Jorge Kajuru: “Nem Iris nem Vanderlan. Voto nulo”
Redação DM
Publicado em 5 de outubro de 2016 às 02:18 | Atualizado há 10 anosO radialista e jornalista Jorge Kajuru, campeão de votos na eleição de domingo (2) para a Câmara Municipal de Goiânia, quando obteve 37.796 , afirmou ontem que, no segundo turno das eleições para prefeito, em Goiânia, irá anular o voto. “Em hipótese alguma vou apoiar Iris Rezende e muito menos o Vanderlan. Não votarei nem em Iris nem em Vanderlan. Vou votar nulo. Nunca vou ouvir de nenhum goianiense a palavra covarde, oportunista”. Ao todo, os votos de Kajuru corresponderam a 5,65% dos votos válidos para vereador, mais que o quádruplo do segundo colocado, que recebeu 9.114 votos e deteve 1,36% da preferência do eleitorado. “O goianiense me deu uma nova vida”.
Voto nulo
O polêmico cronista esportivo justifica, em entrevista ao repórter Frederico Jotabê, da Rádio 730/AM), sua posição no segundo turno na Capital: “Não apoio nenhum candidato. Votei nulo para prefeito no domingo. O mesário entrou comigo na urna, porque eu não enxergo, tenho apenas 6% da visão, e fiquei com medo de errar ao teclar. Falei alto para todos escutarem: eu voto em mim para vereador e nulo para prefeito”, revela.
O vereador eleito diz que não tem nada contra o ex-prefeito Iris Rezende, “mesmo porque ele não fez nada contra mim”. Ele lembrou que Iris aceitou as críticas que ele fez ao então governador e também ao PMDB, em 1993. “A decisão agora é do eleitor, que deve escolher o melhor para a cidade”. Embora candidato pelo PRP, da coligação de Iris Rezende (PMDB), Kajuru afirma que não votou para prefeito em Goiânia, gravando nulo na urna. Ele conta que, por problemas de visão, precisou do auxílio do mesário para conseguir registrar o voto na cabine.
Surpresa
Kajuru diz que não esperava obter 37.796 votos e não mais que 20.000. “Não esperava essa votação. Para mim chegaria a no máximo 22 mil, por toda a campanha e pelo que senti ao logo dela. Por toda a campanha e não pelo sentimento do goianiense”, afirma.
O radialista promete resgatar todas as propostas que apresentou durante a campanha eleitoral deste ano. “Quero ser o melhor vereador da história de Goiânia, com trabalho digno”. Kajuru ressaltou que, após encerrar sua atividade profissional na televisão esportiva, em 2014, decidiu “experimentar” a classe política e lembrou que, em 2014, estreiou como candidato à Câmara Federal, quando obteve 107 mil votos, em quarenta dias de campanha, mas, por falta de quociente eleitoral, não se elegeu. “Foi uma campanha sem estrutura, sem material gráfico, sem gasolina, carro de som, sem santinho, até porque eu odeio santinho”.
Ele revelou que, nesta campanha, teve propostas de apoio de material gráfico, combustível, santinho e que as recusou. “Não aceitei nenhum tipo de ajuda de campanha. Só recebi material gráfico do presidente nacional do PRP, Ovasco Roma Altimari Resende, e fiz uma revista sobre as minhas propostas”.
Legislativo
Jorge Kajuru rechaça a possibilidade de buscar apoio dos colegas vereadores, em fevereiro, para eleger-se presidente da Câmara Municipal de Goiânia. “Se você provar que eu, Kajuru, conversei com qualquer outro colega vereador pedindo a ele apoio para ser o presidente da Câmara, qualquer um deles, eu renuncio à classe política. Presidente da Câmara é cargo para quem não tem personalidade, para quem quer ficar ali quatro, 20, 30 ou 40 anos, e eu não aceito a reeleição. Para mim, reeleição é crime eleitoral bárbaro. Jamais quero ser presidente da Câmara, porque ele vira capacho do prefeito, qualquer que seja o prefeito”, ressalta.
O campeão de votos fez uma revelação surpreendente ao dizer que cumprirá apenas dois dos quatro anos de mandato na Câmara de Vereadores: “Registrei em cartório que vou exercer o mandato em apenas dois anos para ter um aprendizado. Depois, vou tentar realizar o meu sonho de chegar à Câmara Federal para representar bem o Estado de Goiás”.
Para ele, o papel do vereador é legislar e fiscalizar o Executivo, além de cumprir os compromissos firmados na campanha eleitoral. Entre as 18 propostas feitas durante campanha que, segundo ele, estão registradas em cartório, incluem: abrir mão de 50% do salário, de vantagens como “kit carro, kit isso, kit aquilo”. E acrescentou: “Vou dispensar tudo. Ganho bem como jornalista nas redes sociais e nas quatro, cinco ou seis palestras que faço mensalmente pelo País. Sou sozinho. Não tenho ninguém para cuidar, nem mesmo de um periquito para criar”.
O jornalista adiantou também que, em seu gabinete, vai oferecer 40% dos cargos comissionados a mulheres. “Quero estimular as mulheres a atuarem na atividade política e vou contribuir para que elas tenham esse aprendizado, como eu terei. Elas são maioria do eleitorado brasileiro, com 51 por cento. É preciso conhecer o lado bom e o lado mau da política”.
O vereador eleito assume também compromissos com doação financeira, de parte de seus vencimentos, à criação do Instituto do Diabéticos. “Vamos oferecer remédios e cirurgias para os necessitados, em parceria com hospitais e de empresários voluntários”. O próprio Kajuru é diabético.
Boa convivência
Kajuru deixou claro que pretende ter uma “boa convivência” com os demais vereadores, a partir de 1º de janeiro, apesar de manter o seu tom crítico aos políticos. “Não sou inimigo de vocês. Vou respeitá-los. O contrário do amor não é o ódio e sim a indiferença. Eles não vão conseguir cassar o meu mandato por falta de decoro, até porque não têm inteligência para isso”.
O vereador eleito reafirmou que, como oposição, vai fiscalizar o Legislativo e o Executivo. “Quem não deve, não teme. Os vereadores malandros que não respeitarem o goianiense vou denunciar, com provas. Tanto eles quanto o prefeito. Vou torcer e rezar para que na Câmara tenham pessoas eleitas do bem, como eu. Aqueles que não forem do bem vão responder pelos seus atos. Peço até que não me cumprimente. Até o bom dia deles me fará mal”.