Justiça

Justiça manda exumar corpo de idoso enterrado por outra família em Goiânia

De acordo com a avaliação da juíza, o caso de Aniceto e Jesus, '' merece maior atenção''. A troca dos corpos das pessoas falecidas no Hospital Gastro Salustiano trouxe imensuráveis transtornos para as duas famílias envolvidas

diario da manha
Foto: Arquivo pessoal

Em decisão liminar, a justiça de Goiás determinou a exumação do corpo de um idoso de 89 anos, morto por complicações da Covid-19, que foi sepultado por engano por outra família depois de ser trocado em hospital de Goiânia. O procedimento será realizado na próxima segunda-feira (3) em um cemitério da capital.

De acordo com o portal Metrópoles, que teve acesso à decisão da juíza Nathalia Bueno Arantes da Costa, da 2ª vara da Fazenda Publica Municipal e de Registros Públicos de Goiânia. Aniceto Francisco dos Reis, 89 anos, morreu na última terça-feira (27), no Hospital Gastro Salustiano, na capital, onde ficou internado por nove dias.

O corpo dele foi liberado, pela unidade de saúde, para outra família, como se fosse o de Jesus Faustino Teles, de 63, morto no mesmo dia e que segue no necrotério do hospital até a exumação ser realizada. As famílias das duas vítimas também vão entrar com ação na justiça contra o hospital e a Funerária Fênix por danos morais e materiais.

Ao atender a pedido do advogado Pedro Miranda, que representa a família de Aniceto, a juíza observou que a troca dos corpos foi reforçada pelas declarações prestadas, na delegacia de polícia, pela enfermeira do hospital responsável pelo plantão no dia em que ocorreram os óbitos.

”A família do Senhor Jesus Teles procedeu ao reconhecimento, tendo a declarante enfermeira acompanhado tal ato. Em seguida, a funerária retiraria o cadáver, mas, por uma falha, eles acabaram recolhendo o corpo de Aniceto Francisco dos Reis como se fosse o de Jesus Faustino Teles”, diz trecho do depoimento, citado na decisão.

Em Goiânia, o decreto do município estabelece prazo de três anos para a exumação e remoção de cadáveres, salvo decisão ou sentença judicial que determine o contrário.

De acordo com a avaliação da juíza, o caso de Aniceto e Jesus, ” merece maior atenção”. A troca dos corpos das pessoas falecidas no Hospital Gastro Salustiano trouxe imensuráveis transtornos para as duas famílias envolvidas, situação agravada pela pandemia provocada pela Covid-19”, destaca a juíza.

O corpo de Aniceto deverá ser removido pela funerária Fênix, apontada como envolvida no erro por ter realizado o sepultamento dele, e encaminhado à Funerária do Parque Memorial de Goiânia, contratada pela família do idoso. A Fênix deverá sepultar o corpo do paciente Jesus.

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