pelo voto direto, e vai completar a quinta, com as três vitórias de Iris Rezende (2004, 2008, 2016). O PSDB só venceu com Nion Albernaz em 1996 e ficou em terceiro lugar em 2000 com a candidatura de Lúcia Vânia, então filiada ao PSDB. Depois disso, o PSDB sequer teve candidatos, sendo o Palácio das Esmeraldas tendo sido representado em 2004 e 2008 pelo PP, com a candidatura de Sandes Júnior e em 2012 pelo PTB com Jovair Arantes.

O que muda com mais uma vitória de Iris Rezende (PMDB)? Um ponto chama atenção. Iris fez compromisso de governar durante os seus quatro anos de mandato. Quando fez o mesmo durante sua gestão (1997-2000), o prefeito Nion Albernaz (PSDB) ajudou articular a eleição de um candidato de oposição ao governo do Estado. A história irá se repetir tendo Iris no papel de articulador? Pode ser.

No PMDB, com as vitórias em Catalão, Formosa, Rio Verde, Aparecida de Goiânia e em Goiânia, ninguém tem dúvida de que o partido terá candidato a governador em 2018. Ah, mas e o senador Ronaldo Caiado? Dez entre dez peemedebistas diriam o seguinte: “se ele se filiar ao PMDB e ganhar a indicação do partido na convenção, ele será o candidato, caso contrário, o candidato será alguém filiado ao PMDB”.

E quais “alguéns” o PMDB tem para disputar a sucessão estadual. Estes mesmos militantes diriam que dois nomes se sobressaem, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela  e o deputado federal Daniel Vilela.  Assim, diferente de 2010 e de 2014, quando ninguém além do próprio Iris teve o apoio da maioria do PMDB para se lançar candidato, neste próximo pleito, dois nomes genuínos do peemedebismo podem ser ungidos na convenção do partido. Se o ungido tiver o apoio do prefeito de Goiânia, talvez esteja nascendo aí uma candidatura com chances reais de fazer o PMDB retonar ao Palácio das Esmeraldas.

Em 1983, Nion Albernaz foi indicado prefeito de Goiânia. Naquele tempo ainda estava em vigor a legislação da ditadura que impedia eleição de prefeitos de capitais pelo voto direto do eleitor.

Em 1985, o próprio governador Iris Rezende (PMDB) chegou a ligar para o então presidente José Sarney (PMDB) admitindo a derrota do seu candidato, o deputado Daniel Antônio (PMDB). No primeiro dia a apuração dava a vitória para Darci Accorsi (PT) e no outro confirmou Daniel Antônio (PMDB).

Em 1988, Nion Albernaz (PMDB) venceu numa disputa apertada. Ainda não havia o segundo turno e Nion concorreu contra a ex-primeira-dama do Estado Maria Valadão (PDS) e o professor Pedro Wilson (PT). Nion foi eleito com  36,71%, Pedro ficou em segundo com 32,98% e Maria Valadão em terceiro com 25,90%.

A partir de 1992, quando foi instituído o segundo turno nas eleições, os candidatos ligados ao governo do Estado  não ganharam mais nenhuma disputa contra prefeitáveis da oposição. Darci Accorsi (PT) derrotou Sandro Mabel (PMDB) e foi eleito prefeito em 1992.  Em 1996, Nion Albernaz (PSDB) venceu Luiz Bittencourt (PMDB) e nas eleições do ano 2000, Pedro Wilson superou dois candidatos governistas: Lucia Vânia (PSDB) e Darci Accorsi (PTB).

Em 2004, Iris Rezende (PMDB) e Pedro Wilson (PT) fizeram uma disputa à parte, ficando o candidato da Casa Verde – Sandes Júnior (PP) – em terceiro lugar. O peemedebista levou a melhor e seria reeleito em 2008 (com apoio do PT),  com  74% dos votos, contra o mesmo Sandes Júnior. Em 2012, a coligação PT/PMDB também elegeu no primeiro turno, com quase 58% dos votos o prefeito Paulo Garcia (PT).

 

Marcus Vinícius, jornalista

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