Iris volta às ruas
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2017 às 02:34 | Atualizado há 9 anos
Nas rodas políticas e redes sociais, nos últimos dois meses, surgiu uma forte argumentação: Iris Rezende (PMDB) estava desaparecido. O grande vencedor da disputa eleitoral de 2016, prefeito de Goiânia, considerado maior cardeal político do PMDB goiano, ex-senador, ex-governador e ex-ministro por duas vezes não deixou rastros.
A imprensa especulava os motivos do suposto “desaparecimento”. Nas redes sociais, sempre mais férteis com maledicências e fake news, “informavam” que Iris estaria doente.
Um leitor chegou a comentar com a elegância característica daqueles que têm voz nos sites de notícia: “se não está doente, porque não vai na imprensa e diz ele mesmo? ou assume logo que está doente e lacra logo os curiosos (sic)”.
A questão é que Iris está de volta. E não aparenta doenças. O “desaparecimento” – se é que pode ser chamado assim – era simples: antes de começar obras e ações na cidade, ele precisou arrumar a prefeitura. O gestor disse que assumiu a cidade com mais problemas do que quando voltou ao Paço Municipal em 2005.
Nos últimos dias, o político tem atuado com vigor. Acorda cedo e já liga o celular em busca dos assessores. Um deles, diz ao DM, teria recebido uma ligação às 4h da madrugada. “Foi uma bronca. Parece que leu alguma coisa e não gostou. Passei o dia na corda bamba. Depois superamos isso”, diz o seguidor.
É visível que Iris está bem e concentrado. Voltou aos mutirões e está sempre escoltado por jovens políticos da base, caso de Welington Peixoto (PMDB), José Diamantino (PSDC) e Paulinho Graus (PDT).
Não adota estratégias mirabolantes nas redes sociais, nem gasta recursos públicos para tentar impor sua imagem nas fotos posadas – as chamadas selfies – ou gastos excessivos com publicidade. Sua popularidade tem sido realmente espontânea.
Nas redes sociais, passou a ser elogiado e agradecido pelos integrantes do seu grupo político. “Reitero aqui que o prefeito Iris Rezende começou a realizar mutirões por toda a cidade. E vem atendendo nossos pedidos. É o caso da entrada do Setor Mansões do Campo, na Avenida Nerópolis”, escreveu o vereador Welington Peixoto no final da semana.
Nos bastidores, três grupos peemedebistas se dividem quanto às novas articulações do gestor: o que diz ser impossível Iris tentar alguma jogada política em 2018 (no máximo, provocar uma aliança com Ronaldo Caiado, por exemplo), o grupo irista, que aposta em seu nome para a disputa do Palácio das Esmeraldas, e os que esperam o desenrolar do drama peemedebista, que procura com urgência um nome que possa substituir o deputado federal Daniel Vilela, caso ele não consiga fugir do estigma da Lava jato.
VITRINE
Dentre os peemedebistas mais graduados, existe a expectativa de que ele consiga articular o partido para 2018 – de preferência sem ele na cabeça de chapa. “Iris não sumiu. Apenas foi arrumar a casa. Agora começa a colher o que plantou”, diz José Nelto ao DM. Para o parlamentar, Iris tem um compromisso: “Realizar a melhor gestão da vida dele”. E caso consiga, diz Nelto, ela será vitrine do PMDB numa disputa com a base aliada do governador Marconi Perillo.
Longe das discussões de 2018, Iris começou a articular ações que chamam atenção e catalisam a militância, como a visita surpresa que realizou ao Centro Integrado de Assistência Médico Sanitária (Ciams), do Setor Urias Magalhães, no final de semana.
Iris é hoje – dos políticos que integram o Executivo goiano – o que mais tem atuado junto às demandas da sociedade civil e realizado encontros com representantes da sociedade.
Optou em se reunir com lideranças, escutar as demandas e cobrar resultados de sua equipe. Ontem, por exemplo, esteve com dom Washington, arcebispo da Igreja Católica, em Goiânia. Tamanha transformação tem criado um novo boato e novo mistério – agora nos opositores. O “background information” desta reportagem começou com uma dúvida de um deputado estadual: “O que será que Iris estaria aprontando? Seus passos parecem ensaiados. Vem coisa por aí”. Quem viver 2018, verá.