Lula chama bets de “desgraça” para pobres e diz que dinheiro do pão e do leite não será usado em apostas
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 10:51 | Atualizado há 44 minutos
Lula criticou as apostas online e chamou as bets de “desgraça” para a população mais pobre | Foto: Getty Images
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a defender o fim das apostas esportivas on-line de quota fixa no Brasil. Durante uma conversa com jornalistas em Brasília, nesta quinta-feira (8), o petista afirmou que as plataformas de apostas se tornaram prejudiciais à população de baixa renda e disse que, enquanto estiver no comando do Executivo, não permitirá que recursos destinados às necessidades básicas das famílias sejam usados nesse tipo de atividade.
A declaração foi feita após gravações no quartel-general da campanha. Ao comentar as críticas à decisão do governo, Lula afirmou que pretende impedir que o dinheiro reservado para a compra de alimentos seja direcionado às apostas e utilizado para enriquecer empresas do setor ou em práticas de lavagem de dinheiro.
“Eu sei que tem algumas pessoas incomodadas porque nós acabamos com a bet. E nós temos que dizer alto e bom som que as bets virou nesse país uma desgraça para o povo pobre. E enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão, o feijão, sabe, da família seja utilizado para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país”, declarou.
Lula rebate críticas de clubes de futebol às apostas
O presidente também contestou os argumentos de clubes de futebol que associam o fim das apostas on-line a prejuízos para o esporte. Para Lula, as equipes não têm razão ao afirmar que o futebol corre o risco de acabar sem os recursos provenientes desse mercado.
Na avaliação do petista, os clubes precisam buscar outras formas de financiamento, sem transferir os custos aos torcedores. Ele citou despesas que fazem parte da relação dos fãs com os times, como a compra de ingressos para acompanhar partidas nos estádios e de camisas para uso próprio ou para presentear familiares.
“Os times também não têm o direito de estorquir os torcedores, que já gastam o dinheiro para ir no estádio, gastam o dinheiro para comprar uma camisa do time, gastam o dinheiro para dar camisa de presente pra mulher e dar uma camisa pro filho”, afirmou.
Lula ainda questionou por que os clubes não ampliam sua atuação empresarial para garantir receitas próprias. Segundo ele, a facilidade de obter recursos por meio das apostas teria reduzido o interesse das equipes em buscar outros modelos de negócio.
“Os times podem virar empresa. Vocês estão lembrados que há três décadas atrás todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa. Por que que não estão virando? Porque encontraram a facilidade no cassino? Encontraram a facilidade dentro da casa das pessoas pelo celular?”, questionou.
Na sequência, o presidente afirmou que os clubes terão de encontrar alternativas para manter suas atividades e citou o funcionamento do futebol em outros países como referência para a organização do setor.
A discussão ocorre após uma medida provisória do governo federal que proibiu a atuação das casas de apostas on-line no país. Na terça-feira (6), os sites das empresas do setor foram retirados do ar. A decisão de encerrar as apostas de quota fixa no Brasil havia sido tomada por Lula em 25 de setembro.
Presidente diz que vai concentrar esforços na busca por votos
Durante a conversa com jornalistas, Lula também comentou o cenário eleitoral e as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. O presidente afirmou que não utiliza os levantamentos como referência para definir sua atuação na campanha e disse que sua prioridade é conquistar mais votos do que o adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
“Não, eu não avalio pesquisa, não trabalho assim. Eu trabalho sabendo que eu preciso ter mais voto que o Flávio para ganhar as eleições. Eu tenho 17 dias para isso e a minha obrigação é trabalhar, pagar esse voto”, declarou.
A fala ocorreu pouco depois da divulgação de uma pesquisa Datafolha sobre o segundo turno, que apontou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.
Ao abordar os próximos dias da disputa, o candidato à reeleição reiterou que pretende intensificar o contato com o eleitorado e direcionar seus esforços para ampliar o apoio à candidatura petista. O presidente demonstrou confiança na possibilidade de vitória e afirmou que a conquista de votos será determinante para o resultado.
“Eu vou ganhar voto. O único jeito de você ganhar uma eleição é você ganhar voto. E eu estou convencido que eu vou ganhar as eleições”, disse Lula.