Política

Iris: “Não poderia ser insensível aos apelos da cidade que me deu tudo”

Redação DM

Publicado em 5 de agosto de 2016 às 01:57 | Atualizado há 1 ano

“O político não pode ser insensível, eu não teria nada na política sem Goiânia”, afirmou o ex-governador Iris Rezende, ao admitir a retomada de sua candidatura à prefeitura da capital, após receber apelos de dirigentes, parlamentares e militantes do PMDB e partidos aliados. “Parece que sofri pressões movidas pelo Espírito Santo.”

Há duas semanas, Iris Rezende havia anunciado sua desistência e afastado da vida pública, apesar de aparecer em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de votos para a sucessão do prefeito Paulo Garcia (PT).

Ao discursar a uma plateia de políticos e militantes do PMDB e de partidos aliados, em cima de uma mesa, em seu escritório político, no Setor Marista, na capital, Iris Rezende, emocionado, justificou a sua volta ao processo político-eleitoral deste ano. “Vim de longe, da pequena Cristianópolis, e conquistei tantas vitórias na vida pública. Devo tudo isso a Goiânia.”

Ao lado do senador Ronaldo Caiado, do deputado federal Daniel Vilela (presidente estadual do PMDB), dos deputados estaduais Bruno Peixoto e José Nelto, do vice-prefeito Agenor Mariano, da ex-deputada federal Iris Araújo, dos vereadores Clécio Alves e Célia Valadão, Iris disse que aceita concorrer à prefeitura com o “mesmo entusiasmo” de sempre, “pensando no melhor” para Goiânia. O empresário Jorcelino Braga, presidente estadual do PRP, também esteve presente. O ex-governador e prefeito de Aparecida de Goiânia não compareceu.

Antes de confirmar sua pré-candidatura à prefeitura, Iris Rezende reuniu-se com os pré-candidatos Bruno Peixoto, Agenor Mariano, Andrey Azeredo, Rodrigo Miranda e Fred Paiva. Recebeu um manifesto, assinado pelas principais lideranças do PMDB de Goiânia, em que conclamam sua volta à disputa pela prefeitura.

Iris vai formatar aliança do PMDB com o DEM, PRP, PDT e Solidariedade. Conversou com Ronaldo Caiado, Jorcelino Braga, Paulinho Graus e Armando Vergílio. Alguns setores do PMDB propõem acordo com o PSB, em que Vanderlan Cardoso desistisse de concorrer à prefeitura para figurar como vice na chapa de Iris. Caso não prosperem as conversações com o PSDB marconista e com o PSB de Vanderlan, o vice de Iris será oferecido ao DEM ou ao Solidariedade. Mantendo mistério sobre alianças, inclusive com o PSDB do governador Marconi Perillo, Iris Rezende, em seu discurso, disse que em eleições não se dispensa apoio de “quem quer que seja ou de partido nenhum”.

Festa para Iris

Iris Rezende deverá chegar à convenção do PMDB, hoje, às 14 horas, a ser realizada na sede do diretório, ao lado do Centro de Convenções de Goiânia. Em seu discurso, segundo a assessoria, o peemedebista vai anunciar as principais propostas de governo, a serem debatidas durante a campanha eleitoral.

O ex-prefeito vai conclamar a militância do PMDB e os pré-candidatos a vereador a ir para as ruas, a partir do dia 16, para pedir votos aos eleitores. “Não se ganha eleição por antecipação. Temos que ir para os bairros, conversar com as pessoas nas ruas, ouvir a população e definir as prioridades para a futura administração.” Iris vai concorrer a um quarto mandato de prefeito de Goiânia. Em 1965, elegeu-se pela primeira vez, depois em 2004 e em seguida em 2008.

 

Caiado: estilo de peemedebista não coincide com modelo de Marconi

O senador Ronaldo Caiado, presidente estadual do DEM, afirmou ontem, em entrevista, que Iris Rezende é um homem com histórico de coerência, posição e princípios, posicionando-se contrário à indicação de um membro do PSDB à vice do ex-prefeito. Para o senador, o estilo do peemedebista não coincide com o modelo do atual governador Marconi Perillo (PSDB), que o teria procurado para compor a chapa à Prefeitura de Goiânia.

“Iris tem um estilo que não coincide com o do atual governador. Tenho certeza que Iris saberá fazer uma ampla composição, mas dentro do pensamento que segue. E é lógico que este não é alinhado ao grupo do governo, que não tem nenhuma convergência de ideias nem de gestão”, resumiu.

Ronaldo Caiado refutou a hipótese de PSDB e Democratas dividirem a mesma chapa em Goiás. “É impossível”, garantiu. “Nós dos partidos da base de apoio a Iris em 2014 marcharemos novamente dentro desse grupo. Abriremos espaço sim, mas não a posições antagônicas. Não é intransigência do Democratas. É que vai cheirar a oportunismo”, disse.

Sobre o nome de Vanderlan Cardoso (PSB) como vice na chapa, Ronaldo Caiado demonstrou simpatia. “Tenho muita ligação com Vanderlan. Ele faz parte da estrutura e foi oposição ao governador na candidatura de 2014”, lembrou.

Daniel contra

O deputado federal Daniel Vilela, presidente estadual do PMDB, também reprova a aliança de seu partido com o PSDB marconista, em Goiânia. “Temos divergências históricas com os tucanos e a população goianiense não entenderia uma aliança estranha e inoportuna como essa.”

Para ele, Iris Rezende tem que buscar o candidato a vice-prefeito entre os partidos que integram o bloco oposicionista, formado em 2014, ou mesmo o PSB de Vanderlan Cardoso, “que tem vínculos históricos com o PMDB”.

Daniel Vilela é de opinião que PSDB e PMDB têm projetos antagônicos para Goiânia e Goiás e que os dois partidos se enfraquecem se caminharem juntos na capital. “Iris entra na disputa com um forte discurso de oposição ao modelo de gestão implementado em Goiás por Marconi desde 1999”.

 

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