Iris quer nomear equipe enxuta
Redação DM
Publicado em 9 de dezembro de 2016 às 00:58 | Atualizado há 2 anosPrefeito eleito pretende escolher auxiliares para segundo e terceiro escalões do Paço após conhecer, em profundidade, a realidade administrativa e financeira do município
O prefeito eleito Iris Rezende (PMDB) pretende nomear, logo após a posse, em 1º de janeiro, uma equipe reduzida de auxiliares, deixando para um segundo momento o preenchimento de cargos para o segundo e terceiro escalões da administração de Goiânia.
Nas conversas que tem mantido com assessores, entre eles o vice-prefeito Agenor Mariano, o deputado estadual e presidente do PMDB Metropolitano, Bruno Peixoto, e o ex-deputado Samuel Belchior, Iris tem deixado clara a sua preocupação com a herança financeira e administrativa que receberá do prefeito Paulo Garcia (PT). Segundo levantamentos preliminares, logo nos primeiros dias da nova gestão, o peemedebista terá que lidar com uma dívida de R$ 500 milhões, contraídas com fornecedores e prestadores de serviços.
O prefeito eleito não esconde, nas conversas com correligionários políticos, preocupação com as finanças da Prefeitura de Goiânia. Segundo informação que chegou ao peemedebista, só com a empresa que aluga automóveis para a prefeitura já há um débito de R$ 50 milhões, sem falar em outros fornecedores e prestadores de serviços.
Trouxe preocupação ao QG de Iris Rezende a informação de que a administração Paulo Garcia (PT) tem, nesta reta final, concedido benefícios salariais (incorporações, adicionais, licenças prêmios) para vários segmentos do funcionalismo municipal. Os servidores da Fiscalização e auditores tributários ganharam direito à aposentadoria especial, até 30 anos de serviço, sem limite de idade e ainda com salário integral da ativa.
Somente após tomar conhecimento da realidade administrativa e financeira, Iris Rezende vai se dedicar à tarefa de preencher os cargos de diretoria e superintendências da administração direta e indireta da Prefeitura de Goiânia.
É pensamento do prefeito eleito promover uma reforma administrativa, com redução de secretarias, autarquias e cargos comissionados, mas só vai se posicionar sobre essa questão depois da posse. “Não temos dados suficientes para dizer qual a reforma ideal que precisa ser feita na Prefeitura de Goiânia”, diz o vice-prefeito Agenor Mariano.
O peemedebista tem consciência, segundo revela assessores ao Diário da Manhã, da necessidade de atender às indicações para cargos na prefeitura, principalmente nos segundo e terceiro escalões, por parte dos partidos que integraram a coligação Experiência e Confiança (PMDB, PRP, DEM, PRTB, PTC e PDT). O prefeito terá, também, de abrir espaços para indicações na administração, a serem feitas pelos vereadores que comporão a base de sustentação de seu governo na Câmara Municipal.
A conversa com o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, esta semana, em seu escritório, em Goiânia, animou Iris Rezende, pois o presidente Michel Temer, amigo do prefeito eleito há décadas, sinalizou que pretende fazer parcerias administrativas com a Prefeitura de Goiânia.
Secretariado
Iris Rezende deverá liberar os primeiros nomes do secretariado na última semana deste ano, ou seja, entre os dias 26 e 31, conforme revelou a interlocutores, em seu escritório político do Setor Marista. “Até agora o Iris não formalizou convite a ninguém para integrar o seu governo”, diz, ao DM, o vice-prefeito Agenor Mariano. “A preocupação do Iris é a de não errar na formação de sua equipe de auxiliares”, completou.
O peemedebista não pretende repetir auxiliares de sua equipe de 2005 nos mesmos cargos, ou seja, muitos dos técnicos e políticos que colaboraram com ele na administração poderão retornar ao Paço Municipal, mas para exercer novas funções. Haverá poucas exceções, conforme apurou a reportagem.
O peemedebista comparece diariamente ao seu escritório político e recebe lideranças políticas, representantes de segmentos organizados da sociedade, pastores evangélicos, empresários, servidores públicos e populares. É grande o número de pessoas, segundo os assessores, que vai ao escritório de Iris para “sugerir” nomes para o secretariado, outros para fazer “lobby” em favor de aliados e, em grande parte, para pedir emprego.
Iris Rezende ouve, “pacientemente” todas as pessoas que o procuram, mas não emite qualquer opinião sobre a formação da futura equipe de auxiliares. Experiente, pois são 58 anos de vida pública, o peemedebista prefere, neste período que antecede sua posse como prefeito pela quarta vez de Goiânia, “ouvir mais do que falar”.
O prefeito eleito disse, em entrevista à imprensa, logo após o encerramento das eleições em segundo turno, estar à vontade para formar sua equipe de auxiliares, já que não aceita “pressão” nem “negocia” cargo. “Ao longo da minha vida pública, sempre tive amadurecimento para escolher os melhores para ocupar cargos em meus governos”.
Peemedebista tem dificuldades em conhecer realidade financeira
Depois de três reuniões, a comissão de transição, que tem membros indicados pelo prefeito Paulo Garcia (PT) e pelo prefeito eleito Iris Rezende (PMDB) não conseguiu apresentar dados sobre a realidade financeira da prefeitura de Goiânia. Tem sido frustrante a expectativa dos assessores em relação aos documentos que têm recebido dos membros da atual administração. Segundo o peemedebistas, são dados superficiais – lista de contratos, relação de órgãos da administração direta e indireta, entre outros – insuficientes para que a futura gestão possa projetar as primeiras medidas a serem adotadas logo após a posse, em 1º de janeiro. “Essa comissão de transição, sugerida pelo Tribunal de Contas dos Municípios, pouco ou quase nada pode oferecer à futura administração de Goiânia”, diz um peemedebista que dela faz parte. De acordo com a resolução do TCM, a gestão Paulo Garcia tem prazo para fornecer os dados oficiais ao sucessor até 15 de janeiro. “Antes de fechar o ano orçamentário, em 31 de janeiro, é impossível fornecer os números financeiros, saldo de caixa e outras informações administrativas reivindicadas pela equipe do prefeito eleito”, diz um assessor do prefeito Paulo Garcia.
Os indicados de Iris Rezende na comissão são: ex-secretário de Finanças Dário Campos, o auditor do município Oséias de Souza, e o advogado Juliano Gomes Bezerra. Da parte de Paulo Garcia, fazem parte da comissão: Stenio Nascimento, secretário municipal de Finanças; Carlos de Freitas, procurador-geral do município; Osmar Magalhães, secretário de Governo; Valdi Camárcio, secretário de Administração; e por Paulo César Fornazier, chefe de gabinete do prefeito.
O prefeito Paulo Garcia assinou decreto que bloqueia a utilização de cartões corporativos no âmbito municipal. A realização de despesas está impedida, exceto para os casos emergenciais, desde que expressamente autorizadas pelo chefe do Executivo. A criação de despesas que aumentem os gastos públicos também está vedada até o término do exercício corrente, ressalvados os casos de expressa autorização.
