Política

Lula bate recorde de audiência no Flow após cancelamento de debate da Globo

Léo Carvalho

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 09:48 | Atualizado há 33 minutos

Entrevista alcançou 1,65 milhão de espectadores simultâneos, enquanto debate que seria realizado pela Globo foi cancelado | Foto: Reprodução
Entrevista alcançou 1,65 milhão de espectadores simultâneos, enquanto debate que seria realizado pela Globo foi cancelado | Foto: Reprodução

A entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Flow Podcast alcançou uma audiência recorde na noite desta quinta-feira (1º), justamente no horário em que estava previsto o último debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno. A transmissão chegou a 1,65 milhão de espectadores simultâneos e teve média de aproximadamente 1,5 milhão durante quase duas horas de conversa.

No YouTube, o vídeo ultrapassou 10 milhões de visualizações. O número de espectadores simultâneos representa o pico registrado durante a transmissão, enquanto as visualizações continuam sendo contabilizadas depois do encerramento do programa.

O recorde anterior do Flow também havia sido alcançado por Lula. Na entrevista realizada durante a campanha de 2022, o presidente chegou a 1,087 milhão de espectadores simultâneos. Quatro anos depois, o número foi superior em mais de 500 mil espectadores.

A audiência elevada ocorreu em uma noite que terminou sem o debate da TV Globo. O programa estava marcado para as 21h30 e seria o último confronto entre os presidenciáveis antes da votação de domingo (4).

Lula já havia informado que não participaria do debate. O presidente justificou a decisão durante a entrevista ao Flow e afirmou que considera pouco produtivo participar de encontros com muitos candidatos.

Flávio Bolsonaro (PL), que havia confirmado presença, também desistiu horas antes do programa. O senador declarou que sua participação estava condicionada à presença de Lula e que não pretendia comparecer para debater com os demais candidatos.

A desistência dos dois candidatos ocorreu em meio a uma sequência de decisões judiciais que também modificaram as condições previstas para o debate. Com a ausência de Lula e, posteriormente, de Flávio Bolsonaro, a Globo decidiu cancelar o programa.

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia determinado que a Globo não exibisse o púlpito destinado a Lula caso ele não comparecesse. A decisão também impediu que os candidatos presentes formulassem perguntas dirigidas ao presidente ausente. O pedido havia sido apresentado pela coligação de Lula.

Na decisão, a ministra considerou que a participação em debates é facultativa e que a exibição do espaço vazio poderia produzir uma consequência política para a ausência do candidato. Para ela, a não participação deveria resultar apenas na perda da oportunidade de responder às perguntas daquela rodada.

A decisão também envolveu a forma como a emissora poderia apresentar ao público a ausência de um candidato. A Justiça Eleitoral, nesse caso, determinou mudanças em um elemento da organização e da transmissão do debate.

Outra decisão judicial interferiu na formação do debate. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Renan Santos, candidato do Missão, fosse incluído no programa.

A decisão ocorreu depois de uma disputa sobre os critérios utilizados pela Globo para definir os participantes. Inicialmente, Renan não estava entre os candidatos convidados. O ministro determinou sua participação no lugar que seria destinado a uma vaga aberta com a ausência de Lula.

A decisão de Gilmar Mendes contrariou uma decisão anterior do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que havia negado a inclusão de Renan no debate. Romeu Zema (Novo) também havia sido incluído anteriormente após decisão judicial.

Com as mudanças determinadas pela Justiça e a desistência de Flávio Bolsonaro, a Globo decidiu não realizar o programa.

A emissora afirmou que as decisões tomadas às vésperas do debate alteraram as condições previamente estabelecidas para a realização do encontro. A Globo sustentou que as mudanças comprometeram a organização do programa.


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